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Setembro Amarelo nos Tempos de Quarentena: Como Anda a Saúde Mental dos Estudantes de Medicina?

Setembro Amarelo nos Tempos de Quarentena: Como Anda a Saúde Mental dos Estudantes de Medicina?

É de conhecimento geral os múltiplos transtornos causados pela pandemia da COVID-19 que se alastra desde o início do ano no Brasil. Muitas são as vidas perdidas, prejuízos econômicos, acadêmicos, desemprego, transtornos familiares e de saúde mental [1]. Nesse cenário, os profissionais da área da saúde estão em alta: seu esgotamento físico e mental frequentemente é vinculado na mídia, são admirados pelo esforço e sacrifícios em nome da medicina.

Mas o que falar sobre os estudantes de medicina? Como a quarentena os está afetando? Bom, nesse interminável período de quarentena já deu pra sentir muito. Muita vontade de aprimorar os conhecimentos, de melhorar o currículo, insatisfação com a interrupção prolongada das atividades acadêmicas, receio de ser infectado, caçada à certificados de eventos online culminando em anseio desmedido por uma produtividade irreal que traz angústia.

Enfim, essa complexa combinação de sentimentos, medos e ansiedades pode favorecer o surgimento de sofrimento mental, tema já tão sensível nesse grupo[2]. Já chegamos em setembro, mês em que devemos relembrar aquilo que jamais deve ser esquecidos nos demais meses: a saúde mental. Nesse sentido, listo abaixo algumas dicas e orientações que podem tornar a quarentena menos deletéria à saúde mental dos estudantes de medicina.

  1. Estabeleça uma rotina.

Determinar uma rotina e segui-la auxilia a aliviar o estresse, melhora nossa visão de nós mesmos e nossa felicidade geral. Nos ajuda a focar nas tarefas realmente importantes e a melhorar a qualidade de vida. Especialmente se o acadêmico está tendo aulas online, a organização no planejamento do dia é fundamental.

    2. Você não precisa ser o mais produtivo.

Lives, congressos e cursos online, adiantar os estudos. Os acadêmicos de medicina têm experimentado recentemente uma exorbitante quantidade de eventos online, muitos dos quais oferecem certificados como atrativo. Você, acadêmico, sabe que não precisa de todos, muitos deles, inclusive, não lhe agregarão bagagem alguma. Essa sobrecarga tem potencial para gerar inquietação, aflição, medo de estar ficando para trás. Então, selecione os melhores eventos, os que irão verdadeiramente acrescentar algum conhecimento ou habilidade. É o suficiente.

    3. Se exercite.

Todos nós sabemos o quanto os exercícios físicos nos beneficiam física e mentalmente. Todos conhecemos também as justificativas de sempre que nos impedem de abandonarmos o sedentarismo. É também de conhecimento geral que podemos contornar essas desculpas com um pouco de engajamento e determinação. 

   4. Não passe muito tempo na internet.

Nossa mente precisa se desligar de tanta informação e preocupações. Evite passar o dia (ou a madrugada) no celular seja lendo notícias ou navegando nas redes sociais. Dê um tempo, se afaste do celular e seu estresse e angústia serão significantemente reduzidos.

  5. Aprenda línguas, música, leia um livro etc. Nem tudo é medicina!

Aproveite o tempo para fazer o que ama, mas não tinha muito tempo para praticar ou mesmo pra aprender algo novo. Suas habilidades além da medicina também impulsionarão o seu currículo e, mais importante, enriquecerão sua vida! Então leia livros, aprenda um novo instrumento, comece a escrever, enfim, amplie sua bagagem cultural.

   6. Passe um tempo com a família.

Aproveite esse momento para conversar e se conectar mais profundamente com seus familiares. Fortes relações afetivas são importantíssimos fatores protetivos no que se refere ao sofrimento mental.

   7. Medite.

Tire algum tempo apenas para você. Em local silencioso passe algum tempo meditando, respirando fundo. Tente aliviar a mente de preocupações, medos, angústias e arrependimento. Tente pensar apenas no momento presente.

 


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[1] Brooks SK, Webster RK, Smith LE, Woodland L, Wessely S, Greenberg N, et al. The psychological impact of quarantine and how to reduce it: rapid review of the evidence. Lancet. 2020;395:912-20.

[2] Lima MC, Domingues Mde S, Cerqueira AT. Prevalência e fatores de risco para transtornos mentais comuns entre estudantes de medicina [Prevalence and risk factors of common mental disorders among medical students]. Rev Saude Publica. 2006;40(6):1035-1041. doi:10.1590/s0034-89102006000700011