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Uma descoberta sobre a Malária

Uma descoberta sobre a Malária

Já se foi o tempo em que o inseticida era capaz de reduzir a disseminação da Malária, em especial na região do oeste africano que engloba os países de Camarões, Guiné e Burkina Faso. Publicado na revista Nature, no final de 2019, o artigo de Ingham et al. trouxe a descoberta de uma resistência que começa a apontar para um perigo na região, como se não bastassem todas as outras mazelas já enfrentadas.

No oeste da África foram detectadas variantes do Anopheles, em especial o Anopheles gambiae, que usam pequenas proteínas que lhes confere resistência aos piretróides, produtos usados nos inseticidas.

Os mecanismos citados pelo autor são mutações da proteína do canal de sódio voltagem-dependente, que reduzem a sensibilidade neuronal ao inseticida, basicamente, essa mutação reduz a capacidade dos piretórides a se ligarem ao seu alvo.

Outra descoberta foi a atividade metabólica aumentada de enzimas (as CYPs) desintoxicantes do mosquitos, como as da família P450, as quais se ligam e promovem a quebra de inseticidas.

Algo de destaque que foi citado pelo artigo de Ingham et al. foi que as pernas dos insetos possuíam uma proteína quimiosenssorial chamada SAP2, que tem a função de se ligar aos piretróides sequestrando e os impedindo de funcionar.

As SAPs são encontradas apenas nos insetos. Elas são pequenas proteínas solúveis que tem a função de transportar moléculas hidrofóbicas entre as células enquanto transmitem sinais químicos. Ingham e sua equipe chegaram a uma importante conclusão: a redução dos níveis de SAP2 na população de Anopheles gambiae, que antes eram resistentes aos inseticidas, fez com que a suscetibilidade aos compostos do inseticida fosse restaurada.

Segundo o detalhamento dado por Ingham e seus auxiliares, a proteína SAP2 se liga com alta especifidade com os piretróides e sua expressão é aprimorada na perna dos mosquitos vetores. Quando eles pousam sobre uma área com inseticida, é provável que essa ligação do SAP2 com o piretróide promova o "sequestro" do agente químico e gere sua quebra, impedindo seu efeito.

Os achados do artigo publicado contribuem para se restabelecer a suscetibilidade das populações dos vetores da malária na África Ocidental. A inserção de agentes nos inseticidas que interfiram na ação das CYPs ou que inibam a ligação do agente químico com a SAP2 podem ser muito eficazes, mas lógico, amigo leitor, necessitamos de mais estudos que ratifiquem isso.

Algo importante a se destacar é que, a partir de agora, nessas regiões africanas, a região genômica associada à SAP2 pode ser usada para detectar a disseminação do mecanismo de resistência nos vetores.

Ao fim de toda esta análise é importante destacar duas coisas:

  1. Métodos de controle não só de vetores, mas como de doenças, devem ser sempre pesquisados, reanalisados e reavaliados para oferecer ao paciente a melhor estratégia no controle e no combate a problemas de saúde pública. A eficácia, sempre respeitando a segurança e a ética, deve ser sempre buscada.
  2. Este foi um caso desenvolvido e pesquisado em variantes encontradas no oeste da África, mas serve como aspecto de alerta para as populações que vivem em áreas que são afetadas pelo mosquito do gênero Anopheles e o Brasil, amigo leitor, está entre essas áreas que sofrem pela picada do mosquito e pelo descaso na saúde, que tanto faz aumentar a ferida na atenção básica.

Para mais informações, acesse a íntegra do artigo* clicando aqui ou pelo link:
https://www.nature.com/articles/s41586-019-1864-1

*Nota: infelizmente, esse artigo ainda não é de domínio público.

 

Até breve!

Academia Médica
Gabriel Couto
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Aluno do Curso de Medicina da Universidade Federal do Paraná. Gosta de ouvir em primeiro lugar e de ser ouvido e, quem sabe, futuro oncologista.

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