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Vislumbre de mais votos tenta proibir uso de animais para ensino da Cirurgia
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Vislumbre de mais votos tenta proibir uso de animais para ensino da Cirurgia

Vislumbre de mais votos tenta proibir o uso de animais para o ensino da Cirurgia.

Projeto de deputado paulista proíbe o uso de animais em aulas que ensinam a técnicas cirúrgicas a médicos.

Perplexo! Mais uma vez perplexo pela concretização da ignorância que a corrida eleitoral promove. Não consigo achar outros sentimentos para explicar como me sinto diante de tal desserviço.

Durante meu 3º ano de faculdade de medicina cursei a disciplina de técnica operatória. Desde o início do curso ja transitava por centros cirúrgicos, curioso para aprender mais e mais sobre a Cirurgia Geral. Apenas no 5º período, porém, é que eu poderia começar a solidificar alguns dos conceitos que me farão algum dia, um cirurgião.

Como sabemos, o médico generalista tem que saber um pouco de tudo para promover a vida pelo menos enquanto não consegue um atendimento especializado.

Cursar a Técnica Operatória faz parte dessa linha geral inerente a TODOS os médicos. Aplicar os conceitos aprendidos em porcos é mais do que necessário. Onde, se não no laboratório de técnica operatória, aprenderíamos uma grande quantidade de procedimentos que realmente salvam a vida do paciente?

Durante aquele semestre, realizei traqueostomias, flebotomias, esplenectomias, drenagem de tórax, anastomoses enterais e vasculares entre outros procedimentos. Posso afirmar que em alguns momentos não obtive sucesso. No final da matéria, porém, posso afirmar que conseguia realiza-los corretamente.

Dentre os procedimentos citados, alguns tem a necessidade de serem realizados de imediato, não havendo tempo hábil para a chegada do especialista necessário. Vivemos em um país de distâncias enormes e sem recursos humanos em todas as regiões ( é jargão mas nesse caso vale a pena repetir ). Temos portanto de ter, além da coragem, conhecimento e treinamento para agir.

Agora, imaginem um médico que nunca realizou tais procedimentos. Nunca abriu uma traqueia impérvia,, nunca drenou um tórax nunca ligou uma artéria sangrante, nunca fez um acesso cirúrgico para uma veia invisível... Mais mortes evitáveis por asfixia, hipovolemia e exsanguinação aconteceriam.

Toda essa secular escola cirúrgica encontra-se agora ameaçada pelo Deputado Estadual Feliciano Filho (SP). De mãos dadas com a indesejada das gentes, ele promove a votação de um projeto de sua autoria que acabaria com os modelos animais para o ensino da Técnica Operatória.

Armado ainda com os Beagles da Royal e o proibição do uso de animais em experimentos da Indústria, o Deputado aproveitou os holofotes que esse tipo de assunto atrai, para colocar em pauta mais esse desserviço à Nação.

Saiba você, senhor deputado, que boa parte dos médicos de plantão em SAMU, Resgates de rodovias concessionadas e hospitais de cidades que distam pelo menos 2h de distancia do serviço especializado, não são cirurgiões, mas foram treinados para realizar ( e de fato realizam) esses procedimentos "Salva-Vidas". Isso tudo, porque durante a sua formação, foram treinados em animais antes de serem exigidos a terem coragem e realizá-los em um ser humano.

Os mais xiitas poderiam dizer que não há necessidade de realizar tais procedimentos em animais vivos. Mas reafirmo a necessidade. Uma pele morta não tem a mesma consistência e textura que o tecido vivo. O fato de o animal sangrar adiciona mais expertise para o médico realizar tais procedimentos para salvar uma vida. Temos que lembrar que os animais não sentem dor, pois são anestesiados de acordo com protocolos éticos aceitos e discutidos mundialmente.

Em um país como o nosso, onde as mortes violentas ceifam mais de 100 mil vidas por ano ( Armas Branca, de Fogo e acidentes automobilísticos), sendo a principal causa de morte da população entre 20 e 50 anos, não podemos nos dar o luxo de largar os feridos por essas mesmas causas a revelia da sorte. Seria de uma inFelicidade extrema.

Toda vez que o senhor  estiver dentro de um carro, viajando para solicitar seus votos no interior, lembre que o médico que o aguarda em caso de um acidente precisa saber o que ele tem de saber. Acabar com o ensino da técnica operatória com o uso de animais será, sem dúvidas, a assinatura de atestados de óbitos de inúmeros brasileiros.

Fernando Todt Carbonieri

Fernando Carbonieri

Fernando Carbonieri

Inovação é sua forma de exercer a medicina. Em 2012 criou a Academia Médica, comunidade dedicada a "FALAR O QUE A FACULDADE ESQUECEU DE NOS CONTAR". Membro Comissão do Médico Jovem do CFM, Palestrante, Hacking Health Curitiba e Brasil

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