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Você sabe qual a sua importância na vida das pessoas?

Você sabe qual a sua importância na vida das pessoas?
Ana Leticia Boeno
dez. 13 - 4 min de leitura
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O corpo humano é uma máquina espetacular e, como tal, precisa de manutenção para que tudo funcione com perfeição. Quando apresenta problemas, necessita de um profissional para fazer os devidos" reparos" e é nessa hora que buscamos atendimento médico.

Mas diferentemente das máquinas, ao procurar ajuda, muitas coisas são levadas em conta para que o paciente se sinta bem ao relatar suas dores e queixas. Isso é o que nos diferencia das máquinas: o fato de sentirmos, além daquilo que nos incomoda, que estamos sendo atendidos com humanidade e respeito. 

Ao entrar em um consultório, a pessoa entrega seu corpo temporariamente para outro, pois se o médico pede para abrir a boca, respirar fundo, ou mostrar partes do corpo, nós obedecemos sem questionar muito seus motivos.

Essa vulnerabilidade a qual o paciente se  submete faz com que o profissional da saúde que está atendendo se torne rapidamente alguém em quem se precisa confiar minimamente, e geralmente é o que acontece: o médico recebe a confiança plena, ouve as dores e medos e em contrapartida o paciente tem a chance de sentir alívio daquilo que o preocupava.

Há muitos anos, precisei de um profissional específico: um proctologista. Adolescente, com Retocolite ulcerativa, sem diagnóstico fechado, tendo que abrir sua intimidade para um desconhecido.

Não foi fácil, pois além do medo de uma doença desconhecida, ainda tinha a vergonha natural da idade. Com muita eficiência, meu diagnóstico foi fechado e a partir daí, comecei a buscar a melhor terapia para meu caso. 

Alguns anos de remissão da doença, tudo começa de novo. Desesperador, porém agora já era adulta e tinha mais maturidade para enfrentar a situação.

Procurava não só um profissional, precisava de alguém que eu pudesse contar, desabafar e até chorar se precisasse.

Depois de bater em alguns consultórios, encontrei uma médica, a qual chamo carinhosamente de "minha doutorinha". Ela me olhou nos olhos e eu pude sentir que se importava. Adaptava a medicação sempre que necessário e procurava sempre fazer com que me sentisse acolhida.

Às vezes não precisa de muita coisa. A vulnerabilidade da situação faz com que qualquer gesto de atenção nos baste para confiar plenamente na pessoa que está do outro lado da mesa. 

Talvez você, doutor e doutora que me lê agora, não se dê conta da importância que você tem na vida de um paciente, mas saiba que você escolheu uma profissão que te torna responsável momentaneamente pelo corpo de outra pessoa e isso é muito profundo.

O olhar nos olhos, acolher com palavras e atender com gentileza pode parecer uma coisa boba e até desnecessária, afinal, no fim do dia é impossível lembrar de rostos ou nomes.

No entanto, para seu paciente, você foi único, aquele que pode tirar suas dores e trazer alívio, mesmo que momentâneo para algo que está ruim.

Seu paciente confiou seu corpo a você, abriu sua intimidade e tudo o que precisa é sentir que tem alguém que se importa, que está ali para ajudar e quer fazer isso.

Sou grata à minha doutorinha, pois ela me trouxe alívio, apesar dos percalços, e me fez sentir que não era só mais uma, mas nos momentos em que estava expondo meu íntimo para ela,  eu tinha nome e rosto, além de um corpo com problemas.

Agradeço à Academia Médica que me deu a oportunidade de poder, enquanto paciente, falar com milhares de médicos e tentar tocar um pouco seus corações para que, apesar da rotina, da correria e da vida no automático, possam olhar cada um que entra em suas salas com um olhar mais humano, mais acolhedor e gentil. 


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