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COVID-19 - Juntos chegaremos lá!

COVID-19 - Juntos chegaremos lá!

Quem é Brasileiro lembra desse slogan de campanha política dos anos 90. Apesar de vintage, continua super moderna.

Ontem li a coluna bem escrita do Nizan Guanaes sobre o Coronavírus. Confesso que a coluna me tocou de forma profunda até porque, recebi ao longo das últimas semanas, inúmeros questionamentos sobre a pandemia do Covid19 de amigos, colegas da área de saúde, pacientes, familiares e etc.

Resolvi juntar os pontos dos diferentes fatos da epidemia:

Fato: todos os vírus respiratórios (não só o coronavírus covid19) são de fácil transmissibilidade (transmissão por gotículas) de pessoa a pessoa (distancia menor que 2 metros, contato com áreas do corpo contaminadas com a secreção do paciente infectados, objetos inanimados - alguns vírus podem durar horas em superfícies inanimadas). Existe uma transmissão aérea mínima, se houver, o que facilita os esforços de mitigação para obter sucesso. Transmissão vertical, de mãe para bebê ainda não informada.

Fato: clinicamente, o vírus atual é igual a um resfriado comum em crianças e adultos saudáveis. todos os vírus respiratórios (não só o covid19) causam maior mortalidade em idosos e portadores de doenças cronicas (independente da idade). Quando você observa a mortalidade em idosos ela pode chegar a 15% (o mesmo que a sepse!)

Fato: a maioria das pessoas infectadas desenvolverá a doença, 80% leve, 15% moderada (o que provavelmente exigirá cuidados médicos e hospitalização) e 5% da doença grave (provavelmente exigindo cuidados na UTI). 10-20% com doença leve podem progredir para moderar e uma quantidade igual pode progredir de doença moderada para grave.

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Fato: ao longo da sua evolução e da evolução de uma epidemia, os vírus sofrem mutação e podem adquirir maior ou menor poder de transmissibilidade, desacelerando ou acelerando a infecção. As mutações podem levar a resistência ao tratamento. O Covid19 atual tem uma mutação a cada 15 dias. 

Fato: o vírus atual está intimamente relacionado ao SARS-CoV, mas com apenas 20% de compartilhamento antigênico. Taxa de fidelidade (taxa de mutação) na extremidade alta do espectro.

Fato: pesquisadores chineses descobriram dois principais tipos do novo covid19 (L e S) Os cientistas disseram ainda que o tipo L é mais agressivo do que o tipo S, representando 70% das amostras. Os pesquisadores afirmaram que o tipo S é considerado mais velho do que o tipo L, e que as características do gene são próximas das do vírus identificado como proveniente de morcegos.A equipe disse à imprensa local que ainda não sabe como o tipo L se desenvolveu a partir do tipo S e qual dos dois seria mais tóxico. A maioria dos pacientes foi infectada com uma das duas variantes. Acrescentaram, porém, que duas pessoas, incluindo um paciente americano que viajou a Wuhan, cidade chinesa, poderá ter sido infectado com as duas variantes

Fato: o Covid 19 apresenta R0 de 2-3, isto é, cada pessoa infectada tende a infectar 2-3 pessoas. Essencialmente torna improvável que ele desapareça por si só, a menos que sejam tomadas medidas. O derramamento viral pode ocorrer 24 a 48 horas antes dos sintomas.

Fato: até o momento não sabemos se a infecção induz imunidade permanente. Há relatos científicos, também de pacientes que apresentaram testes moleculares negativos durante o isolamento hospitalar, receberam alta clinica/radiológica/laboratorial para isolamento domiciliar. Após alguns dias em casa, sem terem novo contato com nenhuma nova fonte de infecção, voltaram a testar positivo para coronavírus no teste molecular.

Fato: A mortalidade atual é em torno de 2% mundialmente. Esse número pode estar enviesado pois apenas os casos mais graves podem ter procurado o sistemas de saúde e por consequência, laboratorialmente diagnosticados e contabilizados. Os casos sem sintomas ou com poucos sintomas podem não ter procurado o sistema de saúde. Desta forma, não foram contabilizados, reduzindo o denominador. aso todos fossem diagnosticados, a mortalidade seria menor.

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Fato: a mortalidade do Covid é próxima a da gripe espanhola (2,5%) enquanto que o H1N1 teve mortalidade de 0,2-0,5%. A taxa de mortalidade corrigida, embora estratificada por idade e algumas doenças crônicas, é de magnitude 20 vezes maior que a da influenza.

Fato: um excesso de demanda do sistema de saúde ou um excesso de casos graves, pode levar a cadeia de valor em saúde e o sistema de saúde ao colapso por um desequilíbrio na relação oferta-demanda.

Fato: para um diagnostico definitivo de doenças respiratórias é necessário um conjunto de sinais e sintomas, história epidemiológica (de viagem, contato com animais, contato domiciliar e extra-domiciliar) e diagnóstico sorológico ou molecular definitivo (a depender da doença) do agente causador. 

Fato: existem situações que podem facilitar aglomerações humanas com contato menor do que 2 metros com baixa circulação de ar: eventos religiosos, festas populares, shows, eventos esportivos, congressos, museus populares, viagens de cruzeiro, convenções, reuniões corporativas. 

Fato: todas as medidas de prevenção são dependentes do comportamento humano no que concerne a etiqueta respiratória, higienização das mãos, procura de profissional de saúde ou serviços de saúde, testagem para doenças, redução de contato inter-humano. 

Fato: as medidas de prevenção de transmissão utilizadas em outras doenças também são focadas na redução de transmissibilidade (ex: camisinha)

Fato: todos os países com governos que tiveram comunicação transparente, coalizão com a população no que concerne a medidas coletivas e/ou de testagem, tiveram menor mortalidade nesta epidemia.

Fato: medidas mais intensas e restritivas de prevenção utilizadas em pandemia conforme sugerido pelo CDC diminuem o número de casos mais aumentam o tempo de circulação de casos ou duração da epidemia. 

Acho que é importante neste momento as pessoas deixarem fake news/excesso de informação ou desinformação de lado bem como objetivos pessoais em segundo plano e entenderem as medidas a serem tomadas daqui para diante são de senso coletivo e de comunidade para redução da transmissibilidade inter-humanos e da epidemia de qualquer vírus respiratório ou de qualquer doença infecciosa, independente da existência de vacina ou antimicrobiano curativo.

Esse senso de comunidade é de extrema importância para o combate dessa e de outras epidemias que necessitam de controle dependente do comportamento humano. (dengue, sarampo).

Esse senso de comunidade é vital e nenhuma pessoa deve ser segregada por origem, raça, cor, sexo e por presença de doenças comunicáveis ou não-comunicáveis.

Uma resposta bem-sucedida exigirá o envolvimento de todos no controle da propagação. 

Devemos cuidar com carinho e atenção da lavagem das mãos, evitar tocar rosto/nariz/olho, aderir a etiqueta respiratória e a novas modalidades de saudações sociais (ex: com os pés)

Vamos controlar essa e outras epidemias juntos? Você já fez sua parte hoje?

Juntos chegaremos lá!

Comente abaixo sobre dúvidas sugestões ou sobre o como podemos ser mais efetivos em "chegar lá"!

 


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Bruno Scarpellini
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MD MPH PhD FACP, Infectologista & Epidemiologista

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