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Vacina MMR é eficaz para a prevenção de gravidade do COVID-19

Vacina MMR é eficaz para a prevenção de gravidade do COVID-19

Vacina MMR reduz o risco de desenvolver a doença pela metade e diminui o risco de internação hospitalar em 74%.

Equipe de pesquisa da UFSC, comandada pelo Prof. Edison Natal Fedrizzi (SMF) demonstra (ainda em pre-print) eficácia da vacina contra Sarampo, Caxumba e Rubéola para a redução de gravidade em profissionais de saúde infectados pela Coronavirus. Segue na íntegra a transcrição do pdf emitido pelo Centro de de Pesquisa Clínica do HU/UFSC. Tal estudo pode impactar rapidamente na redução da mortalidade e de gastos de saúde como um todo, no Brasil e no mundo.

Estudo de Eficácia Clínica Fase III, randomizado, duplo cego, placebo controlado da Vacina MMR (Sarampo, Caxumba e Rubéola) na Prevenção ou Redução da Severidade da COVID-19 em Homens e Mulheres de 18 a 60 anos Profissionais da Área da Saúde

NOTA PRÉVIA – Análise Interina de Dados

A COVID-19 (Coronavirus Disease 2019), causado pelo novo Coronavírus (SARS-CoV-2 - Severe Acute Respiratory Syndrome by Coronavirus 2) já completou um ano em nosso meio. Hoje, temos no mundo 96.218.061 casos da infeção com 2.058.534 óbitos. No Brasil já somamos 8.638.249 casos e 212.831 óbitos, num momento que observamos um crescimento na curva de casos e óbitos em todo o país. Um esforço sobre-humano tem sido dispensado por vários cientistas no mundo todo para uma vacina específica contra o SARS-CoV-2, com resultados suficientes para se iniciar uma campanha mundial de vacinação, como está ocorrendo neste momento. Entretanto, populações prioritárias serão primeiramente vacinadas, desta forma a grande maioria das pessoas não conseguirão ser vacinadas ainda este ano em função da disponibilidade das vacinas ou seu insumos para fabricação nacional.

Vários estudos tem mostrado que algumas vacinas, particularmente as com microorganismos vivos e atenuados apresentam uma excelente resposta imunológica a vários outros agentes não presentes na vacina, a chamada imunidade heteróloga. Esta imunidade está relacionada com a primeira fase de estimulação do nosso sistema de defesa frente a algum agressor e é inespecífica (imunidade inata), ou seja, age frente a qualquer micoorganismo oportunista. Esta resposta imune geralmente é por um tempo limitado, mas pode ser prolongada utilizando novos desafios antigênicos, como doses de vacina de reforço, levando ao que denominamos treinamento da imunidade inata. Em função disso, nosso Centro de Pesquisa no HU/UFSC iniciou em julho de 2020 um estudo clínico duplo-cego, placebo controlado e randomizado para avaliar a possível eficácia da vacina tríplice viral ou MMR (contra o sarampo, caxumba e rubéola) para a prevenção ou redução da severidade da COVID-19 em profissionais da saúde. O estudo ainda está em andamento com visitas mensais dos 430 voluntários onde é realizado uma avaliação clínica e exames para COVID-19, principalmente o PCR de nasofaringe.

Vimos por meio deste comunicado apresentar os primeiros resultados (ainda incompletos) de uma análise interina dos dados do estudo clínico Estudo de Eficácia Clínica Fase III, randomizado, duplo cego, placebo controlado da Vacina MMR (Sarampo, Caxumba e Rubéola) na Prevenção ou Redução da Severidade da COVID-19 em Homens e Mulheres de 18 a 60 anos Profissionais da Área da Saúde.

Foram realizadas análises estatísticas com os dados coletados até a segunda semana de janeiro de 2021. Os resultados preliminares demonstraram que não houve redução no número de casos de COVID-19 no grupo vacinado, comparado ao grupo placebo. No entanto, observamos o dobro de risco de os pacientes que receberam placebo apresentarem casos sintomáticos em comparação ao grupo vacinado ou seja, uma redução de 54% da chance do grupo vacinado ter COVID-19 sintomática (RR=2,13;IC95%:1,03 a 4,43; p=0,024). Também houve redução no risco de internação hospitalar de 74% para os vacinados (RR: 0,26; IC95%: 0,07 a 0,99; p=0,036).

Estes resultados são bastante animadores, pois trata-se de uma vacina não específica para o novo coronavírus, mas que mostrou resultados de eficácia semelhante a algumas vacinas específicas divulgados recentemente. Em hipótese alguma a vacina tríplice viral irá substituir a vacina específica. No entanto, seria muito útil se fosse possível vacinar os grupos não prioritários com esta vacina até que tenhamos a disponibilidade de vacinar toda a população com as novas vacinas contra a COVID-19. Ressaltamos que após a utilização de uma vacina atenuada, como a tríplice viral, nenhuma outra vacina deverá ser realizada até 30 dias após seu uso justamente por esta resposta imune inespecífica da tríplice viral que pode interferir na resposta imune da segunda vacina.

Este estudo conta com o apoio do Laboratório FioCruz – Bio-Manguinhos, Fundação de Amparo a Pesquisa e Inovação do Estado de SC (FAPESC), Secretaria Estadual de Saúde (SES – LACEN) e Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SMF).

EQUIPE DE PESQUISA – Prof Edison Natal Fedrizzi (Coordenador do Estudo)

O Estudo de Fase IV já está recrutando, conforme 

"Trata-se de um Estudo clínico para avaliação de eficácia, Fase IV, randomizado, duplo cego, placebo controlado para avaliar a eficácia da Vacina tríplice viral (MMR - sarampo, caxumba e rubéola) na prevenção ou diminuição da gravidade da COVID-19. Serão incluídos no estudo 1000 voluntários da região de Florianópolis, Brasil. O Centro de Pesquisa Coordenador do Estudo será o Centro de Pesquisa Clínica Projeto HPV do HU/UFSC, composto por professores desta Instituição. Os participantes selecionados para o estudo serão os trabalhadores da área da saúde (médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem) que estão trabalhando na linha de frente no combate à COVID-19. Serão dividios em 2 Grupos: Grupo 1 (Droga em estudo - Vacina MMR): 500 voluntários (homens e mulheres) de 18 a 60 anos irão receber 0,5 mL SC, em 2 doses com intervalo de 8 semanas (Visita 1 e 3). Grupo 2 (Placebo): 500 voluntários (homens e mulheres) de 18 a 60 anos irão receber 0,5 mL SC de solução salina (SF 0,9%), em 2 doses com intervalo de 8 semanas (Visita 1 e 3). O objetivo de ser realizado duas doses, neste intervalo de 8 semanas é justamente para realizar o “Treinamento da Resposta Imune Inata”, oferecendo uma tempo maior de proteção, do que o induzido por apenas uma dose. A proteção esperada é de pelo menos 6 meses"

Para acessar o estudo e os próximos passos da pesquisa, CLIQUE AQUI para saber mais 

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