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As tendências para o futuro do trabalho na Saúde

As tendências para o futuro do trabalho na Saúde

Tenho falado há bastante tempo sobre como a 4ª revolução industrial está e vai continuar a mudar radicalmente a forma como interagimos, consumimos e nos comunicamos. Nada como conhecemos hoje será o mesmo nos próximos anos. Porém, algo que pouco se fala é como iremos preparar nós mesmos e nossa equipe para as mudanças em trânsito.

Segundo um levantamento feito pela consultoria de tendências Gartner, apenas 9% dos líderes de RH acreditam que as empresas estejam preparadas para o futuro do trabalho. Quando pensamos no mercado saúde esse percentual tende a ser ainda menor, visto que somos retardatários no processo de transformação digital.

Para revertermos esse cenário é preciso promover uma mudança profunda na forma como recrutamos, selecionamos e desenvolvemos a maior ativo de qualquer instituição de saúde, seus colaboradores. Para que isso seja possível, antes de tudo, precisamos entender quais as tendências para o futuro do trabalho, para que então, possamos desenhar o mapa que levará as organizações para o sucesso nas próximas décadas.

Listo abaixo, algumas dessas tendências com base num extenso trabalho de pesquisa feito pelo revista Você RH.

 

Tendências para o futuro do trabalho na Saúde

1. Foco nas tarefas, não nos cargos

Estruturas hierarquizadas não funcionam tão bem nos tempos de hoje. Para que tenhamos agilidade na tomada de decisões e possamos extrair o melhor de cada colaborador, se faz necessário uma nova forma de pensar as estruturas organizacionais. Empresas de sucesso têm utilizado metodologias ágeis, como Scrum para montagem de times, seja em projetos curtos ou para tarefas rotineiras.

2. Autogestão

Uma clínica só consegue entregar valor ao paciente se cada membro do tipo souber exatamente qual seu papel na organização e conseguir autogerir as tarefas que lhe cabem. O gerenciamento da equipe deve existir, mas não de forma sufocante e impositiva, e sim através de reuniões rápidas com todo o time para que se possa alinhar o que foi feito, o que precisa ser feito e se o responsável pela tarefa precisa de ajuda dos pares ou do gestor.

3. Gig Economy

O termo está em alta e quer dizer numa tradução livre "economia dos bicos". Impulsionados pela crise econômica, muitos profissionais têm buscado novas formas de se manter no mercado. Segundo a pesquisa da Você RH, de 2018 para 2019 houve um aumento de 50% na busca por freelancers. Trata-se de um fenômeno global e não está apenas atrelado a falta de vagas de emprego formais (CLT).

4. Uso das novas tecnologias

Até 2021, a tecnologia de automação robótica vai substituir quase 4,3 milhões de profissionais em todo o mundo nas tarefas mais repetitivas e rotineiras, de acordo com a consultoria Forrester. Na saúde esse processo ainda está engatinhando, mas tende a ganhar maior adesão nos próximos anos.

Seja no processo de recrutamento e seleção ou mesmos nas atividades rotineiras, as novas tecnologias como inteligência artificial, realidade estendida, internet das coisas e big data estarão cada vez mais presentes na vida das instituições de saúde que se mantiverem de pé e conseguirem surfar a onda da Saúde 4.0.

5. Flexibilização do trabalho

Já bastante comum em outras indústrias, o trabalho flexível tende a se tornar realidade também em clínicas e consultórios, principalmente após a regulamentação da telemedicina no Brasil - que deve ocorrer ainda esse ano. Nos dias de hoje, os profissionais - principalmente os mais jovens - buscam clínicas que os deem a possibilidade de ter carga horária flexível; trabalhar, quando possível, de forma remota ou mesmo dividir as atribuições do cargo com mais de um profissional - o chamado jobsharing.

Todas essas tendências trazem um cenário bastante diferente da realidade da maioria das clinicas e consultórios no Brasil hoje. Com certeza se você é empregador no ramo da saúde deve estar pensando "é improvável que eu consiga promover essas mudanças a tempo hábil com o time que tenho hoje".

De fato, em alguns casos, as mudanças que estão por vir, necessitarão da injeção de sangue novo no time. Todavia, na maioria das vezes, um bom programa de reskilling do quadro atual já poderá trazer resultados acima do esperado. Isso vai depender de quão qualificado com as habilidades do futuro está o seu time. Segundo um pesquisa conduzida pela Deloitte no final do ano passado, 73% do empresariado brasileiro pretende criar ou ampliar seu programa de formação de mão-de-obra, enquanto 17% irá ao mercado buscar profissionais mais qualificados.

 

E na sua instituição, como está a qualificação do seu time para enfrentar os desafios da década que se inicia?

 


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Fábio Henrique Araújo
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Administrador de empresas, empreendedor em série, palestrante, professor, mentor e colunista. Ajudo profissionais de saúde a transformar seus negócios através da Saúde 4.0

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