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Troca de Plantão #12: sextou com Munchausen e VBHC

Troca de Plantão #12: sextou com Munchausen e VBHC

Com o intuito de levar informação relevante aos médicos, profissionais de saúde e gestores que trabalham com ciências médicas no Brasil e no mundo, criamos o "Troca de Plantão da Academia Médica", que acontece de Segunda a Sexta às 06h30 da manhã no Clubhouse.  

Comandado por Fernando Carbonieri, médico e fundador da Academia Médica, o Troca de Plantão nº12 contou com os colegas Filipe Prohaska, Alexander Buarque, Jair Kuhn, Marilea Assis, Paulo Magnus, Thiago Rodrigues, entre outros que também compartilharam conhecimento com a comunidade. Com audiência crescente, o Troca de Plantão da Academia Médica traz as principais publicações científicas do cenário mundial, discutidas por profissionais de ponta.

O Troca de Plantão acontece no Grupo da Academia Médica, dentro do Clubhouse. Entre e procure o Club Academia Médica.

Narrações 12 Temporada | Grey's Anatomy ♡ Amino

O Troca de Plantão#12 começou com os feedbacks extremamente positivos sobre o nosso primeiro episódio: "A causa das doenças segundo Hipócrates, a Medicina Ayurveda", da Websérie "A História da Saúde: onde a ciência, a cultura e a arte se encontram e a Medicina Chinesa", com Áureo Lustosa.

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Sessão "Fofocas do Dia"

Warren Buffett entra para grupo de pessoas com mais de US$ 100 bilhões

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São Paulo adota novas restrições em comércios e serviços na fase emergencial

Medidas entram em vigor no dia 15 e serão mantidas até o dia 30; algumas atividades essenciais também passam a ter regras mais rígidas.

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Justiça autoriza que associação de juízes importe vacinas e vacine membros

Associação Nacional de Magistrados Estaduais conseguiu a autorização da Justiça para importar vacinas contra o coronavírus e vacinar seus afiliados e familiares. 

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Covid-19: Países europeus suspendem o uso da vacina Oxford-AstraZeneca após relatos de coágulos sanguíneos

Agência Europeia de Medicamentos reafirma segurança do imunizante. Espanha e França anunciam que seguirão aplicando a vacina, e instituto alemão avalia o caso.

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Orientação de práticas recomendadas da NCCN:
Manejo da infecção por COVID-19 em pacientes com câncer

Leia, na íntegra, aqui. 

No Clubhouse foi discutido como a Covid-19 afetou os pacientes com câncer, ressaltando, inclusive, casos que progrediram muito rápido devido a demora no diagnóstico, bem como o não acompanhamento, em alguns casos, desses pacientes, devido à pandemia, mesmo assegurados, por lei, o direito do acompanhante (que pode ser um dos veículos de disseminação do vírus na enfermaria), o que corrobora a uma possível piora de cuidados. 

Também foi questionado por Paulo Magnus se pacientes oncológicos sob imunoterapia são menos suscetíveis ao contágio da COVID-19. Marina e Felipe pontuaram que pelo fato da terapia imunológica por mecanismos inibidores de tirosina quinase, que diminuem os níveis de interferons, podem fazer com que o paciente abra um processo inflamatório mais brando, mas tem risco aumentado para as infecções severas e uma probabilidades maiores de necessitar de ventilação mecânica, de internação em UTI e de morte comparados com pacientes sem câncer.  Estes pacientes são mais suscetíveis para as complicações graves da COVID-19 devido à imunossupressão causada pelo próprio câncer ou seu tratamento.

 

Doenças fabricadas ou induzidas e Síndrome de Munchausen por procuração

Leia, na íntegra, aqui, o guia do RCPCH publicado em março de 2021, fornece conselhos de melhores práticas para pediatras no tratamento médico nesses para obter melhores resultados para crianças.

O psiquiatra Thiago Rodrigues definiu a Síndrome de Munchausen por procuração como uma forma de abuso infantil, em que um dos pais, geralmente a mãe, simula sinais e sintomas na criança, o que envolve o exagero ou a fabricação de doenças pelo cuidador, com a intenção de chamar atenção pra si e obter ganhos secundários.

Pontuou que a internet pode ser um veículo que propicie essa patologia, como, por exemplo, ao criar campanhas de doações on-line em nome da criança, simulando, fabricando ou induzindo a sintomatologia e o cenário patológico. 

Chamou atenção para alguns sinais de alerta para identificação desses casos, que muitas vezes é bastante difícil, como, por exemplo, quando tem-se achados físicos ou laboratoriais altamente incomuns, que não correspondem ao histórico médico da criança ou são fisicamente ou clinicamente impossíveis, crianças que tem vários problemas de saúde que não respondem ao tratamento ou que seguem um curso persistente e intrigante e histórias desconcertantes.

Felipe relatou o caso de uma mãe que induzia infecção urinária em seu filho internado, a fim de postergar sua alta, e que ao investigar, percebeu-se que ela sofria maus tratos, e como forma de buscar segurança e absenteísmo no trabalho (por estar acompanhando o filho menor de idade), induzia a criança a continuar internada, ou seja, uma psicose gerada sob um contexto ambiental de más condições.

Reconhecer a Síndrome de Munchausen por procuração como uma doença que tem potencial para tratamento é uma maneira de dar esperança às famílias nessas raras situações. O manejo desses casos deve ser feito por uma equipe multidisciplinar, envolvendo pediatras, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, psiquiatras e advogados.

 

Medicina baseada em valor: custos e resultados

Após Paulo enaltecer a importância da Atenção Primária, dos profissionais que são capazes de detectar, rastrear e acompanhar as vidas, Fernando chamou atenção para a coordenação do autocuidado sem o abismo de informações médico-paciente, haja vista que os saberes do paciente durante seu processo de adoecimento é de suma importância para traçar um plano terapêutico. 

Com isso, surgiu-se a pauta de medicina baseada em valor, um modelo que vincula custos e resultados e inclui uma análise objetiva de custo-benefício.  Basicamente, o modelo considera a qualidade do serviço prestado ao paciente e o resultado de melhora de saúde obtido, bem como a satisfação do público atendido pelo sistema.

Além disso, o conceito se baseia em uma visão de longo prazo. Como o foco não está na cura de doenças, e sim na melhora da saúde, é preciso elaborar ações preventivas e contínuas, com o objetivo de proporcionar uma vida mais saudável para o paciente. O foco é a relevância entregue aos pacientes, em vez do modelo tradicional voltado para o volume de serviços.

Marileia, Fernando, Paulo e Felipe pontuaram a desvalorização dos médicos generalistas como catalizadores do cuidar da saúde, apontando para uma necessária revalorização da mão de obra na linha de frente da Atenção Primária.

Ainda, para que o sistema funcione é fundamental promover os estímulos certos. Essencialmente, eles podem ser obtidos com uma remuneração que considere os índices de saúde das vidas cobertas pelo sistema, independentemente da quantidade de procedimentos necessários para alcançá-los.

Como resultado, o foco passa a ser o cuidado com a saúde e não a cura de uma doença, por exemplo, se ocorre aumento da taxa de fumantes em um determinado grupo, o médico procurará diminuí-la de alguma forma para evitar os seus efeitos, ou seja, as ações preventivas assumem um maior grau de importância, pois são definitivas para atingir as metas estabelecidas como valor.

Alexander exaltou os bons resultados dos cuidados prestados pelo médico de família em parceria com enfermeiras e agentes de saúde, que monitoram e fazem com que o bom prognóstico seja constante, em comparação a um cuidado apenas ambulatorial e especializado. Com isso, considera a Atenção Básica como a porta de entrada mais fácil, menos custosa e mais eficiente.

Porém, empecilhos são postos, como a narrativa dos interesses terciários e lobby dos planos de saúde, pois como dito por Felipe e Marileia, as compradoras de saúde, muitas vezes, tem resistência na cobertura necessária para investir em rastreamento e exames diagnósticos específicos, que poderiam poupar custos terciários. Ana Carolina Carvalho pontuou que a união com companheiros de especialidade poderia ser uma saída para manejo nestas situações.

 

Outras pautas que foram previamente separadas para hoje, mas que não foram debatidas, ou seja, ficarão para os próximos Troca de Plantão:

Prevalência de perda auditiva e anos vividos com deficiência, 1990–2019: descobertas do Global Burden of Disease Study 2019

Leia, na íntegra, aqui. 

Manifestações clínicas, fatores de risco e resultados maternos e perinatais da doença coronavírus em 2019 na gravidez: revisão sistemática e meta-análise viva

Leia, na íntegra, aqui.

COVID-19 e doença hepática: perspectivas mecanísticas e clínicas

Leia, na íntegra, aqui. 

Tendências globais, regionais e nacionais de mortalidade em jovens de 15 a 24 anos entre 1990 e 2019: uma análise sistemática

Leia, na íntegra, aqui. 

Câncer de pulmão: recomendações de triagem

Leia, na íntegra, aqui. 

O Papel da Farmacogenômica na Terapia Cardiovascular Contemporânea: Uma declaração de posição do Grupo de Trabalho da Sociedade Europeia de Cardiologia sobre Farmacoterapia Cardiovascular

Leia, na íntegra, aqui. 

Associação de prescrição de ibuprofeno com lesão renal aguda entre crianças hospitalizadas na China

Leia, na íntegra, aqui. 

Combinação Sequencial de Farmacoterapia e Psicoterapia no Transtorno Depressivo Maior

Leia, na íntegra, aqui. 

Associação de colocação precoce e tardia de traqueostomia com pneumonia e dias de ventilação em pacientes criticamente enfermos

Leia, na íntegra, aqui.

Recomendações provisórias do CDC para pessoas totalmente vacinadas

Leia, na íntegra, aqui. 

Manejo de adultos hospitalizados com doença coronavírus-19 (COVID-19): Uma diretriz de vida da European Respiratory Society

Leia, na íntegra, aqui. 

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