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50 Anos da Faculdade de Meidicina da UEL
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50 Anos da Faculdade de Meidicina da UEL

Foi em 15 de fevereiro de 1967

Por Dr Denis Rogério Aranha da Silva

A gloriosa [UEL] faz 50 anos essa semana, e é preciso falar sobre ela. Sob a coordenação do Dr. Ascencio Garcia Lopes nasceu o curso de Medicina da Universidade Estadual de Londrina. Este que escreve somente ingressou em 1993, mas são muitas e impressionantes histórias que ouvi nos 10 anos que estudei em Londrina, que vale a pena contar.

A cidade de Londrina na época já era pujante, tanto por sua cultura, quanto pela coragem e pioneirismo dos médicos que lá trabalhavam. Com a criação do curso de Medicina, essa pujança foi tremendamente aumentada com a “importação” na época, de grandes médicos que seriam os idealizadores da Medicina da UEL. Os nomes e os feitos foram muitos, e começo com a minha casa, a Nefrologia:

Dr. Altair Jacob Mocelin iniciou em 1969, ele foi o primeiro residente de nefrologia de Curitiba. Após 2 anos em Londrina, ele foi para a Harvard Medical School, fez um fellow em Nefrologia e em 1973, já de volta, coordenou, num domingo de chuva, à tarde, o primeiro transplante renal do interior do Brasil, no HU de Londrina. A ele somaram-se Dr. Anuar Michel Matni e Dr. Pedro Gordan. E desse grupo nasceram equipes de transplante renal de Goiânia, Vitória, São José do Rio Preto, Santa Casa de Curitiba. Com eles veio a experiência para a construção do maior serviço de transplante renal do mundo, o Hospital do Rim e Hipertensão da UNIFESP, pois seu coordenador, Dr. José Osmar Medina Pestana, fez estágio em Londrina.

A Urologia veio quase ao mesmo tempo, inicialmente com Dr. Lauro Brandina, trazido pelo dr. Mocelin, que foi o cirurgião do primeiro transplante, e depois Dr. Bergonse, Dr. Antonio Arnulf Fraga e Dr. Marco Aurélio Rodrigues. Essa equipe já treinou dezenas de especialistas, e já realizou mais de mil procedimentos de transplante renal.

Uma importante agulha para cirurgia de próstata foi desenvolvida por Urologistas da UEL, uma prótese de anel metálico para cirurgia cardíaca também nasceu da UEL. De lá foi descrita uma nova forma de doença neurológica hereditária.

Foram muitos os nomes de professores que treinaram centenas de médicos nesses 50 anos. Há egressos da Medicina da UEL em funções de liderança acadêmica, assistencial e política por todo o Brasil.

O prefeito de Londrina é médico pela UEL, e esse é o segundo caso. O presidente da Unimed Federação do Paraná também é originário da UEL, assim como o futuro presidente da Unimed Brasil. Há médicos da UEL em posições de destaque em muitos serviços de saúde do Paraná. Há egresso da UEL como professor da USP, na UNIFESP, da UFPR. Um colega de minha turma é pesquisador de Neurociências no Japão, há colega radiologista na Universidade de Yale, em serviço de transplante de Medula Óssea na Flórida, há colega cirurgião plástico em Miami. Há egresso da UEL, que mora em Campinas, que dá curso sobre dor também em Miami.

Mas, o que, afinal, faz da Medicina da UEL um curso que forma médicos com tamanho perfil de liderança?

A resposta acredito que seja a exigência de responsabilidade de seus alunos nos cuidados com os pacientes. Na UEL o aluno é responsável pelo primeiro atendimento aos pacientes, de todos eles, em todos as enfermarias, ambulatórios, e pronto-atendimentos. Não dá pra fazer Medicina na UEL e não aprender a lidar com o paciente, não se fica “observando” “acompanhando” ou “olhando”.

Nada disso: desde cedo a rotina é aprender anamnese, exame físico, fazer prescrição médica, depois o residente supervisiona e o caso depois vai para o professor. Se tem muito paciente, problema do aluno, que chegue 6 horas da manhã, não importando se fez plantão no pronto-socorro. No internato médico dos últimos dois anos, há pouco tempo pra almoço, quando há. Em noite de transplante, vira-se dia, noite e depois dia de trabalho.

A experiência adquirida é enorme: instrumentação de cirurgias, de cesáreas, parto normal, sutura, catéteres, reanimação cardíaca, intubação, drenagem de tórax, inúmeras consultas em todas as especialidades, cuidados com recém-natos, idosos, tuberculosos, oncológicos, traumatizados.

A teoria do quatro anos iniciais também continua a ser medida e ensinada nos dois anos finais de curso. São diversos seminários, reuniões Anatomo-Clínicas, jounal club, temas, projetos de pesquisa.

Tamanha carga de disciplina, responsabilidade, estudo e trabalho é a massa que constrói o médico da UEL. Dela nascem profissionais imbuídos de espírito humano, com experiência em cuidar de doentes desde cedo, disciplinados para o trabalho, que valorizam sua relação com seu paciente, que aprendem com a evolução da tecnologia. E pessoas assim trilham caminhos de liderança, qualquer que seja seu campo de atuação, seu hospital, sua universidade, sua clínica ou empresa.

Parabéns a todos no dia 15 de fevereiro de 2017.

Denis Rogério Aranaha da Silva

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