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Adiar medidas de intervenção permite progresso da adaptação de patógenos aos humanos

Adiar medidas de intervenção permite progresso da adaptação de patógenos aos humanos
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set. 23 - 4 min de leitura
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Patógenos zoonóticos que possuem alto índice reprodutivo, como o vírus da varíola dos macacos (Monkepox), possuem maior probabilidade de evolução durante o período em que o número de casos permanece baixo. Por isso, esperar até que o número de casos seja alto daria ao vírus da varíola dos macacos – ou a qualquer patógeno emergente – a oportunidade de se adaptar substancialmente aos humanos. Essa foi a conclusão de pesquisadores, em um artigo publicado pelo The Lancet.

Devido ao crescimento populacional, à degradação ecológica e às mudanças climáticas, houve um aumento na frequência de contato entre humanos e outros animais, selvagens e domésticos. As consequências desse contato prolongado incluem maiores oportunidades para os patógenos cruzarem as barreiras das espécies.

Casos recentes de alto perfil reprodutivo incluem vírus Ebola (de morcegos), coronavírus MERS (morcegos ou camelos), SARS-CoV-1 e SARS-CoV-2 e varíola dos macacos (roedores). Os pesquisadores explicam que, depois que uma zoonose se espalha para os humanos, a evolução subsequente do vírus resulta em maior transmissão, dificultando o controle e causando mudanças imprevisíveis na gravidade da doença, como visto em diferentes variantes da pandemia de SARS-CoV-2 em andamento.

O fato de infecções atuais por varíola dos macacos terem sido encontradas geograficamente e mutacionalmente distantes da provável origem na Nigéria corroboram com a adaptação do patógeno para maior transmissão entre seres humanos.

Os autores ressaltam que coletar dados sobre a evolução de patógenos emergentes é um desafio, pois é mais difícil detectar um pequeno surto em estágio inicial do que um surto maior em estágio posterior. Entretanto, se recursos substanciais de saúde pública forem implantados apenas para patógenos que alcançaram alta visibilidade infectando um grande número de pessoas (ou seja, um número limite de infecções) haverá perda de uma janela de oportunidade crucial para controlar patógenos emergentes de baixo índice reprodutivo.

Por décadas, a varíola dos macacos é bem conhecida como uma infecção emergente com um índice reprodutivo baixo. Agora, seu índice reprodutivo é provavelmente maior, o que pode ser o resultado da evolução dentro da população do reservatório animal ou dentro dos humanos. Independentemente do índice reprodutivo da varíola dos macacos nesse momento, é necessário agir o quanto antes e destinar recursos para o controle de surtos antes que eles cresçam e tenham tempo para evoluir ainda mais.

Para o surto atual do vírus da varíola dos macacos, o uso rápido da vacinação em anel - onde os casos-índice, os contatos rastreados (do caso-índice) e os contatos desses contatos são todos vacinados com a vacina MVA-BN licenciada (conhecida como imvanex) - poderia ajudar a garantir que esta epidemia não fique fora de controle. Vale enfatizar que essa estratégia de vacinação levou à erradicação da varíola e pode ser bastante eficaz na fase ainda inicial do surto.

Por fim, a equipe espera que sua pesquisa encoraje os formuladores de políticas a evitar a complacência e a procrastinação ao lidar com vírus aparentemente "controláveis". Se implementadas de forma rápida e consistente ao longo do ciclo de vida de uma epidemia, medidas de controle como rastreamento de contatos ou vacinação podem dar às autoridades de saúde pública a melhor chance de erradicar completamente o surto antes que ocorra uma evolução significativa.

Referência

Philip L F Johnson et al, Evolutionary consequences of delaying intervention for monkeypox, The Lancet (2022). DOI: 10.1016/S0140-6736(22)01789-5

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