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Brinquedotecas Hospitalares: uma proposta de empatia e humanização

Brinquedotecas Hospitalares: uma proposta de empatia e  humanização

Este relato tem como objetivo dar continuidade a abordagem sobre o assunto da criação e implantação das Brinquedotecas Hospitalares. Destaca a importância do brincar e do brinquedo no período do pré-atendimento do adoecimento e hospitalização de uma criança para auxiliar a amenizar sua dor visando um atendimento mais humanizado para sua melhora e bem-estar. Fortalecer também, uma ação de conscientização dos profissionais de saúde para implantação de brinquedotecas hospitalares onde ainda essa proposta não tenha sido implantada e seus benefícios.

"Os objetivos da brinquedoteca em hospitais: auxiliar na recuperação das crianças doentes; amenizar os traumas psicológicos da internação por meio de atividades lúdicas”.
(KISHIMOTO; FRIEDMANN, 1998, p.59)

Uma vez que as crianças, por meio do brincar, e com o contato com o brinquedo conseguem ir além de seu imaginário, expressar sentimento em relação aos seus medos e fantasias, favorece um ambiente  que possibilita aos profissionais da saúde uma melhor observação de seus comportamentos e atitudes. Estas são estratégias de ação que podem colaborar com os profissionais da saúde em suas condutas para determinados procedimentos a serem realizados para que sejam menos dolorosos e invasivos.

Proposta que enfatiza também, a importância do brincar como estratégia lúdica e terapêutica de conquistas no processo de inter-relação do profissional de saúde com a criança e suas famílias.  Podendo ser beneficiados os profissionais de saúde nos aspectos psicológicos e emocionais para si, pois sabemos que a cada procedimento, se o mesmo for bem sucedido e aliviar o sofrimento de uma criança. Estes profissionais reconheceram a importância do seu trabalho desenvolvido.

 

Histórico das brinquedotecas hospitalares

Por volta de 1934, na cidade de Los Angeles, nos Estados Unidos, o dono de uma loja de brinquedos queixou-se ao diretor da Escola Municipal de que as crianças estavam roubando brinquedos. O diretor chegou à conclusão de que isto estava acontecendo porque as crianças não tinham com que brincar. O empresário iniciou então um serviço de empréstimo de brinquedos com recursos comunitários, chamado Los Angeles Toy Loan, existindo até hoje.

Em 1956, no Hospital Universitário de Umeo, na Suécia, educadora Ivonny Lindquist começou a desenvolver atividades com brinquedos para as crianças internadas na Enfermaria Pediátrica.

Em 1963, também na Suécia, em Estocolmo, duas professoras, mães de filhos especiais, criaram a primeira Lekotek (Ludoteca, em sueco). O objetivo era emprestar brinquedos para famílias de crianças especiais e orientá-los de como utilizar os recursos terapêuticos dos brinquedos. Esta ideia chegou à Inglaterra em 1967, surgindo as Toy Libraries (bibliotecas de brinquedos), à Itália em 1990 e, a partir daí, para mais de 37 países no mundo inteiro, como África do Sul, Argentina , Austrália, Bélgica, Canadá , China, Finlândia, França, Grã Bretanha, Japão, Noruega, Portugal, Irlanda, Suiça. 

No Brasil, a primeira Brinquedoteca foi implantada na APAE, na cidade de São Paulo, em 1982, pelo trabalho pioneiro da pedagoga Nylse Helena Silva Cunha, diferenciando-se das demais Brinquedotecas do mundo devido seu caráter mais dinâmico porque não estava voltado para o empréstimo e orientação do uso dos brinquedos, mas fundamentava-se no brincar propriamente dito, num espaço semi-estruturado, visando ao desenvolvimento global da criança.

Em 1984, foi fundada a ABBRI – Associação Brasileira de Brinquedotecas pela pioneira Nylse Helena Silva Cunha em São Paulo, mas com projeção nacional através de cursos, congressos, eventos e consultorias; além ser filiada a Associação Internacional de Brinquedotecas (ITLA).

Foto: Hospital das clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Alunas do curso de graduação em Enfermagem em atividades recreativas às crianças internadas. (Acervo Centro Histórico e Cultural da Enfermagem Ibero-América- Data ignorada)-fonte: Mesa Redonda: O brinquedo e a assistência de enfermagem à criança. Revista Enfermagem Atual, 2002)

 

Assim, destacamos a importância das formações e informações sobre a implantação das brinquedotecas hospitalares para ampliar o nível de conhecimento dos profissionais da saúde em relação às brinquedotecas, para compreender a brinquedoteca como uma perspectiva a favor do tratamento de saúde para todos e em todos os lugares.

Espera-se que após essas informações ocorra a conscientização dos gestores de hospitais e profissionais de saúde quanto à importância da brinquedoteca no auxílio ao tratamento das crianças hospitalizadas, principalmente na atual realidade que enfrentamos período de pandemia (COVID-19). Período que exige um repensar de atitudes e ações mais humanizadas para o enfrentamento de novas situações, e também ações para preservar assim, a saúde emocional do profissional de saúde, fortalecer sua autoconfiança e auxiliar a superar a adversidade pela qual estarão passando juntos nos atendimentos e relacionamentos entre profissionais da saúde e pacientes.

Querem saber mais sobre Brinquedotecas Hospitalares, conheça o site da Associação Brasileira de Brinquedotecas.

 

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Academia Médica
Maria de Lourdes  de Moraes Pezzuol
Maria de Lourdes de Moraes Pezzuol Seguir

É professora do AEE para alunos com autismo na rede pública de S.P, licenciada em Educação Física, mestrado em Educação, especialista em autismo, neuropsicopedagogia, psicomotricidade, ABA e brinquedista pela ABBri e gestora de uma Ecobrinquedoteca

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