Como Stanford pode nos ajudar com a semiologia médica?
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Como Stanford pode nos ajudar com a semiologia médica?

Como Stanford pode nos ajudar com a semiologia médica?

Uma das máximas que temos nas escolas médicas mundo afora é que a arte da medicina só se aprende a beira do leito. Devido aos poucos leitos por aluno, falta de preceptores treinados em ensinar, falta de hospitais-escola e aumento do número de vagas nas faculdades de medicina, a medicina a beira do leito corre o risco de ser rechaçada para a periferia na formação médica. Como diria o mestre da consciência da abstração:

"O mapa não é a teoria" - Alfred Korzybski

Nesta linha a faculdade de medicina da Universidade de Stanford criou há alguns anos um programa chamado Stanford 25. Em seu website eles trazem alguns professores explicando os 25 exames topográficos mais importantes na prática médica. Ao trazer estes vídeos eles desejam que o aluno leve a teoria à prática, fazendo com fidedignidade os exames físicos a beira do leito.  O programa Stanford 25 é um hands-on entre um pequeno grupo de alunos. Os vídeos são apenas uma lembrança a alunos e residentes que desejam visualizar melhor a técnica que devem aplicar diariamente.

Por que eles fizeram o Stanford Medicine 25?

  • Eles reconhecem que depois do treinamento do diagnóstico físico, há pouca ênfase nas técnicas classicamente reconhecidas nos anos seguintes do curso ou da residência médica em medicina interna.
  • Na ausência de um bom exame final de clínica à beira do leito, há pouco ímpeto das pessoas em aprender e especializar-se nas técnicas à beira do leito. A verdade é que mesmo que você seja médico especialista, ninguém consegue garantir que a sua técnica permite inferir que tal reflexo aquileu está realmente ausente ( você irá se surpreender com a quantidade de reflexos que se tornam presentes com a técnica correta de exame). Se isso importa? Importa para a Stanford.
  • Eles encontraram uma verdadeira fome entre seus residentes e acadêmicos para especializarem-se no exame físico.
  • Muitas doenças, especialmente as dermatológicas, são diagnosticadas neste exame à beira do leito. Mesmo que a tomografia e a ressonância revelem muito para você, apenas seu exame pode mostrar as consequências na motricidade , na sensibilidade ou deficit cognitivo.
  • Para os fãs da medicina baseada em evidência, Stanford alerta que não estão tentando provar nada, mas estão se certificando que quando alguém escreve no prontuário "reflexos intactos" ou "nervos cranianos intactos", ou BCRNFSS que esta não é uma ficção e sim uma forma de representar uma observação acurada.

Selecionamos alguns do Stanford 25 que achamos os mais deficitários na formação, confira-os a seguir.

The Stanford Medicine 25

 

Como a Stanford ensina exames físicos a seus alunos:

Neste vídeo de 5 minutos, o Dr. Abraham Verghese demonstra os métodos que a Stanford utiliza para ensinar seus alunos a performance em exames físicos. Sou um fã do trabalho do Dr. Verguese, pois ele é reconhecido mundialmente como professor de semiologia. Falou ao TED sobre erros médicos e, por isso já foi pauta aqui no Academia Médica.

O exame cerebelar, dos pés à cabeça:

O cerebelo coordena a regulação inconsciente do equilíbrio, tônus muscular e coordenação dos movimentos voluntários. Assim, os sinais que sugerem a doença cerebela ocorrem com diferentes aspectos do corpo.

Fundoscopia ótica

A retina é o única porção do sistema nervoso central visível do exterior. Assim como o fundo do olho é a única localização que a vascularização do SNC pode ser visualizada. Muito do que podemos encontrar na medicina interna é relacionado a vasculatura, assim enxergar o fundo óptico é uma boa maneira de entender a complexidade da vasculatura do indivíduo. O exame de fundoscopia pode demonstrar processos patológicos, de outra maneira invisíveis. Os exemplos são muitos. Através da fundoscopia você pode reconhecer uma endocardite, candidemia disseminada, CMV e HIV, e estadiar tanto a diabetes como a hipertensão arterial.

Para aprender mais com os ensinamentos da faculdade de medicina da Stanford clique aqui e conheça por completo o programa Stanford Medicine 25. Gostariamos de saber sua opinião sobre esta forma de ensinar a Semiologia Médica. Deixe seu comentário logo a seguir.

Fernando Carbonieri
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Inovação é sua forma de exercer a medicina. Em 2012 criou a Academia Médica, comunidade dedicada a "FALAR O QUE A FACULDADE ESQUECEU DE NOS CONTAR". Membro Comissão do Médico Jovem do CFM, Palestrante, Hacking Health Curitiba e Brasil

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