"A repetição é a mãe da aprendizagem." — Provérbio Latino
Habilidades de reanimação deterioram-se rapidamente sem prática ou treino. Embora enfermeiros de emergência lidem com casos críticos diariamente, a técnica correta de RCP exige precisão. O estudo de Damprane et al. (2026) lança luz sobre a frequência de treinamentos e seu reflexo na competência da equipe.
A Validade do Conhecimento
Diretrizes internacionais recomendam reciclagem a cada 2 anos, mas estudos sugerem que a qualidade das compressões cai meses após o curso. Em Gana, a pandemia de COVID-19 exacerbou a falta de treinamentos, criando um passivo educacional.
Análise de Fatores (2026)
Embora a análise bivariada tenha mostrado que o treinamento prévio melhorava o conhecimento, a análise multivariada destacou que a experiência prática diária e a idade foram fatores protetores do conhecimento.
Diploma vs. Graduação: Enfermeiros com nível superior (Degree) tendem a pontuar melhor que os de nível técnico/diploma, sugerindo que a base acadêmica sustenta a prática por mais tempo.
Institucionalizar a Reciclagem
Não se pode depender apenas da experiência empírica. O estudo sugere que hospitais terciários devem implementar programas obrigatórios de Life Support internos, especialmente para enfermeiros mais jovens ou com menor nível acadêmico, para garantir a homogeneidade do atendimento.
Os achados reforçam que o conhecimento teórico, embora fundamental, não garante a execução impecável da RCP sob pressão. A discrepância observada entre enfermeiros de diferentes níveis de graduação aponta para a necessidade de currículos que integrem a simulação realística de forma contínua, e não apenas como um evento isolado. Se a experiência prática e a idade atuam como fatores protetores, é imperativo que profissionais mais veteranos atuem como mentores no ambiente de emergência, facilitando a transferência de competências críticas para os recém-formados.
Em última análise, a segurança do paciente em parada cardiorrespiratória depende da simbiose entre o rigor acadêmico e a prontidão motora. O estudo em Gana serve como um alerta global: em cenários pós-pandêmicos, onde o déficit educacional tornou-se evidente, a reestruturação dos treinamentos de suporte de vida não é apenas uma recomendação administrativa, mas um imperativo ético.
A implementação de ciclos de reciclagem mais curtos e focados na qualidade da compressão pode ser o diferencial entre o sucesso da reanimação e o desfecho desfavorável.
Texto escrito pela acadêmica Carolina C. Reis
Referências:
Damprane AO, Nyanor I, Sampah AK, et al. Knowledge and practice of adult cardiopulmonary resuscitation among nurses in the Emergency Department of a tertiary hospital in Ghana. Afr J Emerg Med. 2026;16:100947.

