Um estudo da The University of Texas MD Anderson Cancer Center, publicado em 30 de outubro no JAMA Oncology, revela que o conhecimento público sobre a relação entre consumo de álcool e risco de câncer permanece surpreendentemente baixo nos Estados Unidos. Mais da metade dos adultos (52,9%) não sabia que o álcool afeta o risco de desenvolver câncer. Apenas 37,1% reconheceram que beber aumenta o risco, enquanto 1% acreditou que o álcool reduz esse risco.
“É preocupante que as pessoas que bebem álcool sejam as mais propensas a acreditar que ele não afeta o risco de câncer”, afirmou o autor principal, Sanjay Shete, Ph.D., professor de Bioestatística e Epidemiologia e titular da Betty B. Marcus Chair in Cancer Prevention. Segundo ele, corrigir essas percepções pode ser essencial para reduzir a carga crescente de cânceres relacionados ao álcool, uma vez que crenças influenciam comportamentos de saúde.
O estudo analisou quase 7.000 adultos com 18 anos ou mais (idade média 48 anos) que participaram da Health Information National Trends Survey (HINTS) 2024. Entre o perfil dos respondentes 48,4% eram mulheres; 60,7% brancos; 17,5% hispânicos e 11% negros. Mais da metade relatou ter consumido álcool no último mês, enquanto 10% destes, tinham histórico pessoal de câncer. Para saber a percepção dos participantes, eles deveriam responder a seguinte pergunta: "Na sua opinião, como o consumo de álcool afeta o risco de ter câncer? Com as seguintes opções de respostas:
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“diminui o risco de câncer”;
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“não tem efeito no risco de câncer”;
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“aumenta o risco de câncer”;
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“não sei”.
Principais achados
Os resultados mostraram que 52,9% dos adultos não sabiam que o álcool afeta o risco de câncer. Somente 37,1% reconheceram o aumento de risco associado ao consumo de álcool e 1% acreditou que o álcool reduz o risco. Os indivíduos que beberam recentemente foram mais propensos a dizer que o álcool não influencia o risco de câncer. As pessoas que não acreditam que o câncer possa ser prevenido também tenderam a afirmar que o álcool não tem efeito sobre o risco. Entre os grupos com maior desconhecimento, estavam os fumantes atuais, indivíduos com menor escolaridade (abaixo de nível médio ou universitário) e aqueles que não acreditam na prevenção do câncer. Esses grupos foram mais propensos a responder "não sei" quando questionados sobre o papel do álcool no risco de câncer.
Por que isso importa
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Segundo a Organização Mundial da Saúde, o álcool está classificado no Grupo 1 (mesma categoria de tabaco, amianto e radiação).
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O consumo de álcool está associado a pelo menos sete tipos de câncer, incluindo mama, fígado e colorretal.
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O álcool responde por cerca de 5,5% de todos os novos casos de câncer e 5,8% de todas as mortes por câncer no mundo.
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Os autores sugerem que corrigir desinformação pode ajudar mais pessoas a seguirem orientações de consumo.
Implicações práticas
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Campanhas de comunicação devem priorizar bebedores atuais, fumantes, grupos com menor escolaridade e pessoas com descrença na prevenção, que mostraram maior desconhecimento.
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Reforçar que qualquer consumo de álcool tem relação com risco de câncer pode ajudar a corrigir a percepção de que “não há efeito”.
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Ampliar a consciência pública sobre a natureza carcinogênica do álcool pode apoiar a adesão às diretrizes e diminuir a carga de cânceres evitáveis.
Referência:
University of Texas M. D. Anderson Cancer Center. "Most Americans don’t know alcohol can cause cancer." ScienceDaily. ScienceDaily, 5 November 2025. <www.sciencedaily.com/releases/2025/11/251105050722.htm>.






