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Estudo mostra avanço no tratamento por estimulação cerebral profunda talâmica em pacientes vítimas de lesão cerebral traumática

Estudo mostra avanço no tratamento por estimulação cerebral profunda talâmica em pacientes vítimas de lesão cerebral traumática
Danielle Granja Serpa
mai. 8 - 5 min de leitura
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Dados epidemiológicos apontam que o Traumatismo Craniano Encefálico (TCE) é, comprovadamente, a patologia traumática responsável pelos maiores números de óbitos e de disfunções neurológicas adquiridas na população, especialmente, nos indivíduos incluídos na faixa etária ativa. É considerado, a nível mundial, como o principal determinante de mortalidade, morbidade e incapacidade dentre todas as lesões traumáticas. Pode-se afirmar que a qualidade de vida de vítimas de um TCE, é diretamente afetada, de forma extremamente negativa e, normalmente, duradoura. Grande parte dos pacientes que apresentam TCE moderado ou grave em fase crônica de recuperação, convivem com deficiências persistentes nas funções executiva, cognitiva (principalmente), comprometimento da memória de trabalho e da velocidade de processamento de informações.


Tal processo decorre da desfuncionalidade de neurônios do córtex frontal e estriatal, bem como um aglomerado de regiões pré-frontais mediais (interconectividade funcional).  Ademais, observa-se atrofia do tálamo esquerdo, a qual compromete a função executiva, visto que o núcleo lateral central do tálamo (CL) age como seu regulador através da formação de redes frontoestriatais. No TCE, ocorre a subativação do CL, resultando, desta forma, na regulação negativa das redes frontoestriatais.  Atualmente, as raras terapias disponíveis para o tratamento destas incapacidades, em especial, as relacionadas a atenção, não apresentam eficácia satisfatória na melhora dos sintomas.


Tendo em vista todos esses dados, pesquisadores da Universidade de Stanford, Weill Cornell, e Universidade de Utah, desenvolveram um estudo de viabilidade randomizado, publicado pela Revista “Nature” em dezembro de 2023, no qual objetivou-se testar a segurança e a eficácia da estimulação cerebral profunda em áreas específicas do sistema nervoso, em pacientes que atendiam critérios de elegibilidade precisos, dentre os quais citam-se: indivíduos com história de TCE moderado a grave, com pontuação intervalada entre 3 e 12 na Escala de Coma de Glasgow, acompanhado de comprometimento neuropsicológico prolongado, e diminuição da capacidade funcional. Quatro homens e duas mulheres foram elegíveis e recrutados para o estudo, sendo que um participante foi retirado do estudo por descumprimento do protocolo proposto.


A implantação de um estimulador cerebral profundo (DBS), foi o método utilizado como estratégia terapêutica pelos pesquisadores, sendo esta guiada por modelos biofísicos orientadores dos eletrodos, os quais estimam a ativação das fibras de projeção, bem como a adoção de novos protocolos de imagem e segmentação talâmica, permitindo-se a obtenção da localização precisa do núcleo lateral central talâmico e do trato tegmental dorsal medial. 


Todas essas tecnologias inovadoras, aplicadas em um planejamento cirúrgico detalhado e personalizado, permitiram que este estudo se sobressaísse aos anteriores, visto que testes como o Trail Making Test A (TMTA) e B (TMTB) foram implementados na avaliação dos resultados da pesquisa.  A parte A corresponde a um teste de busca visual e de capacidade de velocidade motora do paciente, enquanto a parte B analisa a desenvoltura cognitiva de nível superior, tal como a flexibilidade mental individual. Da mesma forma, avaliou-se a qualidade de instrumentos de avaliação de vida (TBIQoL), objetivando-se a análise da atenção e de funções executivas individuais.


O uso do DBS apresentou melhora geral da condição neurológica dos cinco pacientes, alicerçada nos resultados obtidos nos testes supracitados após três meses da realização do procedimento. Importante mencionar que o estudo contém algumas limitações significativas: o número de participantes  foi pequeno, amostra diminuta para avaliar variações nos resultados (posição de eletrodos, por exemplo), os quais podem impactar diretamente na eficácia do método terapêutico. Nada obstante, o TMTB demonstrou melhoria média de 31,75%, sendo que pacientes com maiores déficits no início do estudo, se beneficiaram em mais de 40% pós-procedimento, e os participantes que se apresentavam dentro da faixa de normalidade, obtiveram progresso de 20%. Já no TMTA, a melhora média da população estudada foi 30,7% após submeterem-se a implantação do DBS.  Ademais, observou-se resultados satisfatórios nos testes complementares de TBIQoL - função executiva e TBIQoL - função atenção: melhora de 32,7% e 79,5%, respectivamente. O controle executivo atrelado a velocidade de processamento na parte B do método avaliativo, foi o principal desfecho positivo do estudo, apesar de diversos outros benefícios terem sido alcançados através da terapia.


Acerca dos tópicos acima analisados, devido a necessidade de restituição da qualidade de vida, do convívio social, e auto-realização de um grande número de indivíduos vítimas de TCE, a identificação da segurança da implantação amplificada do DBS para uso terapêutico nessa população firma-se como um importante passo em direção a recuperação satisfatória do bem-estar dessa, de forma que esta se desenvolva de forma acelerada, segura e eficaz, diminuindo o intervalo ou até mesmo promovendo efetivamente o regresso deste paciente à sua comunidade.


Referências Bibliográficas

1. Schiff, N.D., Giacino, J.T., Butson, C.R. et al. Thalamic deep brain stimulation in traumatic brain injury: a phase 1, randomized feasibility study. Nat Med 29, 3162–3174 (2023). https://doi.org/10.1038/s41591-023-02638-4

 





Danielle Granja Serpa

Estudante de Medicina, Universidade Nove de Julho

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