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Exposição ao chumbo causa modificações no genoma mesmo em baixas concentrações

Exposição ao chumbo causa modificações no genoma mesmo em baixas concentrações

Um estudo feito entre pesquisadores brasileiros e portugueses publicado no periódico Frontiers in Genetics sugere que a exposição ao chumbo, mesmo em concentrações consideradas seguras, pode gerar modificações no genoma. Os autores do estudo utilizaram amostras de 85 trabalhadores do sexo masculino de uma fábrica de baterias automotivas do estado do Paraná para avaliar o impacto da exposição ao Chumbo na expressão do miR-148a (um micro RNA) e sua associação com a metilação do DNA em indivíduos expostos ao metal. Segundo os autores, os microRNAs são pequenas moléculas de RNA que não contêm informações para a síntese de proteínas, mas que são capazes de se ligar a genes codificadores e modular sua expressão.

A metilação do DNA é uma modificação que ocorre quando a molécula recebe a adição de um radical metil (CH3) - geralmente na região promotora do gene em questão -, não configurando uma mutação genética, mas sim uma alteração epigenética, uma vez que a metilação é uma das formas pelas quais pode-se mudar no padrão de expressão dos genes. Quando ocorre a metilação destas regiões, a síntese de proteínas pode ser afetada. Há evidências, segundo os autores, de que a exposição ao chumbo é capaz de inibir uma enzima chamada DMNT1, responsável justamente pelo controle da metilação do DNA. Nas amostras analisadas, os pesquisadores encontraram em abundância o microRNA miR-148a, que tem como alvo justamente o gene da DMNT1. Sem esta enzima o controle da metilação do DNA fica alterado.

A utilização do miR-148a como um biomarcador associado a distúrbios epigenéticos induzidos pela exposição ao chumbo está ligada ao fato de que estas modificações na expressão gênica podem preceder distúrbios celulares, como estresse oxidativo e morte celular. Mesmo que as baixas doses de chumbo não estejam diretamente relacionadas com problemas de saúde, o fato de causarem alterações no DNA devem acender um alerta. No país, quando a concentração sérica de chumbo ultrapassa os 60 µg/dl, o Sistema Único de Saúde (SUS) e a Previdência Social precisam ser notificados. No entanto, os pesquisadores reiteram que, mesmo quando concentrações menores são encontradas, deve-se adotar políticas para minimizar ainda mais a exposição do corpo a este metal.

Agora os pesquisadores buscarão coletar novas amostras da mesma população ao longo dos anos. O intuito deste novo braço da pesquisa será avaliar os efeitos da exposição ao chumbo ao longo do tempo e se há possibilidade de adaptação do organismo.

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Referências:

de Araújo ML, Gomes BC, Devóz PP, Duarte NAA, Ribeiro DL, de Araújo AL, Batista BL, Antunes LMG, Barbosa F Jr, Rodrigues AS, Rueff J, Barcelos GRM. Association Between miR-148a and DNA Methylation Profile in Individuals Exposed to Lead (Pb). Front Genet. 2021 Feb 17;12:620744. doi: 10.3389/fgene.2021.620744. PMID: 33679885; PMCID: PMC7928366.

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