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Neurocovid: Frequência das manifestações neurológicas na COVID-19

Neurocovid: Frequência das manifestações neurológicas na COVID-19

A COVID-19 tem se caracterizado cada vez mais como uma doença sistêmica que acomete diversos órgãos, causando danos e sequelas. Com o avanço do conhecimento sobre essa nova doença podemos caracterizar as suas manifestações extrapulmonares. Sabemos atualmente que o Sars-Cov-2 invade o tecido cerebral causando danos, muitos pesquisadores já até cunharam um termo para isso: a NeuroCovid. Mas afinal, quais são as principais manifestações neurológicas causadas pela COVID-19?

Para responder essa pergunta um time de pesquisadores da Índia e da OMS elaborou uma revisão sistemática com meta-análise em estudos que incluíam pacientes com manifestações neurológicas. Ao todo foram adicionados 350 estudos que somavam mais de 145 mil pacientes dos quais 89% foram hospitalizados.

O que eles encontraram?

No total, 41 manifestações neurológicas foram caracterizadas, sendo 24 sintomas e 17 diagnósticos. Destes, os sintomas mais comuns foram

  1. Fadiga: 32%

  2. Mialgia: 20%

  3. Alterações gustativas: 21 %

  4. Anosmia: 19%

  5. Cefaleia: 13% 

Em pacientes com mais de 60 anos houve uma prevalência de 34% de confusão e delírio, e a presença de quaisquer manifestações neurológicas nesse grupo foi associada com maior mortalidade. Na figura abaixo estão listadas as principais alterações encontradas no estudo.

Os principais diagnósticos foram:

  1. Distúrbios neuropsiquiátricos

  2. Acidentes Vasculares encefálicos

  3. Encefalopatias

  4. Miopatias

  5. Distúrbios do movimento

E qual o impacto destes dados?

As estimativas de prevalência relatadas nesta revisãoo podem ser usadas para projetar e / ou validar checklists para detectar manifestações neurológicas que, de outra forma, podem ser perdidas. Além disso, as manifestações neurológicas podem ser incluídas na estratificação de risco, especialmente para idosos com COVID-19, dada a associação com maior mortalidade para qualquer manifestação neurológica nesta subpopulação. Por fim, de posse destes dados epidemiológicos os gestores podem elaborar planos e políticas públicas para melhor manejo e diagnóstico dessas manifestações.

 


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Referências

Misra, S., Kolappa, K., Prasad, M., Radhakrishnan, D., Thakur, K. T., Solomon, T., ... & Prasad, K. (2021). Frequency of Neurologic Manifestations in COVID-19: A Systematic Review and Meta-analysis. Neurology.

Conteúdo traduzido e adaptado por Diego Arthur Castro Cabral

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