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Intercâmbio em Medicina - Itália
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Intercâmbio em Medicina - Itália

Intercâmbio em Medicina

Eu sempre sonhei em viajar para fora do país. Conhecer lugares diferentes, outras línguas, culturas, comidas, costumes, etc. Encontrei no intercâmbio a opção de unir o útil ao agradável. Em novembro do ano passado, passei um mês fazendo estágio no Hospital Policlínico de Bari, na Itália e viajando pelo país.

Foi uma experiência única e indescritível. Tive a oportunidade de conhecer e conviver com pessoas de várias partes do mundo, conhecer culturas diferentes, compartilhar sonhos, anseios, sorrisos... Chega até ser estranho pensar como em tão pouco tempo, aquelas pessoas que você nunca tinha visto na vida, se tornam tão especiais, e como se constrói uma amizade tão profunda em tão pouco tempo.

Eu fiz o meu intercâmbio pela IFMSA (International Federation of Medical Students’ Associations). A IF é uma organização formada por estudantes de medicina do mundo inteiro, com sedes locais nas universidades. No Brasil, foi fundada em 1991 na cidade de Londrina-PR, por estudantes de medicina da UEL, depois disso foram surgindo os diversos comitês em várias universidades do Brasil.

Dentre as diversas ações e projetos promovidos pela IF, um deles é o Intercâmbio: tanto o Nacional (SCONE), quanto o Internacional (Clínico-Cirúrgico-SCOPE ou de Pesquisa-SCORE).

Uma vez por ano é lançado o edital para inscrição, geralmente entre outubro e novembro. O período do ano para realização do intercâmbio pode ser escolhido durante o ano inteiro, depende da disponibilidade do lugar para onde você quer ir, por exemplo, a cidade que eu fiquei na Itália (Bari) só disponibiliza os meses de maio, julho e novembro para o intercâmbio. Podem se inscrever para concorrer à vaga, estudantes de medicina das universidades onde exista um comitê local da IF, sendo permitidos estudantes matriculados desde o 1º ano até médicos recém-formados (até 6 meses após o término da faculdade). Os estágios tem duração de 4 a 8 semanas.

A taxa de inscrição para o processo seletivo é de R$ 100,00. E para concorrer a uma vaga, cada aluno deve ter certificados para obter uma pontuação, referente à participação em ligas acadêmicas, projetos da IF, projetos de iniciação científica, etc. Também conta mais ponto quem estiver em semestres mais avançados do curso, por exemplo, se você está no 6º ano tem alguns pontos a mais. Mas se você não participa desses projetos da IF na sua universidade, também não tem problema, pode concorrer mesmo assim. Os lugares mais famosos e mais procurados, como Paris, ou Berlim, por exemplo, obviamente exigem uma pontuação maior, mas há muitas vagas em diversos países, e sempre há vagas remanescentes.

A taxa de intercâmbio (referente à realização do intercâmbio) é de R$ 500,00.

E inclui:

- Estágio clínico-cirúrgico (SCOPE) ou em pesquisa (SCORE) a escolher no hospital/faculdade do país selecionado

- Hospedagem: 30 dias de hospedagem no país em casa de família ou moradia estudantil

- Alimentação:  1 a 3 refeições por dia durante todo o período de intercâmbio (Depende do País: verificar nas Exchange Conditions)

- Certificado da IFMSA reconhecido internacionalmente

- Suporte:  demais gastos administrativos e suporte da IFMSA Brazil até a chegada ao país de destino.

Esse contrato é o bilateral, ou seja, você vai viajar e da mesma forma que é recebido por alguém no país de destino, você deve receber alguém em outro período na sua casa. Como no Brasil geralmente há mais "outgoings" do que "incomings", alguns comitês se organizam para receber os intercambistas que vem para o Brasil em hostels ou pensionatos, então você não precisa necessariamente receber alguém na sua casa. Mas isso depende de cada comitê, sendo conversado e acordado com cada comitê local.

Se quiser saber mais informações, entre no site, ou procure o LEO/LORE da sua faculdade (são os coordenadores locais do intercâmbio).

http://www.ifmsabrazil.org/

O estágio na Itália:

O estágio em Bari foi muito bom, fiquei no Departamento de Medicina Interna em Cardiologia. O hospital era ótimo, bem grande e muito bem organizado. O estágio foi mais observacional, eu acompanhava os médicos e os residentes na prática diária. Pude acompanhar consultas, exames específicos em cardiologia e alguns procedimentos cirúrgicos. Os italianos também são bem solícitos e receptivos, e especialmente no hospital, eu percebi que os médicos eram muito humanos, e respeitavam muito o paciente.

De maneira geral, os médicos falavam bem o inglês, nós nos comunicávamos sempre em inglês, mas quando eles conversavam entre eles em italiano, durante as visitas, eu também conseguia entender bem, porque o italiano é muito parecido com o português. A única limitação foi em relação aos pacientes, eu não conseguia colher anamnese, por exemplo, porque os pacientes não falavam inglês, e eu sabia muito pouco de italiano.

A Itália é um país incrível para visitar.

Os lugares são lindos, as cidades não são muito grandes e são de fácil acesso por trem, a comida também é muito boa e os italianos, de maneira geral, são muito legais. E para quem gosta de história (como eu), se delicia visitando os diversos museus e monumentos, ou mesmo andando pelas cidades e pequenos vilarejos, como a histórica Roma (a cidade eterna), a encantadora Florença, Lucca (a cidade murada) e a belíssima Matera, algumas das cidades pelas quais passei.

amigas do estágio em medicina na itália Em Bari, amigas que fiz durante o estágio. Eu ao fundo (Ana Carolina), Nanda, lá do Maranhão, e Milena, de Montenegro

É difícil descrever em palavras essa incrível experiência. Só tenho a agradecer por tudo que vi, vivi e recebi de tantas pessoas que muitas vezes eu nem conhecia, e acho que essa é a lembrança mais marcante de todo esse tempo fora de casa, acho que é até um alívio saber como ainda existem pessoas boas nesse mundo, não importa onde você esteja, de onde você venha, ou que língua fale, é um alívio descobrir como as pessoas ainda podem ser solícitas, receptivas, gentis, e como nós também podemos ser assim: humanos. Foram 40 dias vivenciando experiências incríveis, conhecendo e conversando com pessoas do mundo todo, para assim desmistificar, ou desestigmatizar muitos "olhares pré-concebidos", abrindo a mente para um novo horizonte.
Sem dúvida, essa foi uma das experiências mais importantes da minha vida. E o sentimento que fica é o de: gratidão.

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver.”  Amyr Klink

 

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