A luta contra o crack
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A luta contra o crack

Como todos já sabem, o Brasil vive hoje uma grande epidemia de uso do crack. Um subproduto da cocaína, o crack é uma droga barata e fácil de encontrar, e com efeitos devastadores sobre quem a utiliza. A droga provoca uma grande euforia e de curta duração, com fissura intensa e síndrome de urgência para repetir a dose. Quando é fumada na forma de crack, chega ao cérebro mais depressa do que a cocaína injetada na veia, ou seja, para percorrer o caminho do cachimbo ao cérebro, a droga leva apenas de 6 a 10 segundos. O efeito é semelhante ao da cocaína injetada, mas é muito mais rápido e passageiro. Assim, o dependente precisa sempre ir em busca da droga, seja para obter os efeitos provocados por ela, seja para aliviar os sintomas da abstinência.

De acordo com estimativas da OMS, o Brasil vive hoje com cerca de 3% da população dependente do crack. Isso representa cerca de 6 milhões de brasileiros. O Ministério da Saúde, porém, trabalha com uma estimativa bem menor, de 2 milhões de usuários, sendo que apenas um terço encontra a cura, outros 33% mantém o uso e o outro terço morre (de acordo com estudo da Unifesp).

Diante de um problema tão complexo, o que fazer?

Não podemos simplesmente cruzar os braços e deixar como está. Infelizmente, parece que o país ainda não acordou para a gravidade do problema e não tem um programa efetivo que consiga de fato reduzir o número de usuários e tratar os dependentes como doentes e não apenas como criminosos, que roubam para obter a droga. Diminuir o número de usuários, parece ser a solução mais razoável para um problema tão complexo.  Colocá-los em clínicas e centros especializados, tratar a dependência como se tratam outras doenças crônicas, a fim de tirá-los das cracolândias e assim tentar fornecer uma alternativa de vida.

Como profissional da saúde, o médico também deve estar a frente da luta contra essa mazela social que assola as nossas cidades.

Para quem ainda não conhece, o Conselho Federal de Medicina possui um Portal chamado: Enfrente o Crack, onde é divulgado notícias, campanhas, depoimentos de usuários, e principalmente informações como legislação e locais para tratamento em cada estado.

Em 2011, foi elaborado pelo CFM também, um manual simples contendo as Diretrizes Gerais Médicas para Assistência Integral ao Dependente do Uso do Crack. O documento possui uma versão direcionada para médicos e outra para a sociedade.

O manual tem o objetivo de orientar e capacitar médicos para o atendimento aos usuários de crack e traz desde conceitos básicos, como: as diferenças entre uso, abuso, dependência, o que é o crack e como age no organismo; até conceitos mais específicos sobre a abordagem ao paciente usuário de crack. Como, por exemplo, os aspectos específicos do tratamento, como fazer a avaliação e o manejo em casos de urgência e como encaminhar no âmbito do SUS.

Além disso, o manual também descreve como perguntar e abordar sobre o uso de drogas, de forma que o paciente se sinta livre para falar tanto do que considera vantagens, quanto desvantagens em relação ao uso da droga, e alerta para os aspectos psicossociais que podem estar envolvidos e serem motivadores nesse processo.

Lendo sobre isso, me deparei com essa reportagem contendo o depoimento de uma usuária vivendo na cracolândia de São Paulo. Ela descreve a história de apenas uma, dentre as histórias de milhões de brasileiros, dependentes, que sofrem, jogados e sem nenhuma perspectiva de sair desse caminho, a não ser pela morte. Vale a pena ler na íntegra: Diário de uma quase sobrevivente da cracolândia: "Perda total".

http://www.cremepe.org.br/crack/leitorNews.php?cd_noticia=270

Baixe a Cartilha em PDF AQUI

 

Fontes:  http://portal.cfm.org.br/images/stories/pdf/cartilhacrack.pdf

http://drauziovarella.com.br/dependencia-quimica/o-comercio-de-crack/

http://drauziovarella.com.br/dependencia-quimica/a-epidemia-do-crack/

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