"A natureza é o médico das doenças." — Hipócrates (c. 460 – c. 370 a.C.)
A Necrólise Epidérmica Tóxica (NET) é, talvez, a emergência dermatológica mais temida. Com a pele se desprendendo em retalhos, o paciente enfrenta um risco altíssimo de sepse e distúrbios hidroeletrolíticos, similar a um grande queimado. Enquanto o manejo sistêmico ainda é controverso, o cuidado local das feridas é vital para a sobrevivência.
O Desafio da Pele Nua
Na NET, a perda da barreira cutânea expõe o paciente a infecções letais e dor excruciante. O tratamento padrão envolve curativos sintéticos ou biosintéticos e cuidados em unidade de queimados. No entanto, algumas áreas podem se tornar refratárias à cicatrização, exigindo soluções mais potentes.
Relato de Caso (2025)
O estudo descreve uma paciente de 27 anos com NET induzida por cefuroxima, acometendo 85% da superfície corporal (SCORTEN 3).
Manejo: Além de corticoides sistêmicos e suporte intensivo, enxertos de MAH foram aplicados em 6% da área corporal que não respondia aos curativos convencionais.
Evolução: A resposta foi notável. As áreas enxertadas reepitelizaram completamente em 7 dias. A paciente teve alta em 15 dias, sem sequelas cicatriciais nas áreas tratadas com a membrana.
Reciclagem Terapêutica
A membrana amniótica, obtida de doações de placentas pós-cesárea, é rica em fatores de crescimento e possui propriedades anti-inflamatórias e antimicrobianas. Este caso reforça que a MAH não é apenas uma barreira física; é um tecido bioativo que "ensina" a pele lesada a se regenerar. Em um cenário de recursos limitados ou falha de curativos sintéticos caros, a "engenharia de tecidos" natural da placenta se mostra uma ferramenta inestimável.
Texto escrito pela acadêmica Carolina C. Reis
Referências
Mansilla-Polo M, Alvedro-Ruiz P, Pérez-Del Caz MD, Botella-Estrada R. Human Amniotic Membrane Grafting for the Management of Toxic Epidermal Necrolysis. Actas Dermosifiliogr. 2025;104567.






