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Nenhum país do mundo investe em saúde mental como deveria, revela OMS

Nenhum país do mundo investe em saúde mental como deveria, revela OMS

A urgência do cuidado em saúde mental, no que diz respeito às estratégias de cuidado, políticas públicas que garantam condições para que as pessoas tenham acesso a tratamentos humanizados e estratégias de apoio social é um tema em alta na pandemia.

Porém, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o subinvestimento na saúde mental e as lacunas do cuidado são problemas escancarados em meio à crise sanitária gerada pela COVID-19. A desassistência na saúde mental é uma realidade e, segundo dados do Atlas da Saúde Mental 2021 -pesquisa que envolve 171 países - em 2020, no auge da pandemia, governos em todo mundo investiram apenas 2% dos orçamentos em saúde mental.

A situação é ainda pior em países de baixa renda. Em média, estima-se que há 1 profissional de saúde mental para atender cerca de 100.000 pessoas. Segundo  os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), materializados na Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), uma das metas globais é reduzir 1 ⁄ 3 a mortalidade prematura por doenças não transmissíveis e prover a saúde mental e o bem-estar das pessoas.

Em 1946, a OMS associou o conceito de saúde a “um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas à ausência de doença”. No entanto, diante da pandemia global e da emergência do cuidado em muitas dimensões da vida, há muitos déficits em uma área que não deveria ser subalternizada.

Nas próximas linhas, você saberá quais são as principais ações que revelam o subinvestimento e as lacunas no cuidado.

Subinvestimento em saúde mental é problema mundial

O Atlas da Saúde Mental destacou que nenhuma meta de liderança, governança, prestação de serviços, promoção e prevenção da saúde mental entre as que foram estabelecidas para 2020 foi alcançada. A análise inclui dados de 171 países.

Ainda conforme  o documento, 51% dos países possuem uma política de saúde mental que coerente com os princípios que regem os Direitos Humanos. Ou seja: a falta de assistência adequada às pessoas é realidade em mais da metade dos locais analisados. Os programas de promoção e prevenção a saúde mental também foram implementados em apenas 52% dos países.

Ainda segundo a OMS, a prevalência de casos de ansiedade e depressão aumentou em 25% no mundo inteiro durante o primeiro ano da pandemia de COVID-19 e apesar dos países perceberem a importância de fortalecer serviços de saúde mental e apoio psicossocial em seus planos de resposta à COVID-19, existe um caminho árduo para que todas as pessoas tenham acesso à saúde mental.

Saiba mais: Considerações sobre saúde mental e psicossocial durante o surto de COVID-19

Nas palavras de Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, o cenário é muito mais complexo e revela inúmeros sinais de alerta para que os países desenvolvam melhores soluções de apoio à saúde mental de suas populações.

“As informações que temos agora sobre o impacto do COVID-19 na saúde mental do mundo são apenas a ponta do iceberg”.

Sofrimentos distintos, demandas urgentes

Em tempos de guerra, conflitos, fome, miséria e luto coletivo, fatores estressores afetam muito mais as pessoas. Os profissionais de saúde responsáveis pelo cuidado dos pacientes também adoecem e, as condições de tratamento e acesso à saúde são preocupantes entre os grupos mais vulneráveis e desfavorecidos socialmente.

Esse texto é apenas um resumo da situação e um convite para profissionais, gestores de saúde e demais envolvidos na área a reflexão sobre como é possível suprir as lacunas no cuidado.

Além dos esforços operacionais, da capacitação de profissionais, dos investimentos e fortalecimento das políticas existentes (principalmente as que levam atendimento gratuito às pessoas), a desconstrução dos estigmas e o fortalecimento do debate sobre a importância da saúde mental e de todas as condições que a afetam (acesso à comida, moradia, educação, água encanada, segurança, entre outros recursos) é um passo crucial para se olhar para o problema, além da ponta do iceberg como o diretor da OMS enfatizou.

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Referências

  1. ONU Brasil. Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br/sdgs. Acesso em 04/03/2022.

  2. OPAS. Relatório da OMS destaca déficit global de investimentos em saúde mental. Disponível em: https://www.paho.org/pt/noticias/8-10-2021-relatorio-da-oms-destaca-deficit-global-investimentos-em-saude-mental. Acesso em 04/03/2022

  3. WHO. Pandemia de COVID-19 desencadeia aumento de 25% na prevalência de ansiedade e depressão em todo o mundo. Disponível em: https://www.who.int/news/item/02-03-2022-covid-19-pandemic-triggers-25-increase-in-prevalence-of-anxiety-and-depression-worldwide. Acesso em 04/03/2022.

  4. WHO. Mental Health Atlas 2020. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/9789240036703/. Acesso em 04/02/2022.


 

Academia Médica
Bruna Martins Oliveira
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Jornalista graduada pela PUCPR e Mestranda em Informação e Comunicação em Saúde pelo PPGICS da Fiocruz. Atualmente, pesquiso sobre saúde mental, mulheres e redes de apoio e comunicação.

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