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Os 10 maiores desafios da Educação Médica nesta década

Os 10 maiores desafios da Educação Médica nesta década

Na virada da última década a Revista da American College of Physicians publicou um artigo que denotava os maiores desafios para a educação médica. Os objetivos lá listados são claros bastante claros, porém, a publicação não traz nenhum meio para a realização deles.

Confira abaixo a lista dos 10 maiores desafios da Educação Médica no Brasil e no mundo.

  1. Educar estudantes, residentes e médicos sobre a consciência dos custos no cuidado a saúde. Devido aos gastos insustentáveis da atenção à saúde, é necessário educar os acadêmicos de medicina e os médicos sobre o uso de recursos de forma racional, diagnóstica e terapêutica, buscando diminuir o uso exagerado ou equivocado.
  2. Estabelecer uma cultura nos programas das faculdades e das residências médicas que promova incentivos para entrar em campos de maior necessidade da sociedade, por exemplo, a Medicina de Família e Comunidade, Pediatria e Ginecologia, focando a fixação do médico em áreas carentes. Além da necessidade de remuneração financeira para atrair estudantes e residentes, devem ser fornecidos reconhecimento e prestígio apropriado durante o treinamento para estas especialidades e áreas de prática necessidade.
  3. Focar a educação médica no bem-estar e na prevenção de doenças. Considerando que a educação médica tem sido tradicionalmente centrada no diagnóstico e tratamento da doença, uma alta prioridade deve, simultaneamente, ser colocado sobre a educação em matéria de manutenção da saúde e prevenção da doença.
  4. Estabelecer o balanço adequado entre experiência e educação dos estagiários, número de horas e da intensidade da carga de trabalho residente (horas de serviço) e segurança do paciente. É público e notório o receio que alguns pacientes tem ao se consultarem com internos e residentes, que são, cronicamente, privados de sono e lazer.
  5. Educar os estudantes de medicina e residentes de uma forma que equilibra, adequadamente, uma abordagem científica/fisiopatológica e uma baseada em evidências para a assistência ao paciente. A ênfase atual sobre os cuidados baseado em evidências deve ser integrado com, ao invés de substituir, uma base sólida nos princípios científicos e fisiopatológicos subjacentes à medicina clínica.
  6. Preparar os estudantes de medicina e residentes para uma abordagem em equipe e centrada no paciente. A Medicina é cada vez mais um "esporte coletivo", e os médicos devem ser bem treinados para trabalhar tanto como um membro dessa equipe, assim como líderes, destinados a fornecer alta qualidade de cuidado centrado no paciente.
  7. Estabelecer uma cultura educacional em que os estagiários e os médicos examinem seus desempenhos e meçam os resultados dos pacientes, com o objetivo final de melhorar continuamente a qualidade dos cuidados que prestam. Medir e melhorar a qualidade do atendimento precisa ser incorporado nas culturas de educação médica e assistência ao paciente. Nesse ponto, um passo importante foi a designação do aprendizado baseado na prática e aperfeiçoamento como uma das 6 competências gerais para os Residentes.
  8. Criar e desenvolver professores com formação adequada em educação médica para treinar o acadêmico nas competências necessárias para o desenvolvimento profissional dos futuros médicos e especialistas. Devido as pressões da faculdade para ambas as áreas (clínica e pesquisa), deve-se identificar, dar suporte e treinar o staff que educará e formará a próxima geração de médicos.
  9. Desenvolver um sistema que dê suporte à Educação Médica Continuada (EMC), que atente para a realidade e percepção do conflito de interesses da indústria. É notório o aumento do interesse da indústria na EMC. Devemos nos atentar a isso, pois sabemos que o financiamento da EMC pela indústria pode resultar em viés, devido a necessidade da venda do mais novo medicamento, ou qualquer outro tipo de tratamento produzido pelas gigantes farmacêuticas. Uma estratégia para evitar isso deve ser criada.
  10. Expansão dos recursos para o financiamento da educação médica com serviços que paguem de forma honrosa médicos para prestarem assistência ao serviço público.  Dessa forma, eles poderiam quitar seus débitos com o financiamento do curso prestando serviços onde são necessários. Ambos ganham, pacientes e médicos recém formados. Vale ressaltar que isso só é válido quando há estrutura para o exercício da medicina e direitos de trabalho assegurados.

Quase no fim da década em que todos esses desafios deveriam ter sido cumpridos, ou, pelo menos, deveriam estar bem encaminhados, as questões que ficam são:

  • Onde estamos nesse caminho?
  • Quais as estratégias que devemos adotar para avançar nesses desafios?

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Fonte: American College of Physicians

Academia Médica
Fernando Carbonieri
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