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O internato médico no cenário de ensino da urgência e emergência

O internato médico no cenário de ensino da urgência e emergência

O internato médico no cenário de ensino da urgência e emergência.

Saiba o que mudou no ensino dessa indispensável matéria

As diretrizes curriculares médicas de 2001 do MEC indicam que os internatos hospitalares possuem como objetivo geral possibilitar ao graduando adquirir habilidades na abordagem a pacientes internados em hospitais gerais e em serviços de urgência e emergência (U/E) clínicas e cirúrgicas, com enfoque na propedêutica e terapêutica.

  São inúmeras as limitações na elaboração e prática do serviço de U/E. A carga horária dedicada à formação em U/E é limitada na maioria das escolas médicas do país. Não existe sequer a sua obrigatoriedade no currículo. O que ocorre, na realidade, é a carga horária concentrada em curto período de tempo no estágio de clínica cirúrgica. O ensino de U/E deveria ocorrer de forma extensiva ao longo do curso, contemplando disciplinas de semiologia, propedêutica e terapêutica. No formato intensivo atual, o aluno permanece muitas vezes como ouvinte ou observador no serviço de U/E clínica e cirúrgica.

Isso se reflete como ambiente em que graduandos tornam-se expectadores da prática, sem funções delimitadas e sem responsabilidade, assumindo atividades por vezes desnecessárias e de pouco valor didático. Nessa perspectiva, ocorre intenso desinteresse dos graduandos, uma vez que não se enxergam como úteis e promotores de mudança no serviço em que estão inseridos.

A estrutura física e instrumentária das instituições públicas limita o desenvolvimento das práticas não só do internato, mas da clínica ampliada e da integralidade do atendimento. A precariedade de leitos, a ausência de materiais necessários, a indisponibilidade de métodos propedêuticos e terapêuticos e a sobrecarga do sistema público culminam em prática que afasta ainda mais o real do ideal.

 Os hospitais gerais possuem, em geral, uma entrada de U/E desorganizada e sem estrutura física ou de recursos humanos. Na maioria dos estados e municípios, esse serviço sofre mais impacto da desorganização do sistema e se torna alvo de críticas ao modelo de assistência à saúde. Existe grande demanda de profissionais qualificados para o atendimento de U/E, que necessariamente não significa a presença de profissionais especializados em diversas áreas do conhecimento e com capacitação para o ensino dos graduandos.

A conjuntura atual consiste na presença de clínicos, cirurgiões, otorrinolaringologistas, ortopedistas e, principalmente, médicos recém-formados que enxergam  nessa área  a possibilidade do primeiro emprego.

Poucos profissionais encaram essa atividade como área de desenvolvimento da carreira e menos ainda como ambiente de pesquisa. Isto limita o acesso do acadêmico a profissionais que detenham o conhecimento necessário à completa prática do atendimento às U/E clínicas e cirúrgicas, obrigando-os ao contato com profissionais que ainda estão em aprimoramento técnico-científico.

 Outra questão intensamente debatida no que diz respeito às diretrizes curriculares é o processo de educação continuada e a inserção dos graduandos nos serviços de residência e especialização. O que se observa é a  intensa concorrência no acesso às vagas de residência médica, o que redireciona a atenção do graduando nos últimos anos de seu curso. Seu interesse tem se voltado para a aprovação nesses processos seletivos em detrimento da prática dos internatos.

Os objetivos da reforma curricular e mudanças nos ambientes e cenários de prática incluem transformações que se darão a curto, médio e longo prazo. São necessárias negociações políticas, transformações administrativas e investimentos financeiros.

 O curso de Medicina deve ser capaz de, como parte da formação curricular obrigatória, criar e desenvolver habilidades teóricas e práticas nos principais tópicos relacionados às U/Es. Sua frequência e a elevada morbimortalidade são argumentos para preocupação em instituir na graduação aprendizado adequado em sua abordagem.

 O ensino de U/E na graduação em Medicina necessita ter urgentemente uma reflexão crítica e ser  avaliado em sua carga horária, na infraestrutura dos hospitais-escola e na formação e disponibilidade de médicos preceptores competentes nesta área.

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