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O preceptor da Residência Médica: Esta figura (in)discutível
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O preceptor da Residência Médica: Esta figura (in)discutível

 

por João Carlos Simões

 

  “I taught medical students in the wards”.

                                                  ( Epitáfio de William Osler)

 

Modifiquei o título acima de uma publicação do saudoso professor emérito da Universidade de São Paulo, Ernesto Lima Gonçalves , na qual fazia considerações sobre o desempenho e avaliação do professor de medicina, escrita  nos cadernos do CEDEM, e assim, também o preceptor da residência médica é no mínimo uma figura discutível nos tempos atuais.

O preceptor da residência médica representa no contexto da residência médica uma ponte entre o médico residente e o serviço de residência médica, desempenhando um papel seminal de supervisão e com a grande  responsabilidade  de estar sempre ao lado do médico residente, oferecendo uma orientação segura para aprimorar habilidades técnicas e treinar seus conhecimentos; contribuir para a formação humanística, ética e de valores morais nas suas competências, atitudes e comportamentos.

Cabe ao preceptor da residência mostrar ao residente o caminho competente e seguro da residência médica.

Ele precisa ter conhecimento básico do processo educativo, mínima  postura pedagógica, experiência, capaz de ensinar e aprender  a viver a residência médica e ser um competente especialista de sua especialidade .

Exige-se na sua função didática à beira do leito – por  meio de preleções, discussões, demonstrações e apresentações clínicas, que ele  deve despertar o interesse e motivação dos seus residentes para uma educação continuada e saber procurar as evidências.

Nesta labuta cotidiana no ambulatório, nos postos de saúde ou nos hospitais deve ensejar a busca da nítida visão do que significa a pesquisa tanto clínica quando experimental.

 O professor Antonio Carlos Lopes quando esteve a frente da secretaria da CNRM, referiu que um dos problemas da residência médica era a incompetência do preceptor. Além disto, como a preceptoria não é estimulada, nem valorizada, ele  acaba fazendo esse trabalho nas horas vagas, ou se dedicando pouco tempo a esta função.

Lopes tentou, na época, resgatar a função do preceptor com a criação de uma bolsa (resolução CNRM 8/2004 que foi  revogada), mas esbarrou em leis trabalhistas que invabilizaram a proposta. Outro aspecto era ter o preceptor registrado na CNRM e obter um diploma ao término  do seu período, que poderia valer créditos de pós graduação ou em concurso público. Nada disto foi feito. Nada está sendo feito!

Ou seja, ainda nada existe na legislação da CNRM que contemple  uma valorização adequada e reconhecimento do papel do preceptor da residência médica. Como em tudo ao que se refere ao governo federal, a força inercial para fazer as coisas acontecerem é enorme.

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