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Retorno Seguro às Escolas!

Retorno Seguro às Escolas!

Após seis meses da mais grave pandemia da história em nosso país e da constatação da menor mortalidade em crianças, a preocupação atual e mais angustiante dos pais e pediatras, é quando as crianças e adolescentes devem voltar às suas atividades presenciais e de que maneira tornar este retorno o mais seguro possível.

Vários estados do Brasil estão programando este retorno para segunda quinzena de agosto e início de setembro, sendo que Manaus foi a primeira cidade a reabrir escolas, ocorreu em seis de julho.

Como a expressão da pandemia COVID-19 no Brasil não é uniforme, ocorrendo realidades diferentes em cada cidade, estado ou município, esta abertura não ocorrerá ao mesmo tempo, sendo que para se pensar em reabrir as escolas as cidades terão que atingir alguns critérios como: curva descendente do número de casos, pelo menos duas semanas em fase amarela da pandemia e índice R abaixo de 1. 

Qual é o principal objetivo e benefício do retorno o mais rápido possível de nossos filhos e netos às escolas? A resposta não é o retorno para aprendizado escolar e conhecimento em vários níveis, mas sim amenizar e começar a tratar a principal consequência desta pandemia que é a alteração de saúde mental e alimentar, principalmente dos mais vulneráveis.

O fechamento das escolas ocorreu desde o início desta pandemia em 90% das escolas e creches do mundo, deixando em torno de 2 bilhões de crianças e adolescentes sem todas as atividades essenciais realizadas na escola como, ensino, sociabilização, atividades físicas e principalmente alimentação de qualidade.

Em torno de 40% das crianças devido a este isolamento prolongado estão apresentando sinais e sintomas de ansiedade, depressão, angústia, pânico de morrer, regressão motora, ideações suicidas e absurdos e inadmissíveis agressões físicas e abusos sexuais.

Sobrepeso e obesidade que já são uma pandemia em todo mundo tiveram um aumento significativo durante este isolamento, devido a combinação perfeita para esta crônica e ascendente pandemia que é obesidade em crianças:  inatividade física e erros ou transgressões alimentares. 

Esta não é a realidade dos 40 milhões de  alunos de escolas públicas no Brasil, onde as principais refeições lá acontecem, sendo que este afastamento está provocando importante piora de saúde alimentar, com importantes e graves consequências na aprendizagem, imunológicas, sendo estas consequências mais evidentes e nocivas nos mais vulneráveis. 

Nos poucos países onde não houve fechamento das escolas e naqueles que já reabriram, não houve aumento do número de casos, visto que a chance de uma criança contaminar outra ou um adulto é pequena, esta afirmação confirmada através de rastreamento de casos em alguns países.

Escolas e creches não são amplificadores da COVID-19, sendo a educação fundamental para recuperação após tragédias ou pandemias como a causada pelo novo coronavírus.

O que educadores, ministério público, sindicatos e pediatras tem que lutar é para que as escolas públicas tenham as mesmas condições de segurança e ensino das privadas, para que possamos proteger, diminuir e não aumentar esta desigualdade entre os mais vulneráveis.

Todas as escolas adotarão medidas de precauções e de higiene determinadas por entidades médicas e vistoriadas por vários órgãos públicos de controle, para que este retorno tenha sucesso e consigamos amenizar  este efeito devastador para saúde mental, física e alimentar de nossas crianças e adolescentes.

Posso estar errado, mas baseado em estudos, experiências de outros países e estas graves consequências em nossa população pediátrica: estou otimista no sucesso deste retorno.

Vou disponibilizar material preparado por mim na forma de Ebook para orientações para um retorno seguro, com otimismo no sucesso deste retorno e a certeza que ele é fundamental, desde que tenhamos controlado número e gravidade dos casos.

 


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Referências Bibliográficas

1-https://services.aap.org/en/pages/2019-novel-coronavirus-covid-19-infections/clinical-guidance/covid-19-planning-considerations-return-to-in-person-education-in-schools/

2-https://www.who.int/docs/default-source/coronaviruse/key-messages-and-actions-for-covid-19-prevention-and-control-in-schools-march-2020.pdf?sfvrsn=baf81d52_4&gclid=Cj0KCQjw9b_4BRCMARIsADMUIyrnVDno5B56d3DPutNgF7xuVBizmEDEottBjoiVIt1rtrxyGgJV5CQaAkszEALw_wcB

3-https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/22516b-NA_-_COVID-19_e_a_Volta_as_Aulas.pdf

4-Overcoming Challenges Resulting From COVID-19: New York State's Creating Healthy Schools and Communities Initiative. Tamara Vehige Calise 1 2Amelia Fox 1Amanda Ryder 1Laura Rios Ruggiero. Prev. chronic Dis 2020 Jul;9;17: E57

 

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Rubens Cat
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Médico pediatra e professor associado da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Atual chefe do Departamento de Pediatria do Hospital de Clínicas (HC-UFPR)

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