Pesquisadores do Instituto Weizmann de Ciência, em Israel, demonstraram que o padrão de respiração de cada pessoa é tão único quanto uma impressão digital. Mais do que isso: esses padrões podem revelar características físicas, como índice de massa corporal (IMC), e até sinais sutis de ansiedade e depressão.
Assim como cada cérebro funciona de forma única, a forma como inspiramos e expiramos também é singular. Para investigar essa hipótese, a equipe liderada pelo neurobiólogo Noam Sobel desenvolveu um dispositivo vestível que mede, continuamente, o fluxo de ar em cada narina. O aparelho, preso à parte posterior do pescoço e conectado por tubos sob o nariz, registrou a respiração de 97 voluntários saudáveis durante 24 horas, abrangendo momentos de vigília e de sono.
Dos dados coletados, os cientistas extraíram 24 parâmetros, como duração da inspiração e expiração, e diferenças de fluxo entre as narinas e treinaram um algoritmo de machine learning. Semanas, meses e até dois anos depois, 42 participantes retornaram para nova medição. O sistema conseguiu identificá-los com alta precisão, chegando a 96,8% de acerto quando se utilizou um perfil detalhado com 100 parâmetros. Curiosamente, as medições durante a vigília foram mais precisas do que durante o sono.
O que a respiração diz sobre saúde
Além de servir como um “identificador biométrico invisível”, os padrões respiratórios mostraram correlação com indicadores de saúde física e mental.
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IMC: durante o sono, indivíduos com IMC mais alto apresentaram perfis respiratórios distintos dos de IMC mais baixo.
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Ansiedade e depressão: mesmo com escores baixos nos questionários, houve diferenças detectáveis no ritmo e na forma de inspirar e expirar entre aqueles com maior tendência a ansiedade ou depressão.
Segundo Sobel, “em certo sentido, estamos lendo a mente pelo nariz”. A descoberta abre espaço para diagnósticos não invasivos e para o desenvolvimento de tratamentos baseados na respiração, algo que já é explorado, por exemplo, em treinamentos das forças armadas para controle de estresse.
A equipe agora investiga quais padrões respiratórios se associam a níveis mais baixos de ansiedade e estresse, com o objetivo de ensinar pessoas a respirar de forma que alivie esses estados. Como destaca a psiquiatra Helen Lavretsky, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, “a respiração é a ferramenta mais potente que temos” para modular o estado mental.
Referência:
Basilio, H. (2025, June 12). How you breathe is like a fingerprint that can identify you. Nature. https://www.nature.com/articles/d41586-025-01835-0

