[ editar artigo]

Suicídio, a 4ª maior causa de morte entre jovens de 15-29 anos

Suicídio, a 4ª maior causa de morte entre jovens de 15-29 anos

Durante a pandemia causada pelo novo coronavírus, além das consequências no que se refere aos hábitos, rotinas e estilos de vida de muitas pessoas mudar, também trouxe e ainda pode trazer- pois não sabemos as consequências em longo prazo dessa mudança- sérias consequências para a saúde mental das pessoas.

E o tema do artigo de hoje será sobre esse assunto, pois trataremos do suicídio, tema que é um tabu, no entanto sobre o qual deve ser falado.

Epidemiologia

Alguns dados da Organização Mundial da Saúde podem iniciar bem nosso bate-papo.

Mais de 700.000 pessoas morrem por suicídio todo ano, essa é a 4ª principal causa de morte em pessoas entre 15 a 29 anos de idade. 

Reduzir as taxas de suicídio é uma missão dentro das Metas de Desenvolvimento Sustentável da ONU, assim como do décimo terceiro programa de trabalho (estabelece metas de 5 anos) e do plano de ação da saúde mental.

Visto isso, a OMS divulgou um livreto que fornece informações a fim de informar e fornecer subsídio para advogar contra esse mal.

O público alvo deste informativo são as agências de desenvolvimento, público em geral, acadêmicos e pesquisadores, trabalhadores da saúde, jornalistas e mídia, ONG’s e políticos/gestores.

Informações do documento

É necessário que haja uma resposta compreensível e coordenada em prol de garantir que não hajam mais vidas perdidas pelo suicídio.

No livreto em questão podem ser encontradas mais informações em relação ao suicídio, sua distribuição ao redor do mundo, padronizada por idade e região, além disso também são encontrados dados que separam as taxas de suicídio por idade, sexo e tempo.

O documento também reúne as melhores evidências disponíveis até novembro de 2020, as quais não necessariamente foram endossadas pelos Estado membros da OMS.

 

 

As taxas de suicídio padronizadas por idade apontam que estas foram maiores para homens do que para mulheres (12.6/100.000) vs (5.4/100.000). Enquanto que as maiores taxas para mulher foram acima de 10 para cada 100 mil, para os homens as taxas ficaram acima de 45 para cada 100 mil.

 

 

 

Além dessas informações, o livreto traz vários outros dados interessantes em relação ao suicídio, como:

  • O mapeamento das razões de suicídio entre mulheres/homens. 

  • Os países em que mais ocorreram suicídio em relação a condição socioeconômica dos países.

Vale a pena conferir (link nas referências).

 

As mudanças que ocorreram nas taxas de suicídio ao longo do tempo

Entre 2000 e 2019 a taxa de suicídio padronizada pela idade diminuiu em 36%. A única região que teve uma taxa de suicídio aumentada foi na região das Américas, atingindo um aumento de 17%.

Segundo a OMS para atingir a meta de desenvolvimento global sustentável, é necessário que haja um aceleramento na diminuição da taxa de mortes por suicídio, buscando reduzir em até um terço a taxa até 2030 nos países que se comprometeram a isso.

Qualidade dos dados

Apesar do documento vir de uma instituição renomada mundialmente, norteadora de muitas diretrizes, ela reconhece que dos 183 Estados membros para os quais as estimativas foram feitas entre 2000 até 2019 apenas 60 deles possuem um registro de dados vitais de alta qualidade. 

E o problema disso é que os dados gerados podem não ser os mais precisos possíveis, portanto é necessário, segundo a OMS, que os países, principalmente de baixa e média renda, recebam um método de modelamento e registro desses dados.

Segundo eles, os dados podem eventualmente estar enviesados ou estarem alterados devido aos diferentes métodos utilizados pelos grupos de pesquisa e pesquisadores. E as discrepâncias de resultados podem advir e serem presentes justamente onde os dados surgem com baixa qualidade, ou seja, os países, principalmente de baixa e média renda.

Além disso, é levantado a possibilidade dos números serem diferentes, uma vez que estamos tratando de um assunto que é um tabu e devido a isso as causas de morte podem ser diferentes do que realmente foram.

Conclusões

Os dados de mortalidade por suicídio apresentados no livreto reforçam a urgente necessidade de ação para prevenir o suicídio. O suicídio é um assunto de saúde pública que afeta todas as idades, sexos e regiões do mundo.

Se as taxas de decréscimo continuarem nesse ritmo a meta de diminuir em um terço a taxa de suicídio até 2030 não será atingida, além do fato de importância, isto é, a taxa de suicídio não está diminuindo de maneira igual em todos os países.

Outro documento da OMS de 2021: “Guia de implementação LIVE LIFE para prevenção de suicídio nos países” sugere quatro intervenções baseadas em evidências em prol de prevenir o suicídio, são elas:

 

  • Prevenir e limitar o acesso a meios de suicídio como armas letais ou pesticidas perigosos;

  • Interagir de maneira responsável com a mídia responsável por reportar o suicídio;

  • Buscar ensinar habilidades de vida sócioemocionais para adolescentes e;

  • Buscar identificar cedo, avaliar, manejar e acompanhar qualquer pessoa que tenha tido ideações ou atitudes suicidas.

 

Por fim, fica o convite a todos para prevenir esse mal que acomete muitas pessoas ao redor do mundo, toda vida importa e caso possa, você pode ajudar a atingir essa meta global até 2030, pois CADA VIDA IMPORTA 💛

 

Tem algum comentário ou agradecimento por esse texto? deixe no espaço de comentários abaixo

 


 

Por Yan Kubiak Canquerino - Colaborador da Academia Médica


 

Referências  

Suicide worldwide in 2019 (who.int). Acesso em 18/06/2021.

https://www.who.int/about/what-we-do/thirteenth-general-programme-of-work-2019---2023. Acesso em 18/06/2021.



 

Academia Médica
O que a faculdade esquece de falar!
O que a faculdade esquece de falar! Seguir

Página da redação da Academia Médica para divulgar atualizações pertinentes aos médicos, acadêmicos de medicina e profissionais de saúde.

Ler conteúdo completo
Indicados para você