Crime Cibernético – Nossa saúde está em risco?
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Crime Cibernético – Nossa saúde está em risco?

Texto publicado inicialmente neste link.

Estamos no começo da década de 1980, mais precisamente no ano de 1983. Eram tempos pré-internet, quase ninguém tinha um computador pessoal, e o fascínio pela computação estava apenas começando. Steve Jobs e Bill Gates ainda eram jovens construindo uma revolução digital a partir de suas garagens.

Mas mesmo nessa fase tão embrionária da computação, como a conhecemos hoje, uma preocupação veio à tona no famoso filme Jogos de Guerra (War Games). Um sistema de redes de computação, mesmo que considerado o mais protegido e impenetrável, poderia ser hackeado (termo que virou parte de nosso vocabulário), ser sequestrado para uso indevido e com enormes danos.

Para aqueles que viveram naquela década, o personagem do filme David Lightman (vivido pelo ator Matthew Broderick) era capaz de quebrar os mais avançados sistemas de segurança de computadores do mundo e acabou entrando no sistema do Departamento de Defesa dos EUA onde, sem querer, inicia conflito que podia levar à 3ª Guerra Mundial!

Bem, de lá para cá as coisas mudaram na computação, temos nossos smartphones, laptops, sistemas inteligentes, dados em Cloud e tantas coisas mais nessa maravilhosa era da vida Digital. Mas, os problemas de sermos hackeados aumentou também vertiginosamente! A preocupação com nossa segurança e privacidade está em alta, com noticias regulares sobre o assunto.

Quanto custa o cibercrime? Bem, os números variam segundo as fontes e os estudos, mas hoje eles já estão na casa dos bilhões de dólares por ano. Um dos estudos pesquisados citava que já em 2012 os custos com o cibercrime no Brasil eram de US$8 bilhões e que 22 milhões de brasileiros tinham sido alvo de hackers! Podemos imaginar que este número só aumenta... e talvez nós sejamos um desses que sofreu um crime cibernético.

Em 2012, o cibercrime no Brasil custou US$8 bilhões e que 22 milhões de brasileiros tinham sido alvo de hackers!

Como a saúde móvel e digital torna-se mais proeminente na indústria médica graças a dispositivos wearables, a ameaça de ciberataques complexos também aumenta. As questões de segurança dos dados de saúde estão sendo levantadas diariamente por todas essas novas tendências: as informações coletadas pelos aparelhos que usamos para monitorar nossa saúde e relógios inteligentes como Apple Watches são protegidos pelos regulamentos de segurança e privacidade (como o padrão da HIPAA)? A inteligência artificial pode ajudar a detectar violações de dados?

Uma outra informação para nosso entendimento é que os dados pessoais de saúde que geramos têm muito valor! Eles podem, assim como os nossos dados bancários e de cartão de crédito, ser usados por falsificadores e estelionatários em crimes de troca de identidade. E, diferente do que talvez imaginemos, nossos dados pessoais de saúde valem muito mais que nossos dados financeiros!

"Atualmente, o custo de um registro de saúde varia de US$ 20 a US$ 50 no mercado negro e isso é baixo em relação ao ano anterior, onde os registros poderiam angariar US$ 75 a US$ 100”, de acordo com James Scott, pesquisador sênior do Institute for Critical Infrastructure Technology. O próprio FBI diz que os nossos dados médicos valem até 10 vezes mais no mercado negro que nossos dados de cartões de crédito.

 

As organizações de saúde armazenam alguns dos dados pessoais mais sensíveis, incluindo enormes volumes de informações pessoais identificáveis (PII) ou informações pessoais sensíveis (SPI). Os hackers podem usar essa informação para pintar um perfil específico de seus alvos. Isso significa que não é apenas sobre a venda de registros de dados de saúde, cibercriminosos podem concentrar seus esforços em extorquir indivíduos com esquemas de sequestros virtuais de dados. Parece um bom momento para aumentar a segurança cibernética e criar os processos de backup necessários para que as organizações que lidam com nossos dados de saúde não tenha que pagar um 'resgate' pelos dados de seus pacientes.

 

No filme “Jogos de Guerra”, o computador fala para o personagem, após analisar as alternativas apresentadas para a 3ª Guerra Mundial nuclear, que a melhor opção era não jogar. Bem, no nosso caso o jogo do Crime Cibernético já começou e não temos como fugir dele, por isso o melhor é nos anteciparmos e implementar as medidas de proteção possíveis e necessárias. Esse parece ser um jogo que tem começo e não terá fim!

Esse tema é muito amplo e vamos voltar a ele futuramente para abordar que perigos e como podemos nos proteger dos cibercriminosos do mundo cibernético, especialmente no tocante aos nossos dados de Saúde Digital!

 

No próximo post traremos novos tema relacionado a aonde a Saúde Digital nos levará? Para seguir os artigos de Guilherme Rabello clique aqui.

Leia também os artigos anteriores da série sobre Saúde Digital

Você pode acompanhar outros textos sobre o tema seguindo a tag SAÚDE DIGITAL, clicando aqui.

 

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Abraços a todos!

Guilherme Rabello

Gerência Comercial e Inteligência de Mercado

InovaInCor – InCor / Fundação Zerbini

Guilherme Rabello
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Engenheiro pela Poli USP, com + de 25 anos de experiência em telecomunicações. Gerente Comercial e de Inteligência de Mercado do InovaInCor (núcleo de inovação do InCor e da Fundação Zerbini). Membro do Comitê Executivo de Inovação do HCFMUSP.

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