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Terapia Cognitivo-Comportamental na assistência psicológica de pacientes com câncer

Terapia Cognitivo-Comportamental na assistência psicológica de pacientes com câncer
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ago. 18 - 4 min de leitura
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O artigo de Ehlers, S. e sua equipe, divulgado no National Comprehensive Cancer Network, discutiu as complexidades psicológicas associadas ao câncer. O processo de tratamento oncológico é intrinsecamente desafiador, englobando desafios físicos e psicológicos. A angústia emocional ligada ao câncer, conhecida como "cancer distress", vem ganhando destaque. Nesse contexto, a Terapia Cognitivo-Comportamental voltada para a angústia emocional do câncer (CBT-C) destaca-se como uma das abordagens mais eficazes e amplamente estudadas.

A CBT-C não se limita apenas a tratar os sintomas da depressão. Ela é orientada especificamente para o câncer ensinando aos pacientes, habilidades e o fundamento científico associado para desafiar padrões de pensamento prejudiciais, melhorar comportamentos disfuncionais, gerenciar sintomas como insônia, reduzir a excitação fisiológica e melhora das habilidades de comunicação.

De fato, estudos mostraram que esta abordagem pode reduzir o sofrimento psicológico e melhorar os resultados biocomportamentais por mais de 10 anos após o diagnóstico, o que tem implicações notáveis para a recorrência e sobrevivência do câncer. No entanto, um desafio que permanece é a implementação real desta terapia no mundo real. Mesmo em centros abrangentes de tratamento do câncer, o acesso a tratamentos para a depressão é limitado devido a fatores como falta de pessoal e custos elevados.

O estudo em questão abordou essa lacuna, adaptando a CBT-C, que foi previamente validada em ensaios controlados, para um cenário de prática clínica real, como parte de um cuidado oncológico abrangente.

Os resultados foram promissores. A versão adaptada da CBT-C foi bem recebida pelos pacientes, com mais de 98% recomendando o serviço a familiares e amigos. Além disso, a capacidade de tratar os pacientes em grupos em vez de individualmente mostrou-se benéfica, aumentando o número de pacientes que recebem atendimento psicológico sem a necessidade de aumentar o pessoal clínico.

Um aspecto particularmente notável do estudo foi a sua inclusividade. Enquanto ensaios anteriores se concentraram na maioria em mulheres com câncer de mama em áreas urbanas, este estudo ampliou o alcance para incluir pacientes de vários tipos e estágios de câncer, pacientes rurais e grupos de gêneros mistos. Isto é crucial, pois muitas vezes as populações rurais são negligenciadas na literatura, apesar de enfrentarem desigualdades crescentes nos resultados do câncer em comparação com seus pares urbanos.

Entretanto, ainda há barreiras a serem superadas. Muitos pacientes expressaram que a distância geográfica foi um obstáculo, sugerindo a necessidade de adaptar a CBT-C para entrega remota, como telemedicina. Há também a necessidade de mais estudos para entender melhor os custos e a sustentabilidade da implementação dessa abordagem em diferentes sistemas de saúde.

Neste estudo é reforçado sobre o potencial da CBT-C não apenas como uma intervenção eficaz, mas como uma ferramenta que pode ser adaptada e implementada com sucesso em cenários clínicos reais. Se quisermos que o tratamento do câncer seja verdadeiramente abrangente, abordar o sofrimento psicológico dos pacientes é essencial. E, com abordagens como a CBT-C, temos as ferramentas para fazer exatamente isso.

Assim, a perspectiva holística no tratamento oncológico, considerando tanto o bem-estar físico quanto o emocional, é essencial. A CBT-C destaca-se como uma possível abordagem flexível e eficaz, respondendo adequadamente às necessidades psicológicas dos pacientes. Ao incorporar essas estratégias, é viável não somente almejar a recuperação física, mas também potencializar o bem-estar emocional dos pacientes que sofrem com câncer.

No estudo original, as etapas de desenvolvimento do projeto e seus resultados são claramente apresentados. Caso deseje consultar a pesquisa completa, disponibilizamos o link de acesso aqui.



Leia também: 


Referência: 

Ehlers, S. L., Gudenkauf, L. M., Kacel, E. L., Hanna, S. M., Sinicrope, P. S., Patten, C. A., Morrison, E. L., Snuggerud, J., Bevis, D., Kirsch, J. L., Staab, J. P., Price, K. A. R., Wahner-Hendrickson, A. E., & Ruddy, K. J. (2023). Real-World Implementation of Best-Evidence Cancer Distress Management: Truly Comprehensive Cancer Care. Volume 21: Issue 6. https://doi.org/10.6004/jnccn.2023.7009


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