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Cetamina pode ser usada no controle da dor aguda

Cetamina pode ser usada no controle da dor aguda

A cetamina é um anestésico injetável dissociativo que está disponível por prescrição nos EUA desde a década de 1970 para uso humano e veterinário. Ela é um antagonista não competitivo do receptor N-metil-D-aspartato (NMDA) e bloqueia os receptores HCN1. No entanto, em doses mais elevadas, também pode ligar-se aos receptores opioides mu e sigma. Essa medicação interrompe o uso do glutamato que é envolvido com o aprendizado, a memória, a emoção e o reconhecimento da dor. 

Levando em consideração esse efeito sobre a Dor, pesquisadores canadenses publicaram uma recente minirrevisão sobre os efeitos da Cetamina no controle da dor aguda. Vamos aos tópicos:

1. Os efeitos analgésicos e anestésicos da Cetamina são dependentes da dose

Em doses baixas (0,1–0,3 mg / kg), a cetamina produz analgesia. Já os seus efeitos anestésicos e psicomiméticos ocorrem em doses mais elevadas (≥ 1,0 mg / kg).

2. Em doses subanestésicas a cetamina é um analgésico eficaz

Cetamina em dose baixa é um analgésico eficaz em vários cenários. Quando administrada via intravenosa e em doses subanestésicas ela reduz os escores de dor pós-operatória e aumenta o tempo para a primeira solicitação de analgésico do paciente. Para dor aguda, a cetamina em dose baixa tem efeitos analgésicos comparáveis à morfina, com semelhantes necessidade de analgesia de resgate. A cetamina pode ser administrada por via parenteral como uma infusão intermitente (mais de 10-15 min) ou contínua.

Devemos começar com uma dose baixa (0,1 mg / kg a cada 4 horas para intermitente; 0,1 mg/kg/h para infusão contínua) e aumentar, se necessário, para uma dose máxima de 0,35 mg / kg (intermitente) ou 0,25 mg / kg / h (contínuo).

3. Utilizar a cetamina em doses baixas é seguro

Os efeitos adversos presentes no uso da cetamina em doses altas como náusea, vômitos, sonhos vivos, alucinações e dissociação não costumam estar presentes nas doses utilizadas no manejo da dor. Quando comparada com a morfina para o alívio da dor, a cetamina não mostrou diferença na incidência de efeitos adversos.

4. Os médicos devem avaliar as contraindicações antes de iniciar o tratamento

A cetamina não é recomendada em pacientes com psicose, doença cardiovascular grave ou disfunção hepática. Devido a escassez de dados sobre a segurança da droga na gravidez, os médicos devem buscar a opinião de um especialista se considerarem o uso neste cenário.

5. O uso de cetamina para o tratamento da dor aguda tem efeitos redutores nas doses de opioides

Quando adicionada aos opioides para o controle da dor aguda, a cetamina reduz os escores de dor e a dose total de opioides sem aumentar a sedação ou outros efeitos adversos. Efeitos adversos como a depressão respiratória associada aos opioides também é evitada. Os benefícios podem se estender além da internação hospitalar, uma vez que foi relatado o consumo reduzido de opioides após a alta em pacientes tratados no perioperatório com cetamina intravenosa.

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Referências

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Conteúdo traduzido e adaptado por Diego Arthur Castro Cabral

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