Nos últimos anos, o LinkedIn deixou de ser apenas um espaço para compartilhar currículos e se tornou uma poderosa ferramenta de networking científico e de desenvolvimento de carreira. Um artigo na Nature destaca como cientistas e profissionais acadêmicos estão utilizando a plataforma para encontrar colaboradores, compartilhar conhecimento, aumentar visibilidade e até impulsionar oportunidades de carreira.
Sharon Obasi, psicóloga da University of Nebraska at Kearney, resume bem o fenômeno: “Eu chamo o LinkedIn de minha conferência científica 24/7, 365 dias por ano”. O que começou como uma forma de se conectar a colegas de instituições pequenas acabou se transformando em um espaço contínuo de aprendizado e troca de ideias.
A popularidade do LinkedIn cresceu de forma expressiva nos últimos anos, com cerca de 1 bilhão de usuários cadastrados. Parte desse crescimento pode ser atribuída à queda de outras redes sociais, como o X (antigo Twitter), que perdeu 11 milhões de usuários apenas na União Europeia entre outubro de 2024 e março de 2025. Para os cientistas, isso significa mais gente usando a plataforma de maneira estratégica, gerando um efeito rede ainda mais valioso.
Os benefícios de uma rede bem construída
A coach de carreiras Hannah Roberts, do Reino Unido, tem usado LinkedIn como ferramenta de capacitação para mulheres em STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática). Após entrevistar 3.000 profissionais, ela concluiu que 85% poderiam se beneficiar de um uso mais ativo da plataforma. Para Roberts, o “número mágico” para começar a ver resultados é ter mais de 1.000 conexões. Para chegar lá, ela recomenda dedicar 1 hora por semana ao desenvolvimento de carreira e investir ao menos 15 minutos semanais para se conectar com dez pessoas relevantes ao próximo passo profissional.
Roberts também sugere comentar em cinco postagens por semana, para manter presença constante no feed das conexões e fortalecer o chamado know-like-trust factor, um dos pilares do networking eficaz. Uma vez construída a rede, é hora de iniciar conversas mais diretas, identificar organizações de interesse e se tornar visível para elas.
Seis lições essenciais para usar o LinkedIn com estratégia
A pesquisa reuniu seis recomendações práticas de usuários experientes:
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Defina um objetivo de curto prazo (por exemplo, conseguir uma colaboração ou uma nova posição).
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Mantenha o perfil atualizado e completo, pois ele é sua vitrine profissional.
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Curadoria de conexões – aceite e procure conexões relevantes, filtrando o que aparece no seu feed.
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Consistência é chave – poste regularmente e interaja com quem comenta suas publicações.
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Seja corajoso – compartilhe suas opiniões e perspectivas, mesmo que não sejam as mais populares.
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Conecte-se com intenção – construa relação antes de pedir algo (evite mensagens frias pedindo emprego).
Networking que funciona
Vanesa Ayala-Núñez, pesquisadora de oncologia na Suíça, usou a plataforma para se conectar com outras cientistas latino-americanas na Europa, criando uma rede de apoio baseada em experiências em comum. Esse tipo de aproximação pode abrir portas para colaborações e projetos conjuntos.
Ruth Gotian, especialista em educação médica no Weill Cornell Medicine, reforça a importância de não soar transacional: “As pessoas gostam de trabalhar com quem conhecem, gostam e confiam”. Ela recomenda o modelo 24/7/30: conectar-se com alguém até 24 horas após o encontro, enviar uma mensagem ou artigo relacionado após 7 dias e retomar o contato 30 dias depois, sempre oferecendo valor, e não apenas pedindo algo.
Autenticidade como diferencial
Outro achado importante do estudo é que autenticidade é um dos principais motores de engajamento. Profissionais como Lucy Lawrence e Jyotisman Rath destacam que postar de forma genuína, compartilhar opiniões pessoais e demonstrar entusiasmo pelo próprio trabalho atrai conexões qualificadas e promove conversas de alto nível. Rath, por exemplo, fez um desafio de 100 dias postando diariamente sobre eletroquímica, o que o levou a interagir com líderes da área e garantir um estágio em uma start-up de baterias.
Essa abertura pode incluir elementos pessoais, desde que mantenham relação com o contexto profissional. No entanto, especialistas alertam para o cuidado com privacidade e segurança, como evitar divulgar localização em tempo real ou informações sensíveis.
Oportunidades concretas
Os relatos mostram que o LinkedIn não é apenas para “curtir” posts, mas pode gerar resultados práticos. Obasi foi convidada para palestras internacionais após compartilhar suas experiências em integridade científica. Ayala-Núñez formou equipe para escrever um artigo de revisão com colegas de outros países. Profissionais de comunicação científica como Lawrence e Siddharth Kankaria atraem clientes e projetos por meio da plataforma.
Em resumo, o estudo revela que LinkedIn pode ser uma poderosa alavanca para cientistas e profissionais da saúde – desde que usado de forma consistente, estratégica e autêntica. A plataforma é hoje mais do que um currículo digital: é um espaço ativo de aprendizado, colaboração e construção de reputação.
Referência:
Conlon, A. M. (2025, September 8). ‘LinkedIn is like air to me’: The scientists who’ve cracked professional networking. Nature. https://www.nature.com/articles/d41586-025-02494-x





