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Gripe de 1918: Novas Evidências Sobre Vítimas Saudáveis

Gripe de 1918: Novas Evidências Sobre Vítimas Saudáveis
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out. 10 - 3 min de leitura
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A pandemia de COVID-19 nos proporcionou um vislumbre de como circunstâncias sociais, ambientais e biológicas podem moldar a probabilidade de doença e morte, mesmo quando se trata de uma doença para a qual ninguém possui imunidade pré-existente.

Em um paralelo com o passado, a pandemia de gripe de 1918, que exterminou cerca de 50 milhões de pessoas globalmente, apresentou um mistério: por que tantos jovens saudáveis morreram? Naquela época, devido ao alto número de indivíduos adoecendo simultaneamente, a percepção predominante entre os médicos era de que pessoas saudáveis estavam igualmente propensas a morrer quanto aquelas já enfermas ou frágeis.

Entretanto, uma recente pesquisa bioarqueológica desafia essa crença. Este estudo utilizou uma abordagem inovadora, combinando informações individuais sobre saúde e estresse extraídas dos restos esqueléticos de indivíduos que faleceram em 1918. Seu objetivo era determinar se eram realmente as pessoas saudáveis que estavam morrendo durante a pandemia ou se a fragilidade subjacente contribuía para um risco aumentado de mortalidade.

O estudo foi conduzido por especialistas da McMaster University, Canadá, e da University of Colorado Boulder, Estados Unidos. Contrariando a crença popular de que jovens saudáveis eram especialmente vulneráveis, o estudo sugere que fatores pré-existentes desempenharam um papel significativo na determinação da mortalidade.

A gripe de 1918, responsável pela morte de aproximadamente 50 milhões de pessoas mundialmente, tem sido historicamente interpretada com base em registros e documentações da época. A visão predominante até então era de que a doença afetava indiscriminadamente, vitimando tanto os saudáveis quanto os já debilitados.

Contudo, a análise de restos esqueléticos de 369 indivíduos, pertencentes à Coleção Esquelética Documentada Hamman-Todd no Cleveland Museum of Natural History, revelou uma história diferente. Estes restos foram categorizados em dois grupos: os que faleceram antes e durante a pandemia.

Lesões nos ossos da perna, indicativas de estresses anteriores – sejam eles ambientais, sociais ou nutricionais –, mostraram-se frequentes nas vítimas da pandemia. Amanda Wissler, autora principal do estudo, sublinha que "nossas circunstâncias – sociais, culturais e imunológicas – sempre moldaram a vida e a morte das pessoas".

Essa descoberta ecoa padrões observados em crises mais recentes, como a pandemia de COVID-19, onde condições pré-existentes e fatores socioeconômicos influenciaram significativamente as taxas de mortalidade. A pesquisa ressalta também a necessidade de considerar fatores amplificadores, como racismo e discriminação, ao avaliar riscos durante epidemias.

Tais elementos, já observados em eventos históricos como a Peste Negra em Londres, reforçam a complexidade das análises de mortalidade em grandes pandemias. Com esta nova perspectiva sobre a gripe de 1918, os especialistas esperam aprofundar a compreensão da relação entre status socioeconômico e mortalidade em futuras investigações.

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Referências:


  • Amanda Wissler, Sharon N. DeWitte. Frailty and survival in the 1918 influenza pandemic. Proceedings of the National Academy of Sciences, 2023; 120 (42) DOI: 10.1073/pnas.2304545120
  • McMaster University. "Evidence from the remains of 1918 flu pandemic victims contradicts long-held belief that healthy young adults were particularly vulnerable." ScienceDaily. ScienceDaily, 10 October 2023. <www.sciencedaily.com/releases/2023/10/231009191721.htm>.



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