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Uma reflexão sobre a distanásia

Uma reflexão sobre a distanásia

Definição de Distanásia: prática pela qual se prolonga através de meios artificiais e desproporcionais as possibilidades reais de sobrevivência, a vida de um enfermo incurável em fase de terminalidade da vida. Morte prolongada, lenta, ansiosa e com grande sofrimento, gerada por obstinação terapêutica. Que serve apenas às necessidades de uma sociedade decadente, que não assume a morte como algo natural e inescapável.

Ao longo dos longos anos de estudo e ainda pequeno no aprendizado da Medicina, o óbvio sobre a morte na Medicina sempre me pareceu oculto, covardemente escondido, um tabu que faz sofrer milhares de pacientes e familiares.

Se ‘’ Medicina é bom senso‘’, conforme dizia o professor na faculdade, cadê o bom senso que a gente não vê (e já faz teeeempo ) por aí, onde o paciente moribundo não pode mais morrer, muito menos “no meu plantão”, onde inúmeras vezes, nitidamente esgotadas todas as reais e plausíveis possibilidades de recuperação, pacientes são entubados, ligados a todos os tipos de recursos ( recursos ??!! ), transferidos e mantidos em UTIs sobre o pretexto de “se fazer tudo”, prolongando inutilmente uma existência já sem prognóstico visível nenhum?

De antemão, já digo que eu também faço todo o possível, de acordo com chefes e colegas, com os serviços onde já trabalhei e trabalho, e também sempre debaixo da anuência de familiares e responsáveis, apesar de partilhar da opinião de um intensivista do grande Sírio Libanês em entrevista com o inoxidável Dráuzio Varela. Ele disse mais ou menos assim: “como a família pode decidir?!... Ela não sabe com o que está lidando”.

Eu achei tão claro, óbvio, sensato, técnico e “humano” essa percepção tão simples da realidade. E claro que eu sigo as leis e os protocolos, mesmo não concordando de jeito nenhum com eles.

Distanásia é o termo, que não fui eu que inventei. Só tristemente me identifiquei demaaaaais com ele, frustrando minha vontade de ser intensivista, internista ou coisa parecida.

Fazer esse “tudo” que parece que pouca gente sabe interpretar direitinho, sejam pacientes ou profissionais, pra mim é curar quando possível, aliviar às vezes, consolar sempre (by Hipócrates), mas sempre, sempre ... sem nenhuma distanásia!

007 – Viva e deixe morrer!!

 

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EVANDRO MACIEL ARANTES
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EVANDRO MACIEL ARANTES MÉDICO CRM-MG – 32251 GRADUAÇÃO EM MEDICINA - 1997 ESPECIALIZAÇÃO EM CLÍNICA MÉDICA - 2001 - UNIFESP-EPM, SÃO PAULO

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