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Doenças hepáticas e síndrome metabólica associada ao consumo de álcool

Doenças hepáticas e síndrome metabólica associada ao consumo de álcool
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fev. 20 - 3 min de leitura
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Revisão publicada no Journal of Hepatology sobre a epidemiologia e implicações clínicas do consumo de álcool associado à síndrome metabólica discute impactos independentes e combinados do problema, principalmente relacionados a doenças hepáticas. O uso de álcool e a síndrome metabólica são altamente prevalentes na população e frequentemente coexistem. Ambos implicam em diversos problemas de saúde, entre deles doença crônica do fígado, carcinoma hepatocelular e outras enfermidades hepáticas.

Os efeitos prejudiciais do álcool não estão restritos a indivíduos com alto consumo dessa bebida, porém níveis seguros de ingesta de álcool são difíceis de definir. A Organização Mundial da Saúde recomenda que as pessoas não bebam mais de 20 g/dia de etanol puro (2 bebidas comuns), estando seu consumo acima disso associado ao aumento de riscos cardiovasculares e mortalidade relacionada ao câncer.

Anualmente, ocorrem mais de 2.4 milhões de mortes decorrentes do uso de álcool, sendo a mortalidade mais alta entre homens do que entre mulheres e jovens adultos. As doenças cardiovasculares relacionadas ao álcool são as principais responsáveis pelas mortes, seguida por ferimentos e doenças digestivas. Além disso, foi reportado pelos Estados Unidos e Reino Unido que a mortalidade de doenças hepáticas relacionadas ao álcool aumentou em aproximadamente 20% durante a pandemia do COVID-19.

Segundo a revisão, a síndrome metabólica se tornou um problema global e é altamente atribuída ao excesso calórico consumido, inatividade física, consumo de tabaco e baixa qualidade alimentar, contribuindo para uma série de fatores, como obesidade, alta resistência à insulina, dislipidemia e hipertensão arterial. Além disso, pacientes com essa síndrome frequentemente tem diabetes tipo II, NAFLD e fenótipo aterogênico de lipoproteína. 

A síndrome aumenta o risco de problemas relacionados ao fígado, independentemente ou associados ao uso de álcool. Em estudo finlandês, avaliado durante a revisão, foi encontrado que 42% dos problemas relacionados ao fígado são relacionados ao álcool, sendo os mesmos mais comuns entre jovens com NAFLD. Já em estudo francês, foi identificado que as complicações hepáticas foram atribuídas ao uso de álcool, onde menos de 10% foi atribuído à síndrome metabólica ou obesidade.

O resultado de doenças no fígado devido ao efeito da interação entre o uso abusivo de álcool e síndrome metabólica é maior do que a soma de efeitos individuais. Diversos estudos mostraram efeitos aditivos entre os dois fatores sobre doenças hepáticas. Evidência mostra que álcool e fatores metabólicos têm fatores independentes e combinados sobre o início e a progressão da doença hepática crônica. Assim como fatores de risco para doenças cardiovasculares, onde os riscos podem ser quantificados com fatores preditivos, as doenças hepáticas são multifatoriais.

Referência:

Fredrik Åberg; Christopher D. Byrne; Carlos J. Pirola; Ville Männistö; Silvia Sookoian. Alcohol consumption and metabolic syndrome: Clinical and epidemiological impact on liver disease. DOI:https://doi.org/10.1016/j.jhep.2022.08.030

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