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Estresse e Sono Ruim Podem Reduzir Defesa do Sistema Imune, Sugere Pesquisa

Estresse e Sono Ruim Podem Reduzir Defesa do Sistema Imune, Sugere Pesquisa
Comunidade Academia Médica
dez. 17 - 4 min de leitura
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Em um estudo com 60 estudantes do sexo feminino, entre 17 e 23 anos, pesquisadores da Arábia Saudita observaram que sintomas de ansiedade e de insônia se associaram a reduções importantes em células natural killer (NK), um dos principais “braços” da imunidade inata responsáveis por reconhecer e eliminar, precocemente, células danificadas ou infectadas e ajudar no controle de infecções. Essas células circulam no sangue e também podem estar presentes em tecidos e órgãos; quando seus níveis caem demais, a defesa imunológica pode ficar comprometida, elevando a vulnerabilidade a adoecimentos.

A pesquisa, publicada em Frontiers in Immunology, avaliou as participantes com questionários sobre características sociodemográficas e sintomas de ansiedade e insônia, todos autorreferidos, e coletou amostras de sangue para quantificar diferentes tipos de NK. De acordo com os levantamentos, cerca de 53% das estudantes relataram dificuldades de sono consistentes com insônia e 75% reportaram sintomas de ansiedade; aproximadamente 17% e 13% foram classificadas nas faixas moderada e grave, respectivamente. No laboratório, os pesquisadores analisaram subgrupos de NK descritos no estudo como CD16+CD56dim (associadas a maior potencial citotóxico, isto é, capacidade de destruir células-alvo) e CD16+CD56high (menos frequentes e mais relacionadas à liberação de proteínas mensageiras e à imunorregulação), consideradas como NK circulatórias no contexto do trabalho.

Os achados apontaram uma associação consistente entre sintomas de ansiedade e menor percentual e menor número de células NK circulatórias, incluindo seus subtipos, quando comparadas às estudantes sem sintomas. A intensidade do quadro também pareceu relevante: participantes com sintomas moderados ou graves apresentaram redução mais acentuada na proporção de NK circulatórias, enquanto aquelas com sintomas mínimos ou leves tiveram apenas uma queda pequena e sem significância estatística. Entre as estudantes com sintomas de insônia, os autores também observaram declínios na contagem e no percentual de NK totais e de suas subpopulações; além disso, em quem relatava insônia, escores mais altos de ansiedade se associaram a uma menor proporção de NK periféricas totais.

Do ponto de vista clínico e biológico, os autores destacam que a queda de NK pode enfraquecer a performance imunológica e se relacionar a maior risco de diferentes desfechos, como infecções e cânceres, além de possíveis conexões com condições de saúde mental, como depressão. Na interpretação do grupo, compreender como estressores psicológicos e alterações do sono influenciam a distribuição e a atividade de células imunes — especialmente NK periféricas — pode ajudar a esclarecer mecanismos envolvidos em inflamação e em processos associados à formação de tumores. Ao mesmo tempo, os próprios pesquisadores ressaltam limites importantes: a amostra incluiu apenas mulheres jovens, grupo no qual ansiedade e problemas de sono têm aumentado de forma desproporcional, o que restringe a generalização para outras idades, sexos e contextos. Por isso, defendem a necessidade de estudos com populações mais diversas e em diferentes regiões geográficas para entender melhor como ansiedade e insônia influenciam níveis e função das NK.

Embora o trabalho não teste intervenções, os autores lembram que pesquisas anteriores sugerem que hábitos saudáveis, como prática regular de atividade física, redução de estresse e alimentação equilibrada, podem contribuir para melhorar níveis e desempenho de NK. Ainda assim, reforçam que ansiedade e insônia podem interferir em processos biológicos ao longo do corpo, incluindo respostas imunes, e possivelmente participar do caminho para doenças crônicas e inflamatórias, comprometendo saúde e qualidade de vida.


Referência:

https://www.frontiersin.org/journals/immunology/articles/10.3389/fimmu.2025.1698155/full

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