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Influência genética nas preferências visuais de bebês: Rostos ou Objetos?

Influência genética nas preferências visuais de bebês: Rostos ou Objetos?
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nov. 28 - 4 min de leitura
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Pesquisadores da Universidade de Uppsala e do Instituto Karolinska descobriram que as preferências visuais de bebês aos cinco meses, como o interesse por rostos humanos ou objetos não-sociais (como carros ou celulares), são em grande parte determinadas geneticamente. Publicado na revista Nature Human Behaviour, em 27 de novembro de 2023 e divulgado em Science Daily este estudo oferece insights sobre a base biológica das experiências visuais únicas dos bebês e seu aprendizado.

O estudo analisou a preferência por rostos versus objetos não-sociais em mais de 500 gêmeos bebês, usando um rastreador de olhos adaptado para crianças. Descobriu-se que as preferências individuais por rostos podem ser amplamente explicadas pela genética, não sendo influenciadas pelo ambiente familiar nessa fase inicial da vida.

A figura abaixo, demonstra o 'paradigma do destaque facial', incluindo uma configuração exemplificativa e gráficos dos principais dados de medição do olhar:

Fonte:  Portugal, A.M., Viktorsson, C., Taylor, M.J. et al., 2023

A imagem apresenta duas partes distintas: a primeira (a) mostra um bebê realizando uma tarefa de preferência visual, onde o foco é o 'destaque facial'. A segunda parte (b) exibe gráficos de 'raincloud' detalhando três medidas primárias de observação obtidas da tarefa, aplicada em 536 bebês de 5 meses de idade. Estas medidas incluem a orientação para rostos, a preferência por rostos (ambas significativamente acima do nível de chance, indicado por linhas tracejadas verticais) e a eficiência da exploração visual durante os primeiros 10 segundos de cada teste."

Ana Maria Portugal, pesquisadora pós-doutora e primeira autora do estudo, destaca que, mesmo antes de os bebês poderem escolher seu ambiente através de gestos ou movimentos, eles criam suas próprias experiências perceptivas únicas. A pesquisa indica que bebês que mostraram maior interesse por rostos aos cinco meses possuíam um vocabulário mais amplo no segundo ano de vida, sugerindo uma ligação entre preferências visuais precoces e desenvolvimento posterior.

Os pesquisadores também observaram que os gêmeos idênticos (que compartilham 100% do DNA) apresentaram preferências visuais mais semelhantes em comparação com os gêmeos fraternos (que compartilham 50% do DNA), fortalecendo a hipótese da influência genética.

O estudo também investigou a relação entre as preferências visuais dos bebês por rostos e o desenvolvimento de comportamentos relacionados ao autismo. Apesar do autismo ser parcialmente caracterizado por desafios na comunicação social, os resultados não mostraram uma ligação forte entre a preferência inicial por rostos e habilidades sociais futuras, indicando que essa preferência visual não é um indicador precoce de autismo. Não foi encontrado diferenças significativas de gênero na preferência por rostos, sugerindo semelhanças no desenvolvimento visual de meninos e meninas nos primeiros meses de vida.

O Professor Terje Falck-Ytter, investigador principal do estudo, enfatiza que os genes que influenciam a preferência por rostos não são os mesmos que os envolvidos no contato visual, como olhar principalmente para os olhos ou para a boca ao ver um rosto. Isso sugere bases genéticas e evolutivas distintas para esses comportamentos sociais básicos.

Este estudo, parte do projeto Babytwins Study Sweden (BATSS), ressalta a complexidade do desenvolvimento infantil e a importância de compreender as bases biológicas das preferências e comportamentos iniciais, ampliando nosso entendimento sobre o desenvolvimento cognitivo e social desde os primeiros meses de vida.

A Imagem apresentadas neste conteúdo foi extraída da pesquisa original. Para uma consulta detalhada ao estudo completo, disponibilizamos aqui o link de acesso.





Leia também:


Referência:

  • Portugal, A.M., Viktorsson, C., Taylor, M.J. et al. Infants’ looking preferences for social versus non-social objects reflect genetic variation. Nat Hum Behav (2023). https://doi.org/10.1038/s41562-023-01764-w
  • Uppsala University. "Genes influence whether infants prefer to look at faces or non-social objects." ScienceDaily. ScienceDaily, 27 November 2023. <www.sciencedaily.com/releases/2023/11/231127132426.htm>.

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