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O ônus dos veículos midiáticos em relação ao COVID-19

O ônus dos veículos midiáticos em relação ao COVID-19

Novas doenças são assustadoras. Porque são desconhecidas. Porque são imprevisíveis. Porque não há epidemiologia, tampouco história natural. Epidemias, desde os tempos imemoriais, afetam o psicológico das pessoas. Porque estão no imaginário. Porque são associadas à morte repentina. Ao massacre. E agravos como a atual descrença da ciência corrobora no medo contagioso. 

A pandemia em curso do vírus corona recebeu ampla atenção dos veículos midiáticos, e esta cobertura ilustra a ideia de que a incerteza pode causar o medo. 

Primariamente, ressalta-se que as “emoções do jornalismo” são inerentes em toda a sociedade, visto que a mídia desempenha papel fundamental na agenda do debate público. Pesquisas demonstram que determinados assuntos que recebem ampla atenção midiática tendem a ser vistos, pelo público, como mais importantes. É factual que o Coronavírus tem sido muito mais pontual nos noticiários que muitas outras epidemias modernas, como o ebola. 

Expressões sensacionalistas como “vírus assassino” e “doença mortal” corroboram na ideia de que a linguagem indutora de medo, recheada de metáforas e hipérboles, foi uma das responsáveis pelo pânico público gerado diante do cenário do Covid-19.

De fato, é natural a tendência, diante dos últimos momentos, de se criar pânico, visto que é uma característica das epidemias mais graves que tem um aumento rápido nos casos da doença.

A declaração da Organização Mundial da Saúde (OMS) de estado de emergência global e pandemia, significa que todos os países devem trabalhar, de forma articulada, no sentido de manter os fluxos de informações regulares, além de análise e elaborações que mitiguem o impacto da doença.  Além disso, é notório que o principal problema do vírus não é, de fato, sua taxa de mortalidade, mas sim a sua alta taxa de transmissão, o que poderia superlotar o sistema de saúde.

Em tempos de pandemia, multiplica-se a desinformação, as vozes de especialistas e há uma febre de publicações científicas. Para a cientista Joana Gonçalves de Sá: “um dos grandes problemas é o excesso de informação, o que faz com que haja ruído à volta do tema. Neste grande volume de informação, existe aquela que é fidedigna e a que não é. Dentro da que não é fidedigna há aquela que é bem-intencionada – a que é partilhada pelas pessoas porque há a necessidade de se perceber e comunicar o que se está a passar – e a mal-intencionada, como as "fake news". Para a grande maioria das pessoas, não é fácil perceber o que é informação verdadeira, o que não é e em qual é que se pode confiar.” Em elo a esse posicionamento, ressalta-se o pensamento de Zygmunt Bauman: “somos inundados de informação e famintos de sabedoria.”

Portanto, diante de um momento repleto de informações erradas, notícias falsas e teorias da conspiração, é de suma importância a alerta, não só do COVID-19, mas aos perigos da emoção contagiosa diante da incerteza. 

 


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Bárbara Figueiredo
Bárbara Figueiredo Seguir

Acadêmica de Medicina na Fundação Educacional de Patos de Minas.

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