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O risco cardiovascular alto e muito alto foi associado a sintomas depressivos, principalmente em mulheres

O risco cardiovascular alto e muito alto foi associado a sintomas depressivos, principalmente em mulheres

Cientistas espanhóis investigaram, por meio  de um estudo transversal e longitudinal, a associação entre fatores de risco cardiovascular (RCV) e estado depressivo em uma população (55–75 anos) com síndrome metabólica. A pesquisa foi realizada durante dois anos e, em seus achados, os pesquisadores encontraram que entre as mulheres e participantes com níveis baixos de colesterol total basal (<160 mg/mL), a RCV foi diretamente associada à depressão. 

Outro estudo, de origem brasileira (ELSA-Brasil), mostrou que a saúde cardiovascular classificada como ruim está associada à depressão e triplica o risco de depressão após quase 4 anos de acompanhamento em adultos saudáveis. Esses resultados foram mais encontrados em mulheres e em participantes com menos de 55 anos, corroborando com os achados do estudo espanhol.

Em relação aos mecanismos fisiopatológicos que podem  explicar a correlação entre às duas patologias, o estudo cita como hipóteses a inflamação e estresse oxidativo, obesidade, Síndrome Metabólica, sensibilidade à insulina reduzida, elevações nos níveis plasmáticos de homocisteína, disfunção endotelial, aumento da produção de citocinas pró-inflamatórias ou polimorfismo de nucleotídeo único no gene BDNF (BDNFVal66Met).

Assim, melhorar a saúde cardiovascular, atuando nos mecanismos fisiopatológicos comuns e/ou nos fatores de risco cardiovasculares, poderiam diminuir o desenvolvimento do risco de depressão. Para a prevenção das duas condições as medidas estudadas e comprovadas são mudanças no estilo de vida. 

A adoção de um padrão alimentar anti-inflamatório aliado a um estilo de vida saudável pode prevenir doenças cardiovasculares e depressão. Dessa maneira são indicados padrões alimentares com alto teor de frutas e hortaliças, azeite de oliva, nozes, peixes e grãos integrais e baixo teor de carnes, produtos cárneos, produtos de panificação comercial, gorduras trans, sobremesas, açúcar e bebidas açucaradas.

Como explicação para prevenir tais patologias, a dieta mediterrânea possui efeitos anti-inflamatórios além de efeitos na microbiota intestinal, mecanismo que interfere no eixo microbiota intestinal-cérebro, diminuindo o risco de desenvolvimento de depressão. 

Além disso, a mudança no padrão alimentar é benéfica, pois os níveis de colesterol sérico podem estar associados com a função do receptor serotoninérgico. Assim, a baixa ingestão de colesterol na dieta leva à diminuição da atividade serotoninérgica central. O colesterol HDL baixo tem sido associado a maiores chances de sintomas depressivos de início recente em participantes com idade entre 65 e 70 anos e tem sido sugerido que os níveis séricos de colesterol, especialmente o colesterol LDL são inversamente correlacionadas com o humor depressivo. 

Por fim, foi estabelecido que pessoas com diabetes tipo 2 têm prevalência e incidência aumentadas de depressão em relação a pessoas sem diabetes. Os mecanismos fisiopatológicos que poderiam explicar essa associação incluem a carga psicológica de estar doente, que pode desempenhar um papel importante no desencadeamento de ansiedade e depressão, alterações estruturais no cérebro ou o uso de tratamento antidepressivo.


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Referência

  1. MARTÍN-PELÁEZ, Sandra et al. Contribution of cardio-vascular risk factors to depressive status in the PREDIMED-PLUS Trial. A cross-sectional and a 2-year longitudinal study. PloS one, v. 17, n. 4, p. e0265079, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1371/journal.pone.0265079. Acesso em 29 de abril de 2022.

 

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