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Psicodélico tem eficácia antidepressiva — comprovam cientistas

Psicodélico tem eficácia antidepressiva — comprovam cientistas

 

A psilocibina é uma substância biologicamente inativa encontrada em fungos, mas que quando ingerida é convertida pelo corpo em psilocina, que tem efeitos alucinógenos. Ao estudar a aplicação da psilocibina em pacientes depressivos, cientistas descobriram que a substância mostrou potencial de antidepressivo(entretanto, suas ações terapêuticas não estão bem definidas). A descoberta foi publicada na Nature Medicine, no dia 11 de abril.

 Os pesquisadores avaliaram o impacto subagudo da psilocibina na função cerebral em dois ensaios clínicos de depressão. O primeiro foi realizado com pacientes que vivem depressão resistente. Já o segundo consistiu na comparação dos efeitos da substância com a ação do escitalopram, famoso antidpressivo.

Nos dois casos, a resposta antidepressiva à ação da psilocibina foi rápida, sustentada e correlacionada com diminuições na modularidade da rede cerebral verificadas na ressonância magnética funcional.

As análises de ressonância indicaram que as redes funcionais ricas em receptores de serotonina tornaram-se mais interconectadas funcionalmente e flexíveis após o tratamento com psilocibina. Isso evidencia que o aumento da integração da rede cerebral global acompanha a eficácia antidepressiva da terapia com psilocibina. Em comparação, a resposta antidepressiva ao escitalopram foi mais branda e não foram observadas alterações na organização da rede cerebral.

A ação terapêutica da psilocibina e de outros psicodélicos ainda não está bem esclarecida, porém, há um estudo que propõe que os psicodélicos induzem uma desregulação de atividade neuronal ao nível populacional induzido pelo receptor da serotonina, assim gerando uma desintegração temporária de redes cerebrais intrínsecas funcionais e uma redução hipotética no peso de precisão dos modelos preditivos codificados pela integridade dos módulos funcionais. 

Para obter o licenciamento para a terapia com psilocibina são necessários estudos clínicos randomizados controlados duplo-cegos de fase III bem-sucedidos serão necessários para obter o licenciamento para a terapia com psilocibina, mas os ensaios pragmáticos podem abordar melhor as questões relativas à viabilidade, especificidade e otimização do tratamento.

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Referência 

1.Daws, R.E., Timmermann, C., Giribaldi, B. et al. Increased global integration in the brain after psilocybin therapy for depression. Nat Med (2022). Disponível em: https://doi.org/10.1038/s41591-022-01744-z.Acesso em 13 de abril de 2022.

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