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Redes sociais e saúde mental: o que nos diz essa relação?

Redes sociais e saúde mental: o que nos diz essa relação?

Você já refletiu sobre a relação entre redes sociais e saúde mental? Com a pandemia de COVID-19, mudamos a forma como consumimos conteúdo, nos relacionamos com as outras pessoas, comemoramos épocas especiais, estudamos e trabalhamos. 

Se antes, o uso excessivo das redes sociais já era objeto de estudo de psiquiatras, psicólogos, comunicadores e especialistas em comportamento, a pandemia trouxe à tona a importância de refletirmos sobre o assunto. Afinal, as redes sociais são vilãs ou mocinhas quando nossa saúde mental está em jogo?

Será que é saudável estar nas redes sociais o tempo todo? Quando é o momento de fazer um detox digital? Para pensar sobre essas e outras  reflexões,  recorremos à palestra do médico psiquiatra, Flávio Milman Shansis, batizada como “Redes sociais e saúde mental”, divulgada no TEDx Talks. A seguir, confira as principais conclusões sobre o assunto!

1.Excesso de redes sociais está associado a sintomas depressivos

Não existe um consenso na literatura científica sobre os impactos das redes sociais na saúde mental das pessoas. No entanto, há pesquisas que indicam que usar as redes sociais em excesso causa sintomas de depressão. Os mais comuns são: tristeza e solidão.

Atenção: essa evidência não retrata a complexidade das relações. Tanto que Shansis destacou, em sua palestra, que as pessoas podem sentir-se felizes e conectadas umas com as outras devido ao poder das redes sociais (diante das fases mais intensas isolamento social, foi o que restou, certo?)

2. As redes sociais afetam a autoestima das pessoas

A autoestima é uma condição importante para que as pessoas se sintam bem e sejam confiantes em diversas dimensões da vida como: profissional, pessoal, amorosa e familiar.

Na psicologia, a autoestima é muito influenciada pelo julgamento que uma pessoa faz sobre si mesma e as redes sociais podem afetar esse julgamento.  Em um tempo dominado pelos influencers digitais, a busca pela perfeição, a comparação com a vida alheia e com os cenários de vida “instagramáveis” pode custar caro para a saúde mental.

Inclusive, há pesquisadores que associam a baixa autoestima com a necessidade de autopromoção constante nas redes sociais.

3. Redes sociais e dependência do celular

A dependência das redes sociais e o medo de ficar sem celular já tem o nome de uma doença: a Nomofobia — há controvérsias sobre o assunto já que, atualmente, o Código Internacional de Doenças (CID) classifica apenas o uso abusivo de jogos eletrônicos como um problema de saúde.

É importante lembrar que  um diagnóstico preciso requer uma análise séria e detalhada sobre os hábitos, o comportamento, a rotina e a vida de uma pessoa. 

No entanto, não largar as redes sociais é um vício que pode trazer enormes prejuízos sociais para a população. Os riscos podem ser associados ao sofrimento mental, à insônia, à exposição aos acidentes de trânsito, à desatenção e aos sintomas de ansiedade, por exemplo.

Como usar redes sociais de forma saudável?

Não é o objetivo deste texto condenar as redes sociais. Não há como classificá-las como vilãs ou mocinhas, quando a complexidade do uso delas é muito maior. Se por um lado, o uso em excesso das redes sociais pode prejudicar a saúde mental, há quem usufrua desses canais para fazer amizades, socializar, consumir informação de qualidade e trocar experiências. É por isso, que finalizamos o texto com uma fala muito precisa do psiquiatra Flávio Milman Shansis:

 

“A gente tem que se despir dos preconceitos e olhar as redes sociais de outra forma, com uma visão muito menos alarmista e muito menos reducionista, e esperando que as futuras pesquisas possam nos dar luzes para entendermos melhor essa relação entre saúde mental e redes sociais”.

Assista à palestra de Shansis na íntegra:

 

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Referências

  1. HORMES, Julia M.; KEARNS, Brianna; TIMKO, C. Alix. Craving F acebook? Behavioral addiction to online social networking and its association with emotion regulation deficits. Addiction, v. 109, n. 12, p. 2079-2088, 2014.

  2. MAZIERO, Mari Bela; DE OLIVEIRA, Lisandra Antunes. Nomofobia: uma revisão bibliográfica. Unoesc & Ciência-ACBS, v. 8, n. 1, p. 73-80, 2017.

  3. SBP. CID 11 define uso abusivo de jogos eletrônicos como doença. Disponível em: https://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/cid-11-define-uso-abusivo-de-jogos-eletronicos-como-doenca/. Acesso em 25/02/2022.


 

Academia Médica
Bruna Martins Oliveira
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Jornalista graduada pela PUCPR e Mestranda em Informação e Comunicação em Saúde pelo PPGICS da Fiocruz. Atualmente, pesquiso sobre saúde mental, mulheres e redes de apoio e comunicação.

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