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OMS Lança Diretrizes Para Uso de Lenacapavir Injetável na Prevenção do HIV

OMS Lança Diretrizes Para Uso de Lenacapavir Injetável na Prevenção do HIV
Comunidade Academia Médica
jul. 23 - 4 min de leitura
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A Organização Mundial da Saúde (OMS) anuncia uma atualização em suas diretrizes para prevenção do HIV, recomendando oficialmente o uso do lenacapavir (LEN) injetável como profilaxia pré-exposição (PrEP), administrada apenas duas vezes ao ano. O anúncio foi realizado durante a 13ª Conferência da International AIDS Society (IAS 2025), em Kigali, Ruanda, e representa um marco potencial para o controle global do HIV.

Um novo paradigma em PrEP: proteção semestral

O lenacapavir (LEN) é o primeiro agente injetável de PrEP com administração semestral, tornando-se uma alternativa de alta eficácia às estratégias tradicionais, como o uso diário de antirretrovirais orais e outras opções de ação mais curta. A principal inovação está na simplicidade: apenas duas aplicações anuais oferecem proteção sustentada para pessoas sob risco, especialmente aquelas com dificuldades de adesão diária, exposição ao estigma ou acesso limitado aos serviços de saúde.

De acordo com estudos apresentados, o LEN demonstrou ser capaz de prevenir quase todas as infecções pelo HIV em populações sob risco elevado, apresentando eficácia comparável ou superior às demais estratégias profiláticas já estabelecidas. “Enquanto a vacina contra o HIV ainda é um objetivo distante, o lenacapavir desponta como o próximo melhor recurso”, destaca Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, Diretor-Geral da OMS.

Diretriz simplificada: testagem acessível e descentralizada

Além da introdução do LEN, a OMS recomenda uma abordagem simplificada para o diagnóstico de HIV, utilizando testes rápidos e permitindo que a PrEP injetável de longa ação – tanto lenacapavir quanto cabotegravir (CAB-LA) – seja disponibilizada em farmácias, clínicas comunitárias e até via tele-saúde. Essa medida elimina procedimentos complexos e onerosos, democratizando o acesso à profilaxia e facilitando sua implementação em larga escala.

O lenacapavir soma-se ao portfólio de opções de PrEP recomendadas pela OMS, que já inclui o cabotegravir injetável, a PrEP oral diária e o anel vaginal de dapivirina. A orientação do organismo internacional é clara: governos, doadores e parceiros globais devem começar a incorporar imediatamente o LEN aos programas nacionais de prevenção combinada do HIV, enquanto monitoram de perto a adesão e os resultados reais no mundo.

Outro ponto inovador das diretrizes divulgadas é a integração dos serviços de HIV com o atendimento a doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) como hipertensão, diabetes e saúde mental – incluindo intervenções para depressão, ansiedade e transtornos relacionados ao uso de álcool. O objetivo é oferecer um cuidado mais completo, eficiente e centrado na pessoa.

No contexto do tratamento antirretroviral, a OMS passa a recomendar o uso do esquema injetável de longa duração cabotegravir/rilpivirina (CAB/RPV) como alternativa para adultos e adolescentes com supressão viral mantida e sem infecção ativa pelo vírus da hepatite B. Esta opção é especialmente relevante para pacientes que enfrentam dificuldades de adesão à terapia oral.

A OMS também atualizou as recomendações para o manejo de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) assintomáticas, sugerindo triagem ampliada para gonorreia e/ou clamídia em populações-chave e prioritárias.

Diante do desafio do financiamento reduzido para o HIV, a OMS divulgou ainda um guia operacional para manutenção dos serviços essenciais, priorizando recursos, monitoramento de interrupções e adaptação dos sistemas para proteger os avanços conquistados.

Por fim, diretrizes específicas foram publicadas para o manejo de pessoas vivendo com HIV e coinfecção por mpox (varíola dos macacos), incluindo a recomendação de início rápido do TARV e testagem precoce de HIV para todos os casos suspeitos ou confirmados de mpox.

Segundo Dr. Meg Doherty, diretora do Departamento de HIV, Hepatites e ISTs da OMS, “temos as ferramentas e o conhecimento necessários para acabar com a AIDS como problema de saúde pública; agora precisamos de implementação ousada, com foco em equidade e protagonismo das comunidades”.

Em 2024, o HIV ainda representa um desafio global: cerca de 40,8 milhões de pessoas viviam com o vírus, sendo 65% na África. Houve 1,3 milhão de novas infecções, incluindo 120 mil crianças, e 630 mil mortes relacionadas ao HIV. O acesso à terapia antirretroviral segue em expansão, com 31,6 milhões de pessoas em tratamento.



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