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Risco Cognitivo Motor e acidentes de trânsito em idosos

Risco Cognitivo Motor e acidentes de trânsito em idosos
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ago. 25 - 3 min de leitura
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Dirigir é uma atividade fundamental para a independência e mobilidade dos idosos. Contudo, o avanço da idade frequentemente traz declínios perceptuais e cognitivos, afetando visão, audição, atenção e velocidade de processamento – fatores cruciais para uma condução segura.

Um estudo publicado em JAMA Netw Open em 25 de agosto de 2023, realizado no Japão, buscou compreender a influência da Síndrome do Risco Cognitivo Motorizado (MCR) na capacidade de condução dos idosos. A MCR se caracteriza por preocupações subjetivas com a memória (SMC) e marcha lenta. Está ainda associada a uma diminuição da velocidade de processamento, função executiva e a um risco ampliado de desenvolver demência ou incapacidade. Logo, compreender sua relação com colisões automobilísticas é crucial para identificar idosos em situação de risco ao volante.

Analisando 12.475 motoristas idosos, o estudo identificou que aqueles diagnosticados com MCR tinham uma probabilidade maior de se envolver em colisões e incidentes de trânsito. Esta correlação manteve-se relevante mesmo quando se excluíram as colisões onde o idoso tinha responsabilidade parcial. A função cognitiva foi avaliada através de uma ferramenta que abrange memória, atenção e velocidade de processamento.  Interessante notar que, apesar de estudos anteriores já terem associado o declínio cognitivo a acidentes de trânsito, esta pesquisa destaca a MCR, caracterizada em parte por preocupações subjetivas com a memória (SMC), como um potencial fator de risco.

  Comparison of Car Collisions and Near-Miss Traffic Incidents Among Older Drivers in Japan by Motoric Cognitive Risk Syndrome (MCR) Assessment



JAMA Netw Open. doi:10.1001/jamanetworkopen.2023.30475

Os métodos adotados pelos pesquisadores envolveram o uso de questionários padronizados para analisar as preocupações relacionadas à memória e a avaliação da velocidade da marcha dos participantes. Além disso, o estudo analisou colisões ocorridas nos últimos dois anos, e avaliou situações de quase-acidentes por meio de 12 cenários específicos de direção.

Observou-se que os indivíduos diagnosticados com MCR, que inclui preocupações subjetivas com a memória (SMC) e marcha lenta, apresentavam proporções mais elevadas de sonolência diurna, doenças oculares e dificuldades auditivas em comparação com aqueles sem essa síndrome. Essas descobertas são particularmente relevantes, já que tais fatores estão associados a uma capacidade reduzida de condução e a um risco ampliado de colisões.

Este estudo realça a necessidade de compreender os declínios cognitivos e motores em condições como a MCR e suas implicações na condução por idosos. A detecção precoce e medidas preventivas são vitais para assegurar a segurança destes motoristas e de todos nas vias.

Leia também: 


Referência: 

Kurita S, Doi T, Harada K, et al. Motoric Cognitive Risk Syndrome and Traffic Incidents in Older Drivers in Japan. JAMA Netw Open. 2023;6(8):e2330475. doi:10.1001/jamanetworkopen.2023.30475



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