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1ª vacina contra Malária no mundo: OMS atualiza diretrizes de uso

1ª vacina contra  Malária no mundo: OMS atualiza diretrizes de uso

Nesta sexta-feira (4), a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou um documento  com novas diretrizes sobre o uso da 1ª vacina contra  Malária, aprovada em outubro de 2021. A vacina RTS, S/AS01 (RTS, S) é uma conquista para a saúde mundial e, com a atualização, a OMS recomenda ampliação da oferta para crianças que vivem em áreas conhecidas pelas altas e moderadas taxas de transmissão da malária P. falciparum.

A exceção da recomendação da vacina vale para os bebês, vacinados pela 1ª vez com faixa etária entre 6 e 12 semanas de idade. De acordo com a OMS, ainda faltam estudos sobre a eficácia da imunização nesta faixa etária e, por isso, não se recomenda a implementação de pilotos ou a introdução da vacina para os bebês.

Todas as recomendações da OMS estão disponíveis na plataforma MAGICapp. Além da análise sobre a eficácia da vacina e informações sobre o método utilizado pelos cientistas para desenvolver o imunizante, o órgão  também destaca ações de vigilância epidemiológica, prevenção e controle da doença, bem como diretrizes sobre o controle do vetor da doença e estratégias que fazem parte do Programa de Implementação da Vacina.

As orientações foram feitas a partir de uma revisão completa das evidências científicas pelos órgãos consultivos globais da OMS para malária e imunização e foram aprovadas pelo Comitê de Revisão das Diretrizes.

Vacina contra a malária: avanço para a ciência e para a saúde!

A malária é uma das doenças mais graves na saúde mundial. Apesar das medidas preventivas, a enfermidade é muito presente no mundo - dados do Relatório Mundial da Malária revelam que, somente em 2019, foram registrados 228 milhões de casos da doença no mundo, sendo 753.700 nas Américas que também contabilizaram 338 óbitos. 

Em regiões tropicais como o Brasil, o risco à saúde é ainda mais grave. Segundo um Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, em 2019, dados do Programa Nacional de Prevenção e Controle da Malária (PNCM) apontam que o país teve a notificação de 157.454 casos da doença. Hoje, o principal vetor da malária é o mosquito Anopheles darlingi e, além da malária falciparum, a vigilância epidemiológica atual considera  também os casos de malária mista. No primeiro semestre de 2020, foram registrados 60.713 casos de malária, sendo 8.758 casos de malária falciparum e malária mista.

Segundo a OMS, metade da população mundial está exposta ao risco de doença e, nas áreas com alta transmissão de Malária, mulheres grávidas e crianças estão mais vulneráveis, tanto na infecção quanto na morte. Neste contexto, Kate O’Brien, diretora do Departamento de Imunização, Vacinas e Biológicos, enfatiza a importância da vacina.

“A primeira vacina contra a malária é um grande passo em frente para o controle da malária, saúde infantil e equidade em saúde. Se implementada amplamente, a vacina pode salvar dezenas de milhares de vidas a cada ano. Esta orientação é essencial para os países que consideram se e como adotar a vacina como uma ferramenta adicional para reduzir doenças infantis e mortes por malária”.

Por fim, a OMS também afirmou que é importante considerar os contextos e configurações locais de cada país para  serem atualizadas as recomendações de tratamento, seja na vacinação, na ampliação das ferramentas de monitoramento e tratamento da doença e na combinação de estratégias adotadas para monitoramento e controle da doença.

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Referências

  1.  MINISTÉRIO DA SAÚDE. Boletim epidemiológico Malária 2020. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/boletins/boletins-epidemiologicos/especiais/2020/boletim_especial_malaria_1dez20_final.pdf. Acesso em 04/03/2022
  2. WHO. Primeira recomendação de vacina contra a malária agora publicada em um documento de posicionamento e nas diretrizes da OMS para a malária. Disponível em: https://www.who.int/news/item/04-03-2022-first-ever-malaria-vaccine-recommendation-now-published-in-a-position-paper-and-in-the-who-guidelines-for-malaria. Acesso em 04/03/2022
  3. WHO. Vacina contra a malária: documento de posicionamento da OMS – março de 2022. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/WER9709.  Acesso em 04/03/2022
  4. TAUIL, Pedro et al. A malária no Brasil. Cadernos de Saúde Pública, v. 1, n. 1, p. 71-111, 1985. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csp/a/YWWVk9gsmQsmhgWLptq7b4r/?format=pdf&lang=pt. Acesso em 04/03/2022

 

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