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A medicina mudou, entenda, decida e se atualize!

A medicina mudou, entenda, decida e se atualize!

Já não é de hoje que se fala que a medicina no modelo paternalista não funciona mais, os pacientes já chegam informados na consulta, querem participar da decisão terapêutica e diagnóstica deles.

Portanto, nesse momento, cabe ao médico ter as melhores ferramentas para "alegrar" e deixar o(a) seu(a) paciente contente.

Para esse artigo, portanto, vamos buscar entender o conceito chamado de apoio de decisão e uma ferramenta que pode auxiliar nesse processo.

 

 

O que é decisão compartilhada?

Além do médico expor os riscos ao paciente em relação aos tratamentos e colocá-los lado a lado com os benefícios, o médico deve colocar a escolha para ser tomada junto com o paciente e não fazê-la por ele. 

Cabe aqui ressaltar também a diferença entre consentimento informado e decisão compartilhada, naquele o médico expõe os riscos, os benefícios, no entanto a única opção que fica ao paciente é incorporar a decisão ou não.

Portanto, no modelo de decisão compartilhada, profissional e paciente, na consulta irão analisar as evidências, o profissional irá expor as opções e consequências e no fim dar a opção pela preferência do paciente.

 

Existe ferramenta para realizar e guiar esse processo de decisão compartilhada?

Existe sim e se chamam ferramentas de apoio de decisão, tratam-se de ferramentas de auxílio a fim de que facilite a vida do profissional no ato de expor as estratégias e as consequências em riscos e benefícios para uma questão clínica.

A principal característica de um apoio de decisão é existir mais de uma estratégia, com seus riscos e benefícios para uma mesma questão clínica.

 

Entre os critérios que um apoio de decisão deve conter estão:

  • Conteúdo atualizado - baseado em níveis de evidências disponíveis e de qualidade;

  • Livre de conflitos de interesse;

  • Possuir conteúdo real e equilibrado em relação a riscos e benefícios;

  • Ser eficaz na prática clínica.

 

O que a teoria da utilidade tem a ver com a prática médica?

Essa teoria importada da economia tem muito a ver com a medicina, pois ela irá versar sobre a maneira com a qual as pessoas tomam decisões.

No contexto da medicina, costumamos tomar decisões sob 4 contextos:

  • Sob certeza: ação acarretará 100% de ganho.

  • Sob incerteza: as ações possíveis levam a um conjunto de ganhos possíveis, mas as probabilidades associadas são desconhecidas e são diferentes de 100%;

  • Sob risco: existe uma probabilidade ou possibilidade de ocorrer valores para determinados eventos e fenômenos, sejam eles benéficos, indesejáveis ou/e adversos.

Duas grandes classes de tomadas de decisões permeiam a medicina contemporânea centrada nas preferências, são elas:

  • Decisão efetiva: as chances de eventos são claros e bem definidos, o benefício é comprovado e nitidamente maior que o prejuízo;

  • Decisão centrada nas preferências: o perfil risco-benefício está em um limiar estreito ou as consequências não são bem definidas.

 

Nesta última, é necessário que tenhamos coragem para dizer sobre as incertezas, para não deixar que o paciente, na sua ignorância em relação a sua saúde seja levada por informações falsas a tomar decisões sem um acompanhamento que podem no fim ser mais danosas. Além disso, no momento que as incertezas e as incapacidades do profissional são colocadas em jogo, quebra-se a possibilidade de criar falsas expectativas ao(à) paciente.

Essa tabela elenca isso que foi abordado acima
 

 

Para ficar claro o exposto até aqui, imaginemos uma situação:

Um paciente com indicação de biópsia renal para condução de tratamento de uma nefrite lúpica, o apoio de decisão necessita elencar vantagens, de uma maneira objetiva, de se realizar o procedimento, quais são os riscos de complicação de realizar o procedimento, assim como as consequências de não realizá-lo, devendo ser do paciente a escolha final.

 

Existe modelo ideal de apoio de decisão?

Gafni et al descrevem que o melhor formato deve acompanhar o design que uma árvore possui, de maneira que as chances e consequências vão sendo expostas à medida que o paciente for tomando as decisões e escolhas dele.

 

O modelo da árvore de análise de decisão é o seguinte:

 

Quais os benefícios de realizar a consulta dessa maneira?

Isso fará com que o paciente tenha mais adesão com os tratamentos, além de haver menos conflitos decisionais, houve diminuição da ansiedade do paciente,  melhora na qualidade do tempo da consulta médica, melhor conhecimento da doença e satisfação com a tomada de decisão e com a decisão em si.

Uma ressalva importante que o(a) profissional deve ter é em relação ao nível socioeconômico que o(a) paciente possui assim como a cultura no qual ele(a) está inserido, apropriando a linguagem para que não hajam ruídos de comunicação e para que a mensagem seja clara e efetiva.

 

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E você, concorda com esse modelo de medicina? Já vivenciou alguma situação contrária ao que foi proposto aqui?

 


Escrito por Yan Kubiak Canquerino - Colaborador da Academia Médica


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Referências

Utility Theory (saylordotorg.github.io). Acesso em 07/07/2021.

SciELO - Brasil - Apoios de decisão: instrumento de auxílio à medicina baseada em preferências. Uma revisão conceitual Apoios de decisão: instrumento de auxílio à medicina baseada em preferências. Uma revisão conceitual. Acesso em 07/07/2021.




 

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