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Automutilação na adolescência: A importância do olhar preventivo dentro das escolas.

Automutilação na adolescência: A importância do olhar preventivo dentro das escolas.
Maria de Lourdes  de Moraes Pezzuol
mai. 8 - 5 min de leitura
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A automutilação, também conhecida como autolesão ou autoagressão, é um comportamento em que uma pessoa deliberadamente causa danos físicos a si mesma como uma forma de aliviar ou lidar com dor emocional, angústia ou tensão interna. É importante ressaltar que a automutilação não é um pedido de atenção ou um comportamento de busca por ganhos secundários, mas sim um sinal de que a pessoa está sofrendo emocionalmente e não tem outras formas efetivas de expressar ou enfrentar suas emoções.

A escola, como instituição educacional social, desempenha um papel essencial na vida dos adolescentes e pode desempenhar um papel fundamental na identificação e apoio a alunos que estão passando por dificuldades emocionais.

As referências sobre automutilação estão presentes em diversas áreas, incluindo a psicologia, a psiquiatria e a saúde mental em geral. A literatura acadêmica e os estudos científicos exploram os fatores de risco, os motivos subjacentes e as abordagens terapêuticas para ajudar pessoas que praticam a automutilação.

Segundo Moreira (et al, 2020), a automutilação é um fenômeno que se inicia na adolescência, sendo considerado um fator de dificuldade para o desenvolvimento positivo desta etapa da vida. As investigações sobre automutilação descrevem um fenômeno complexo e com grande variação quanto a nomenclatura, conceito, prevalência, possível origem e determinantes.

Uma referência importante sobre esse tema é o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), publicado pela Associação Americana de Psiquiatria. O DSM-5 classifica a automutilação como um sintoma de várias condições de saúde mental, como o Transtorno de Personalidade Borderline, o Transtorno de Estresse Pós-Traumático e a Depressão Maior. A classificação no DSM-5 ajuda profissionais de saúde a compreender e diagnosticar esses transtornos.

Além disso, é identificado também que há inúmeros estudos científicos que investigam os fatores de risco associados à automutilação, como história de trauma, abuso, negligência, transtornos do humor e de ansiedade, bem como a importância de intervenções terapêuticas, como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e a Terapia Dialética Comportamental (TDC), no tratamento desses comportamentos.

A automutilação pode ser tratada, e o suporte adequado pode ajudar a pessoa a lidar com suas emoções e encontrar estratégias mais saudáveis para enfrentar os desafios da vida.

A escola, como instituição educacional, fundamental na identificação e apoio dos professores a alunos que estão passando por dificuldades emocionais.

É importante abordar a automutilação de adolescentes como um problema sério de saúde mental que requer atenção, compreensão e apoio adequados. Algumas considerações importantes relacionadas à automutilação de adolescentes e a importância da escola e do papel do professor em lidar com essa questão:

Conscientização: A escola pode desempenhar um papel importante na conscientização dos alunos, professores, funcionários e pais sobre a automutilação, seus sinais de alerta e as possíveis causas subjacentes.

Prevenção: A escola pode implementar programas de prevenção ao oferecer informações sobre saúde mental, habilidades de enfrentamento, resiliência emocional e formas saudáveis de lidar com o estresse e as emoções.

Identificação precoce: Os professores e funcionários da escola, ao estarem próximos dos alunos diariamente, podem identificar sinais de alerta precocemente, como cicatrizes inexplicáveis, roupas que escondem partes do corpo, comportamentos isolados ou mudanças extremas de humor.

Encaminhamento adequado: Ao detectar sinais de automutilação ou dificuldades emocionais, a escola deve encaminhar o aluno para os serviços de apoio e ajuda apropriados, como um psicólogo escolar, orientador educacional ou outro profissional de saúde mental.

Ambiente de apoio: A escola pode criar um ambiente seguro e acolhedor onde os alunos se sintam à vontade para buscar ajuda e compartilhar seus problemas sem julgamento.

Colaboração com os pais: A escola pode trabalhar em conjunto com os pais ou responsáveis para fornecer suporte adequado aos adolescentes que estão enfrentando desafios emocionais.

É essencial que os professores estejam bem informados sobre os sinais de automutilação e sejam treinados para abordar essas questões de forma sensível e empática. Os professores passam muito tempo com seus alunos e têm a oportunidade de observar mudanças comportamentais e emocionais ao longo do tempo. Eles são capazes de perceber sinais de alerta que podem indicar que um aluno está se automutilando. Quando um professor desenvolve uma relação de confiança com seus alunos, os alunos tendem a se sentir mais à vontade para compartilhar suas dificuldades pessoais. Isso pode incluir questões relacionadas à automutilação.

Outro fator importante é seguir as políticas e protocolos da escola para garantir que os alunos recebam o apoio adequado e que sua privacidade seja respeitada durante o processo de intervenção.

No entanto, é importante destacar também que os professores não devem tentar diagnosticar ou tratar a automutilação por conta própria. O papel deles é detectar os sinais, oferecer apoio e encaminhar o aluno para profissionais de saúde mental treinados que possam fornecer o tratamento adequado.

REFERÊNCIAS

Moreira, Érika de Sene, et al. "Automutilação em adolescentes: revisão integrativa da literatura." Ciência & Saúde Coletiva 25 (2020): 3945-3954.

 



Maria de Lourdes  de Moraes Pezzuol

Professora Especialista para alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), pesquisadora e brinquedista pela (ABbri), Secretaria da Educação do Estado de São Paulo SEESP

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