A
automutilação, também conhecida como autolesão ou autoagressão, é um
comportamento em que uma pessoa deliberadamente causa danos físicos a si mesma
como uma forma de aliviar ou lidar com dor emocional, angústia ou tensão
interna. É importante ressaltar que a automutilação não é um pedido de atenção
ou um comportamento de busca por ganhos secundários, mas sim um sinal de que a
pessoa está sofrendo emocionalmente e não tem outras formas efetivas de
expressar ou enfrentar suas emoções.
A escola, como
instituição educacional social, desempenha um papel essencial na vida dos
adolescentes e pode desempenhar um papel fundamental na identificação e apoio a
alunos que estão passando por dificuldades emocionais.
As referências
sobre automutilação estão presentes em diversas áreas, incluindo a psicologia,
a psiquiatria e a saúde mental em geral. A literatura acadêmica e os estudos
científicos exploram os fatores de risco, os motivos subjacentes e as
abordagens terapêuticas para ajudar pessoas que praticam a automutilação.
Segundo Moreira
(et al, 2020), a automutilação é um fenômeno que se inicia na adolescência,
sendo considerado um fator de dificuldade para o desenvolvimento positivo desta
etapa da vida. As investigações sobre automutilação descrevem um fenômeno
complexo e com grande variação quanto a nomenclatura, conceito, prevalência,
possível origem e determinantes.
Uma referência
importante sobre esse tema é o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos
Mentais (DSM-5), publicado pela Associação Americana de Psiquiatria. O DSM-5
classifica a automutilação como um sintoma de várias condições de saúde mental,
como o Transtorno de Personalidade Borderline, o Transtorno de Estresse
Pós-Traumático e a Depressão Maior. A classificação no DSM-5 ajuda
profissionais de saúde a compreender e diagnosticar esses transtornos.
Além disso, é
identificado também que há inúmeros estudos científicos que investigam os fatores
de risco associados à automutilação, como história de trauma, abuso,
negligência, transtornos do humor e de ansiedade, bem como a importância de
intervenções terapêuticas, como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e a
Terapia Dialética Comportamental (TDC), no tratamento desses comportamentos.
A automutilação
pode ser tratada, e o suporte adequado pode ajudar a pessoa a lidar com suas
emoções e encontrar estratégias mais saudáveis para enfrentar os desafios da
vida.
A escola, como instituição
educacional, fundamental na identificação e apoio dos professores a alunos que
estão passando por dificuldades emocionais.
É importante
abordar a automutilação de adolescentes como um problema sério de saúde mental
que requer atenção, compreensão e apoio adequados. Algumas considerações
importantes relacionadas à automutilação de adolescentes e a importância da
escola e do papel do professor em lidar com essa questão:
Conscientização:
A escola pode desempenhar um papel importante na conscientização dos alunos,
professores, funcionários e pais sobre a automutilação, seus sinais de alerta e
as possíveis causas subjacentes.
Prevenção:
A escola pode implementar programas de prevenção ao oferecer informações sobre
saúde mental, habilidades de enfrentamento, resiliência emocional e formas
saudáveis de lidar com o estresse e as emoções.
Identificação
precoce: Os professores e funcionários da escola, ao estarem próximos dos
alunos diariamente, podem identificar sinais de alerta precocemente, como
cicatrizes inexplicáveis, roupas que escondem partes do corpo, comportamentos
isolados ou mudanças extremas de humor.
Encaminhamento
adequado: Ao detectar sinais de automutilação ou dificuldades emocionais, a
escola deve encaminhar o aluno para os serviços de apoio e ajuda apropriados,
como um psicólogo escolar, orientador educacional ou outro profissional de
saúde mental.
Ambiente de
apoio: A escola pode criar um ambiente seguro e acolhedor onde os alunos se
sintam à vontade para buscar ajuda e compartilhar seus problemas sem
julgamento.
Colaboração
com os pais: A escola pode trabalhar em conjunto com os pais ou
responsáveis para fornecer suporte adequado aos adolescentes que estão
enfrentando desafios emocionais.
É essencial que
os professores estejam bem informados sobre os sinais de automutilação e sejam
treinados para abordar essas questões de forma sensível e empática. Os
professores passam muito tempo com seus alunos e têm a oportunidade de observar
mudanças comportamentais e emocionais ao longo do tempo. Eles são capazes de
perceber sinais de alerta que podem indicar que um aluno está se automutilando.
Quando um professor desenvolve uma relação de confiança com seus alunos, os
alunos tendem a se sentir mais à vontade para compartilhar suas dificuldades
pessoais. Isso pode incluir questões relacionadas à automutilação.
Outro fator
importante é seguir as políticas e protocolos da escola para garantir que os
alunos recebam o apoio adequado e que sua privacidade seja respeitada durante o
processo de intervenção.
No entanto, é
importante destacar também que os professores não devem tentar diagnosticar ou
tratar a automutilação por conta própria. O papel deles é detectar os sinais,
oferecer apoio e encaminhar o aluno para profissionais de saúde mental
treinados que possam fornecer o tratamento adequado.
REFERÊNCIAS
Moreira, Érika de Sene, et al. "Automutilação
em adolescentes: revisão integrativa da literatura." Ciência &
Saúde Coletiva 25 (2020): 3945-3954.






