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Preparado para avaliar ideação suicida via telemedicina? Insights de um estudo de caso

Preparado para avaliar ideação suicida via telemedicina? Insights de um estudo de caso
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dez. 1 - 5 min de leitura
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Em um contexto marcado pela pandemia da COVID-19, que impulsionou o uso exponencial da telemedicina, surge um desafio e uma oportunidade: a avaliação da ideação suicida em ambientes de telemedicina. Nesta publicação exploramos um estudo de caso publicado no International Journal of Emergency Medicine, em 13 de novembro de 2023, ilustrando o manejo eficaz de um paciente com ideação suicída através da telemedicina, discutindo as implicações para a prática médica.

👨‍⚕️ Análise do Caso:

A paciente, uma mulher de 23 anos residente em São Paulo, Brasil, procurou uma consulta de telemedicina em fevereiro de 2021, relatando mal-estar e sintomas vagos. O médico generalista que a atendeu, trabalhando remotamente, utilizou o software médico para a realização da consulta. Por meio de uma anamnese detalhada, que incluiu revisão de consultas de telemedicina anteriores, o médico identificou um alto risco de suicídio, apesar das queixas iniciais da paciente serem inespecíficas.

👩‍⚕️ Discussão Clínica:

O caso, destaca os desafios únicos da avaliação médica remota, como:

  1. Captação de sinais não verbais: A telemedicina limita a capacidade do médico de observar sinais não verbais, cruciais no diagnóstico de condições psiquiátricas, como ideação suicida.

  2. Construção de relações médico-paciente: Estabelecer uma relação de confiança e empatia através de uma tela pode ser mais desafiador, o que é essencial para encorajar pacientes a compartilhar pensamentos e sentimentos, especialmente aqueles relacionados à saúde mental.

  3. Treinamento especializado e protocolos de segurança: Profissionais podem enfrentar desafios devido à falta de treinamento específico para lidar com situações de saúde mental complexas, como ideação suicida, através da telemedicina. Além disso, a adaptação e implementação de protocolos de segurança adequados são cruciais.

  4. Manejo de situações de emergências: Determinar ações imediatas e eficazes em situações de emergências, como alto risco de suicídio, pode ser mais complicado em um ambiente de telemedicina, onde o atendimento físico imediato não está disponível.

  5. Integração de ferramentas tecnológicas: Utilizar eficazmente as ferramentas de software e outras tecnologias disponíveis para melhorar a avaliação clínica e o acompanhamento de pacientes com ideação suicida pode ser um desafio, especialmente na ausência de treinamento adequado.

👨‍⚕️Sugestões de manejo: 

Diante dos desafios identificados na telemedicina para avaliação de ideação suicida, o estudo sugere estratégias proativas para otimizar o atendimento:

1. Primeiramente, é fundamental o desenvolvimento de um programa de treinamento contínuo para os profissionais, focado não apenas nas habilidades técnicas, mas também na sensibilidade para identificar nuances comportamentais e emocionais em um ambiente virtual.

2. A necessidade de implementação de diretrizes atualizadas e adaptadas à realidade da telemedicina, com ênfase nas especificidades da saúde mental, representa outro aspecto crucial.

3. Incorporação de tecnologias avançadas e ferramentas de suporte à decisão clínica que possam auxiliar na avaliação e no acompanhamento de pacientes, garantindo uma resposta rápida e eficaz em situações críticas. A ênfase recai na importância de um encaminhamento ágil para avaliação presencial quando indicado, assegurando que a telemedicina atue como um complemento, e não como um substituto, do atendimento face à face em situações de alto risco.

💙 Conclusões Práticas:

Embora a telemedicina enfrente desafios significativos, ela se estabelece como uma ferramenta valiosa para a avaliação inicial de pacientes no sistema de saúde. A necessidade de monitorização contínua e apoio virtual é crucial até que uma avaliação presencial possa ser realizada. Este caso destaca a importância de abordagens cuidadosas e empáticas e a aplicação de conhecimento especializado em saúde mental para o manejo apropriado de pacientes com ideação suicida, ajustando-se às limitações e oportunidades únicas do atendimento remoto.



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Leia também: 


Referência:

Accorsi, T.A.D., De Amicis Lima, K., Köhler, K.F. et al. Assessment of suicidal ideation via telemedicine: a case report and management suggestions. Int J Emerg Med 16, 84 (2023). https://doi.org/10.1186/s12245-023-00557-2



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