O avanço da telessaúde no Brasil, especialmente após a regulamentação da Lei nº 14.510/2022, trouxe à tona um cenário promissor para a inovação na atenção básica e especializada.
Uma das inovações mais impactantes neste contexto são as Cabines de Telessaúde, estruturas tecnológicas que permitem atendimento remoto, instaladas em locais estratégicos como shoppings, metrôs, escolas e até favelas.
O Parecer COREN-SP nº 005/2025, recentemente publicado, traça diretrizes claras e objetivas sobre como deve se dar a atuação da enfermagem neste novo ambiente. A análise parte do princípio da universalização do acesso, do uso seguro das Tecnologias da Informação e Comunicação, e do respeito à autonomia profissional.
As cabines são verdadeiros hubs digitais de saúde. Equipadas com dispositivos como estetoscópios eletrônicos, otoscópios digitais, ECGs, esfigmomanômetros e conectividade de alta velocidade, proporcionam a realização de diversos exames clínicos de forma remota. Elas também garantem conforto, privacidade, biossegurança e integração com prontuários eletrônicos.
No entanto, o que garante o sucesso dessas cabines não é apenas sua estrutura tecnológica, mas a atuação qualificada dos profissionais de saúde, com destaque para a enfermagem. Segundo o parecer, os enfermeiros têm atuação privativa nas seguintes atividades mediadas:
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Consulta de Enfermagem baseada no Processo de Enfermagem (avaliação, diagnóstico, plano, execução e evolução);
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Consultorias clínicas entre pares ou com equipe multiprofissional;
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Interconsultas com especialistas.
Já técnicos e auxiliares de enfermagem, sob supervisão do enfermeiro, podem atuar no acolhimento, educação em saúde, monitoramento de pacientes e apoio logístico ao atendimento remoto. É responsabilidade do enfermeiro garantir a supervisão direta e a qualidade da assistência, mesmo que mediada por tecnologia.
Outro ponto de destaque é a responsabilidade ética e legal em relação à proteção de dados, conforme previsto na Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). Toda informação deve ser registrada com segurança e consentimento informado, podendo ser obtido por meio físico, digital ou verbal, desde que registrado adequadamente.
O parecer também reforça a importância da capacitação contínua da equipe de enfermagem, uma vez que o cuidado digital exige competências técnicas, científicas e éticas específicas. É essencial que instituições de saúde construam protocolos institucionais multiprofissionais que garantam clareza nas atribuições, favorecendo segurança assistencial e autonomia profissional.
Em suma, as Cabines de Telessaúde representam mais do que um avanço tecnológico: são uma oportunidade de reposicionar a enfermagem como protagonista na expansão do cuidado, especialmente em áreas remotas ou de difícil acesso. Esse protagonismo, no entanto, só será alcançado se for acompanhado de regulamentação, qualificação e valorização profissional.
Referência:
Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo. (2025). Parecer COREN-SP nº 005/2025: Cabines de telessaúde – Atuação da Enfermagem. https://portal.coren-sp.gov.br/pareceres/cabines-de-telessaude-atuacao-da-enfermagem/parecer-005_2025/






