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Caminhadas de Lazer: Aliadas no combate às complicações microvasculares diabéticas

Caminhadas de Lazer: Aliadas no combate às complicações microvasculares diabéticas
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ago. 29 - 4 min de leitura
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Publicada em agosto de 2023 na revista Diabetes Care, uma pesquisa baseada em dados do UK Biobank, envolvendo mais de 18.000 participantes, revelou  que qualquer nível de atividade física de lazer pode reduzir significativamente o risco de neuropatia e nefropatia em pacientes com diabete tipo 2.  Esta descoberta, indica que até menos de 1,5 horas de caminhada por semana podem ser benéficas.

Os benefícios da atividade física sempre foram promovidos como essenciais para a gestão do diabetes tipo 2 devido aos seus efeitos favoráveis sobre fatores de risco metabólicos. No entanto, a relação entre a atividade física e as complicações microvasculares, como a neuropatia, nefropatia e retinopatia, tem sido incerta. Este novo estudo visou esclarecer essa associação, determinando a dose-resposta mínima eficaz entre a atividade física de lazer e estas complicações.

Frederik P.B. Kristensen, o autor principal da pesquisa, mencionou que os resultados são animadores tanto para médicos quanto para pacientes. Especialmente em relação à neuropatia, para a qual as estratégias preventivas são limitadas e não existe tratamento modificador da doença. Kristensen também destacou que, embora muitas pesquisas em diabete se concentrem na mortalidade e complicações macrovasculares, este estudo demonstrou um padrão similar para complicações microvasculares. Isso sugere que até mesmo pequenas quantidades de atividade física podem beneficiar o estado de saúde de pacientes diabéticos.

A análise incluiu um total de 18.092 indivíduos com diabete tipo 2. Durante o seguimento mediano de 12,1 anos, 3,7% dos participantes foram diagnosticados com neuropatia, 10,2% com nefropatia e 11,7% com retinopatia. Ficou evidente que qualquer nível de atividade física estava associado a uma redução aproximada no risco para neuropatia e nefropatia. Por outro lado, a associação entre atividade física e retinopatia foi mais fraca. Esse menor grau de associação pode estar relacionado às diferenças na etiologia das complicações microvasculares.

Um aspecto interessante do estudo foi a observação de que as associações eram menos pronunciadas em mulheres. Kristensen aponta isso como uma área crucial a ser investigada. As diferenças entre homens e mulheres em relação à incidência de diabete tipo 2, fatores de risco metabólicos, complicações e adesão ao tratamento são conhecidas, mas os mecanismos exatos permanecem incertos.

Desta forma, a atividade física, mesmo em níveis moderados, mostra-se como uma ferramenta valiosa na gestão de pacientes com diabete tipo 2, particularmente na prevenção de complicações microvasculares. Essas descobertas reforçam a necessidade de incentivar os pacientes a se engajarem em atividades físicas regulares, mesmo que mínimas.

Embora essas descobertas sejam promissoras, estudos prospectivos ainda são essenciais para aprofundarmos nosso entendimento sobre a relação entre a atividade física total e o risco dessas complicações. Isso reflete a constante evolução da medicina e nosso compromisso em proporcionar o melhor cuidado aos pacientes diabéticos.


Leia também: 


Referências: 

  • Even an Hour's Walk a Week Lowers Risk in Type 2 Diabetes - Medscape - August 29, 2023.
  • Frederik Pagh Bredahl Kristensen, Miguel Adriano Sanchez-Lastra, Knut Eirik Dalene, Borja del Pozo Cruz, Mathias Ried-Larsen, Reimar Wernich Thomsen, Ding Ding, Ulf Ekelund, Jakob Tarp; Leisure-Time Physical Activity and Risk of Microvascular Complications in Individuals With Type 2 Diabetes: A UK Biobank Study. Diabetes Care 2023; dc230937. https://doi.org/10.2337/dc23-0937



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