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Como pesquisadores avaliam o efeito da cannabis no cérebro ao longo da vida

Como pesquisadores avaliam o efeito da cannabis no cérebro ao longo da vida
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out. 23 - 5 min de leitura
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Uma publicação da American Psychological Association (APA) abordou sobre os efeitos da maconha no cérebro ao longo do tempo. A crescente popularidade do consumo de cannabis é evidente: em 2021, mais de 36 milhões de indivíduos com 12 anos ou mais declararam usar a substância, um número significativamente maior em comparação com a última década. Dada essa tendência, torna-se crucial entender as consequências do consumo de cannabis no cérebro, especialmente nas variadas etapas da vida.

O artigo da APA, é fruto da colaboração de especialistas no assunto e mergulha profundamente nos efeitos e implicações do consumo de cannabis em diversas dimensões da vida humana. Desde o impacto no desenvolvimento cerebral dos adolescentes, passando pelas consequências na educação e trajetória profissional, até os efeitos a longo prazo no envelhecimento e as complexas interações com a saúde mental. A seguir, detalhamos cada um desses aspectos que foram abordados:

Fonte: 

🚩 Implicações para os Adolescentes: Estudos recentes apontam que a fase adolescente, caracterizada pelo cérebro ainda em desenvolvimento, é particularmente sensível aos efeitos da cannabis. Dr. Nora Volkow, do Instituto Nacional de Abuso de Drogas, destaca a preocupação acerca dos impactos negativos na memória e aprendizado em jovens usuários regulares.

Joanna Jacobus, da Universidade da Califórnia, também reforça esse argumento ao mostrar que o uso constante da substância resulta em modificações na estrutura cerebral, sobretudo nas regiões frontal e parietal. Esta reconfiguração estrutural tem sido associada a um declínio no desempenho cognitivo em áreas cruciais, como atenção e memória.

🚩 Repercussões na Educação e Trajetória Profissional: O impacto da cannabis não se limita apenas à fisiologia do cérebro. Jonathan Schaefer, pesquisador da Universidade de Minnesota, ao analisar um grupo de 3.000 gêmeos, descobriu que, mesmo que o uso de cannabis não resulte necessariamente em alterações na saúde mental ou na capacidade cognitiva, ele tem uma correlação direta com uma menor realização acadêmica e profissional.

🚩 Consequências do Uso Crônico e o Processo de Envelhecimento: Em um estudo longitudinal na Nova Zelândia, que abrangeu quatro décadas, observou-se que o uso contínuo de cannabis, iniciado frequentemente durante a adolescência, traz implicações na idade avançada. Indivíduos que se mantiveram usuários contínuos mostraram-se menos preparados financeiramente e enfrentaram desafios sociais mais significativos na terceira idade.

🚩 Cannabis e Saúde Mental: A correlação entre o consumo de cannabis e a saúde mental é complexa e multifacetada. Enquanto muitos veteranos de guerra com Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) recorrem à cannabis em busca de alívio, estudos sugerem que essa estratégia pode exacerbar os sintomas.

Há, também, preocupações sobre a interação da cannabis com medicamentos prescritos para tratamentos de saúde mental. Em especial, o canabidiol (CBD) pode interferir no metabolismo de medicamentos antidepressivos e antipsicóticos, uma vez que inibe enzimas hepáticas cruciais.

🚩 Uso recreativo e uso medicinal: À medida que a aceitação e legalização da cannabis crescem globalmente, tanto para fins medicinais quanto recreativos, o apelo por pesquisas mais profundas e abrangentes sobre seus efeitos torna-se recomendável. Staci Gruber, PhD, da Escola de Medicina de Harvard, foi uma das vozes que destacou a necessidade de diferenciar os impactos do uso recreativo e medicinal da planta.

Ela identificou que muitos estudos não faziam essa distinção crucial, o que poderia levar a generalizações perigosas. Em resposta, em 2014, Dr. Gruber lançou o programa MIND (Investigações sobre Maconha para Descoberta Neurocientífica). Seu recente estudo mostrou que pacientes de meia-idade que utilizavam cannabis medicinalmente experimentaram melhorias significativas em várias dimensões, como humor, sono e funções executivas.

A maioria destes pacientes inclinou-se para produtos com mais canabidiol (CBD) e menos tetra-hidrocanabinol (THC), evidenciando um uso responsável e direcionado. No entanto, enquanto a cannabis pode ser benéfica para algumas condições, é essencial reconhecer e atenuar os riscos associados, especialmente para os mais jovens. Portanto, investir em pesquisas robustas e disseminar informações fundamentadas em evidências torna-se crucial neste cenário em evolução.


Leia também: 


Referência: 

Stringer, H. (2023, June 1). How does marijuana affect the brain? Psychological researchers examine impact on different age groups over time. Monitor on Psychology, 54(4), 20. Retrieved from https://www.apa.org/monitor/2023/06/marijuana-effects-brain?utm_source=twitter&utm_medium=social&utm_campaign=apa-monitor&utm_content=marijuana-effects-brain.



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