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Cuidados na prescrição de medicamentos

Cuidados na prescrição de medicamentos
Felipe Nurchis
mai. 8 - 4 min de leitura
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Sabemos que o tempo de atendimento deve ser dedicado ao paciente, entender suas dores e suas espectativas é sempre o foco de um bom atendimento.

Mas e a parte documental deste atendimento, está adequada?

Vou contar uma pequena história real, o paciente se deslocou mais de 100km para a consulta com seu geriatra, que prescreveu alguns medicamentos além de solicitar alguns exames. Isso era uma quinta feira qualquer, na segunda feira, sua secretária recebe a ligação deste paciente:

"_Por favor, poderia enviar uma cópia da prescrição? Levei meu carro no lava rápido e esse papel sumiu".


Esse médico tinha uma cópia (2ª via), desta prescrição? Havia anotado no prontuário os medicamentos recomendados? lembrava esse Médico após 4 dias o que tinha prescrito ao paciente? Já sabemos a resposta tão comum "NÃO"!
O desfecho deste caso foi uma relação médico X paciente abalada, um ar de "irresponsabilidade" que abalou até o próprio médico, sempre atencioso e preocupado com seu paciente, mas que negligenciava a parte documental



E ainda nem estamos falando em responsabilidade ética ou mesmo jurídica em um eventual processo de acusação de "erro médico".




Ainda nesse mesmo sentido da prescrição, temos alguns protocolos que devem ser seguidos, não é incomum encontrarmos anotações como "gts" ou "cps", à exemplo:

medicamento XY           10gts/dia por 5 dias.
medicamento XZ            1cps/dia por 3 dias.



Dica: Utilize "gotas" ou "cápsula/comprimido"

 

O Médico deve ter consciência que o entendimento do paciente é muito diferente do seu, ele não tem o preparo técnico/profissional e pode interpretar erroneamente as anotações ou mesmo não entender, segue um exemplo muito comum:

 

medicamento YY (para febre)              caso necessário (ou SOS).




Medicamento XX caso necessário ou SOS?


O paciente não tem esse entendimento "quando necessário", ou pior, terá um entendimento errado sobre a prescrição, se perguntarmos para os pacientes o que é febre, encontraremos respostas desde 37ºC até 40ºC ou mais. Não podemos nunca esquecer que o entendimento e cultura dos pacientes são muito diferentes, independente de classe social e/ou escolaridade, portanto a informação deve ser exata como no exemplo abaixo:

medicamento YY (para febre)              caso temperatura medida na axila ultrapasse 37,5ºC.


Não negligencie sua documentação médica, um único caso pode gerar um processo ético, civil e até mesmo criminal, fruto este de um único atendimento, que vai te gerar custo e transtorno por um longo tempo, afetando até o seu psicológico.


Caso de erro por omissão na prescrição:


Se atente também onde será aplicado esse medicamento, um determinado médico  atendendo uma criança com problema ocular no Pronto Atendimento, prescreveu 2 gotas do medicamento XX, sem especificar mais nada. Na farmácia o pai apresentou a prescrição e o balconista forneceu o medicamento, a pai aplicou e a criança ficou com muita ardência e cegueira temporária, no retorno ao Hospital, outro médico constatou que aquele medicamento comprado pelo pai era de uso otorrino e não oftalmo, como não estava na prescrição "colírio" ou mesmo "2 gotas nos olhos", gerou a confusão na compra do medicamento, o desfecho dessa história foi positiva, a criança ficou bem horas depois, mas poderia ter um desfecho bem negativo.

Vamos nos atentar mais na prescrição, evitando desconfortos, mal entendidos ou mesmo erros?



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